Em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva abriu formalmente sua campanha presidencial diante de uma multidão, invocando não a sua própria força, mas a vontade coletiva de um povo que, segundo ele, carrega o peso de 33 milhões de compatriotas sem alimento. A 43 dias das eleições de 2 de outubro, o ex-presidente liderava as sondagens com 45% das intenções de voto, posicionando este momento como um capítulo de uma longa tensão brasileira entre progresso social e retrocesso político. A campanha que se inicia não é apenas uma disputa entre dois homens, mas um debate sobre o que uma nação deve a seus
Lula diz que povo brasileiro está "cansado" e vai expulsar Bolsonaro do poder
O povo vai tirá-lo da Presidência, não Lula
O que torna este comício diferente de outros eventos de campanha que vimos?
É o primeiro grande evento de Lula antes das eleições, reunindo uma multidão em São Paulo. Ele está usando números concretos — 33 milhões sem comida — para mostrar o fracasso do governo Bolsonaro.
Mas essas pesquisas que mostram Lula com 45% contra 30% de Bolsonaro — de quem são? Qual é a margem de erro? Ele está confiante, mas ainda há 43 dias.
Lula fala sobre fake news religiosas. Quão difundida é essa desinformação?
Ele diz que circula nas redes sociais, atribuída a grupos bolsonaristas, afirmando que fecharia igrejas. É um ataque direto à sua credibilidade com eleitores religiosos.
Ele responde a isso, mas não sabemos quantas pessoas realmente acreditam nessas mentiras ou como isso afeta o voto. É uma preocupação real ou uma distração?
A pobreza é o tema central aqui?
Sim. Trinta e três milhões de brasileiros enfrentam insegurança alimentar. Lula está dizendo que isso é inaceitável num país que produz alimentos em abundância.
Esse número de 33 milhões — de onde vem? Lula cita "relatórios recentes", mas não especifica quais. É um número verificado ou uma estimativa?
Qual é o apelo final de Lula?
Ele pede que as pessoas não se acomodem, que saiam e falem por ele. É um reconhecimento de que as pesquisas não ganham eleições — as pessoas ganham.
É um apelo inteligente, mas também revela uma verdade: ele não pode estar em toda parte. Depende da mobilização de base, e isso é sempre incerto.
El Pulso
- Com 33 milhões de brasileiros sem comida e relatos de pessoas a revirar o lixo em busca de restos, a crise social serve de combustível urgente para a candidatura de Lula.
- Bolsonaro, acusado de promover uma 'propaganda de armas e violência', enfrenta uma frente progressista unida em torno de nove partidos que apoiam o ex-presidente.
- Desinformação religiosa — a falsa alegação de que Lula encerraria igrejas — circula nas redes sociais, forçando o candidato a combater mentiras ao mesmo tempo que tenta mobilizar eleitores.
- Apesar de liderar com 45% contra 30% de Bolsonaro, Lula recusa a complacência e pede aos apoiantes que falem por ele onde ele não pode chegar.
- A campanha posiciona-se como uma escolha civilizacional: cuidar dos mais necessitados ou continuar um governo que, segundo Lula, aprofundou a pobreza desde 2019.
Em São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva abriu formalmente sua campanha presidencial diante de uma multidão, invocando não a sua própria força, mas a vontade coletiva de um povo que, segundo ele, carrega o peso de 33 milhões de compatriotas sem alimento. A 43 dias das eleições de 2 de outubro, o ex-presidente liderava as sondagens com 45% das intenções de voto, posicionando este momento como um capítulo de uma longa tensão brasileira entre progresso social e retrocesso político. A campanha que se inicia não é apenas uma disputa entre dois homens, mas um debate sobre o que uma nação deve a seus mais vulneráveis.
No sábado, São Paulo foi palco do primeiro grande comício de Lula da Silva antes das eleições presidenciais de 2 de outubro. Com 76 anos e mais de um ano a liderar as sondagens, o ex-presidente dirigiu-se diretamente a Bolsonaro: não seria ele a expulsar o presidente de extrema-direita, mas o próprio povo brasileiro, cansado do seu governo.
