Lula e Alcolumbre selam reaproximação em evento da Petrobras no Amapá

A guerra acabou, mas a votação aguarda o resultado das urnas
Lula e Alcolumbre selam reconciliação pública, mas projetos prioritários devem ser votados apenas após as eleições de 2026.
Mark

Por que esse encontro no navio-sonda importa tanto? Não seria apenas uma visita de rotina?

Mimi

Porque durante meses esses dois homens não se falavam. O Senado rejeitou a indicação de Messias ao STF em abril, e Alcolumbre foi quem articulou isso. Lula ficou furioso. Projetos importantes do governo ficaram travados na gaveta do senador. Esse encontro público diz: a guerra acabou.

Mark

Mas se a guerra acabou, por que os projetos não vão para votação agora?

Mimi

Porque ainda é agosto. As eleições são em 2026, e o Congresso entra em recesso eleitoral em breve. A avaliação no Senado é que esses temas devem esperar até depois das eleições. O gesto de Alcolumbre — encaminhar os projetos para as comissões — é suficiente por enquanto.

Mark

Então Alcolumbre está apoiando Lula nas eleições em troca de quê?

Mimi

Não é exatamente uma troca. Alcolumbre é senador pelo Amapá e defende a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Lula também apoia isso. O encontro no navio-sonda reforça essa aliança. E sim, o governo confirmou que Alcolumbre apoiará a chapa petista, mas isso provavelmente já era esperado.

Mark

A descoberta de petróleo na Foz do Amazonas muda algo?

Mimi

Muda o contexto. A Petrobras anunciou hidrocarbonetos na região na sexta anterior. Para Alcolumbre, isso valida sua defesa da exploração. Para Lula, é uma vitória de soberania energética. O navio-sonda vira um palco perfeito para ambos celebrarem juntos.

Mark

Qual é o risco agora?

Mimi

Que os projetos fiquem parados novamente após as eleições. O desbloqueio de agora é um gesto, não uma garantia. Se a dinâmica política mudar, tudo pode voltar à gaveta.

  • Lula e Alcolumbre visitaram navio-sonda da Petrobras no Oiapoque, Amapá, em 17 de agosto
  • Petrobras descobriu hidrocarbonetos na bacia da Foz do Amazonas na sexta anterior
  • Alcolumbre encaminhou três projetos prioritários do governo para análise nas comissões
  • Relação havia se rompido em abril após rejeição de Jorge Messias ao STF
  • Avaliação no Senado indica votação dos projetos após eleições de 2026

Lula e Alcolumbre visitaram plataforma de prospecção de petróleo na Margem Equatorial, onde Petrobras descobriu hidrocarbonetos na semana anterior. Senador encaminhou três projetos prioritários do governo para análise nas comissões, desbloqueando temas que estavam parados desde o rompimento político.

Presidente Lula e senador Alcolumbre fazem primeira aparição pública após reaproximação política, visitando navio-sonda da Petrobras no Amapá. Relação havia se rompido após rejeição de indicação ao STF.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, desceram juntos em um navio-sonda da Petrobras no Oiapoque, município no extremo norte do Amapá, na segunda-feira 17 de agosto. Foi o primeiro encontro público dos dois após semanas de negociações silenciosas que recompuseram uma relação política que havia se desfiado completamente.

O rompimento entre eles começou em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, então advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Alcolumbre, senador pelo Amapá e presidente da Casa, havia articulado essa rejeição. A tensão se estendeu por meses, travando projetos que o governo considerava estratégicos. Mas nas últimas semanas, ambos começaram a enviar sinais públicos de reaproximação. Apenas na semana anterior ao evento, os dois se encontraram três vezes.

A visita ao navio-sonda não era casual. Na sexta-feira anterior, a Petrobras havia anunciado a descoberta de hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral amapaense. A descoberta sinalizava a presença de petróleo ou gás natural na região. Alcolumbre é um dos principais articuladores políticos em defesa da exploração de petróleo na Margem Equatorial, a área que abrange a costa do seu estado. Durante seu discurso no navio, o senador afirmou que Lula havia enfrentado "tudo e todos" para defender o projeto, e apelou para que o Brasil decidisse seu próprio futuro energético, sem tutela de outros países.

Mas o gesto mais concreto de reconciliação veio antes. Na semana do evento, Alcolumbre encaminhou para análise das comissões do Senado três projetos que eram prioridades vitais do governo federal: a Proposta de Emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6x1 de trabalho; a PEC da Segurança Pública; e o projeto de lei que estabelece o marco legal de minerais críticos e terras raras. Esses temas haviam ficado parados desde o rompimento político. Durante seu discurso no Oiapoque, Lula elogiou Alcolumbre, dizendo que o senador havia tido "uma atitude muito importante para o Brasil" naquela semana ao desbloquear esses projetos.

O timing, porém, carregava uma camada política adicional. O evento ocorria na véspera do início da campanha eleitoral de 2026. O ministro das Relações Institucionais confirmou que, independentemente dos trâmites no Senado, Alcolumbre apoiaria a chapa petista nas eleições. Ainda assim, a avaliação interna no Senado era que esses três projetos prioritários devem ficar para votação após as eleições. O Congresso teria apenas mais uma semana de esforço concentrado no início de setembro antes do recesso eleitoral.

O que se viu no Oiapoque, portanto, foi menos uma resolução de conflitos e mais um acordo de cavalheiros: Lula e Alcolumbre selavam publicamente o fim da guerra fria, o senador desbloqueava os projetos do governo como gesto de boa vontade, e ambos sinalizavam que a votação efetiva desses temas aguardaria o resultado das urnas. A reconciliação era real, mas sua profundidade permanecia condicionada ao calendário político.

Essa semana, tive uma conversa com o senador Alcolumbre e ele mandou para as comissões três projetos de importância vital para o Brasil
— Presidente Lula
Deixem que nós brasileiros, que lutamos pela defesa do Brasil, decidamos o que queremos para o Brasil
— Senador Davi Alcolumbre
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