Lula trouxe números que pintavam um retrato de deterioração social. Trinta e três milhões de brasileiros passavam fome — num país que é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. Pessoas a revirar lixo em busca de ossos e restos de comida. "Isso não tem explicação", disse ele, colocando a responsabilidade diretamente nos ombros do governo atual.
A sua visão era simples e contrastante: "Governar é cuidar das pessoas e principalmente dos mais necessitados." Apoiado por nove partidos numa frente progressista, Lula criticou o que chamou de "propaganda de armas e violência" de Bolsonaro e reafirmou uma política centrada no social.
O candidato também enfrentou desinformação religiosa que circulava nas redes, atribuída a grupos bolsonaristas, segundo a qual encerraria igrejas se eleito. Respondeu defendendo o Estado laico e criticando quem usa a fé como tribuna política: "Há muito demónio a ser tratado como Deus e muito diabo a fazer das igrejas um palanque."
Com 45% das intenções de voto contra 30% de Bolsonaro e 43 dias pela frente, Lula recusou a complacência. Não poderia chegar a cada casa nem falar com cada pessoa. "Vocês falem por mim", pediu à multidão — um apelo à mobilização que reconhecia uma verdade simples: as sondagens não ganham eleições. As pessoas ganham.
Luiz Inácio Lula da Silva reuniu uma multidão em São Paulo no sábado para o que marcou seu primeiro grande comício de campanha antes das eleições presidenciais de 2 de outubro. Com 76 anos e liderando as pesquisas há mais de um ano, o ex-presidente dirigiu-se diretamente a seu rival: "Bolsonaro, esteja preparado. Não tenha medo de Lula porque será o povo que vai tirá-lo da Presidência". A mensagem era clara — não era Lula quem expulsaria o presidente de extrema-direita, mas a população brasileira, cansada de seu governo.
Os números que Lula trouxe para o palco pintavam um quadro de deterioração social. Trinta e três milhões de brasileiros não tinham o que comer, afirmou, citando relatórios recentes que documentavam pessoas revolvendo lixo em busca de ossos e restos de comida. A ironia, como Lula apontou, era brutal: o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo. "Isso não tem explicação", disse ele. A pobreza havia se aprofundado desde que Bolsonaro assumiu o poder em janeiro de 2019, e Lula colocou a responsabilidade diretamente nos ombros do governo.
Sua visão de governo era simples e contrastante. "Governar é cuidar das pessoas e principalmente dos mais necessitados", declarou, contrapondo-se ao que chamou de "propaganda de armas e violência" do atual presidente. Apoiado por líderes de nove partidos que formavam uma frente progressista em torno de sua candidatura, Lula reafirmava uma abordagem que priorizava políticas sociais sobre segurança armada.
O ex-presidente também enfrentou desinformação que circulava nas redes sociais, frequentemente atribuída a grupos bolsonaristas, que afirmavam falsamente que Lula encerraria igrejas se eleito. Ele respondeu com uma crítica mais ampla ao uso político da religião. "Essa questão religiosa está tão na moda agora. Há muitas fake news religiosas e muito demónio a ser tratado como Deus e muito diabo a fazer das igrejas uma tribuna política", disse. Reafirmou sua defesa do Estado laico — um Estado sem religião oficial, mas que deveria proteger todas as religiões — e criticou aqueles que usavam a fé como ferramenta política.
Apesar de suas pesquisas mostrarem uma vantagem confortável — 45% de intenção de voto contra 30% de Bolsonaro — Lula pediu que seus apoiadores não relaxassem. Faltavam 43 dias para as eleições, e ele não poderia visitar cada casa, falar com cada pessoa. "Vocês falem por mim", pediu aos presentes. Era um apelo à mobilização, um reconhecimento de que as pesquisas não ganham eleições — as pessoas ganham. Lula havia governado o Brasil entre 2003 e 2010, e agora buscava retornar ao poder em um momento em que a desigualdade havia se ampliado e milhões enfrentavam fome.
Citas Notables
Bolsonaro, esteja preparado. Não tenha medo de Lula porque será o povo que vai tirá-lo da Presidência— Luiz Inácio Lula da Silva, durante comício em São Paulo
Governar é cuidar das pessoas e principalmente dos mais necessitados, não fazer propaganda de armas e violência— Luiz Inácio Lula da Silva