Lula diz que Meloni pediu prazo de até um mês para fechar acordo Mercosul-UE

A esperança é a última que morre
Lula mantém a porta aberta para um acordo mesmo diante da resistência de França e Itália.
Mark

Por que Lula está tão determinado em fechar esse acordo agora, neste momento específico?

Mimi

Porque ele já fez concessões de calendário. Adiou a reunião do Mercosul inteira para 20 de dezembro porque a Europa pediu. Agora a Europa diz que não consegue cumprir o que prometeu. Para Lula, é uma questão de credibilidade — dele e do Mercosul.

Luke

Mas a ameaça dele de "nunca mais fazer acordos" é crível? Ele está presidente até 2026. Isso é retórica de negociação ou ele realmente acredita que pode se dar ao luxo de fechar as portas?

Mark

E quanto a Meloni? Ela está sendo honesta sobre a dificuldade com os agricultores italianos, ou é apenas um pretexto?

Mimi

Parece ser real. Agricultores europeus têm poder político significativo. Mas o timing é suspeito — por que ela não levantou isso antes, quando Lula adiou a reunião?

Luke

Exatamente. E note que Lula diz que Meloni pediu "uma semana, dez dias, no máximo um mês". Isso é vago demais para ser um compromisso real. Um mês leva a gente para janeiro, quando o calendário político muda completamente.

Mark

Então Macron está usando a Itália como escudo?

Mimi

Não necessariamente. Macron foi direto — exigiu um freio de emergência. Ele não está escondido atrás de ninguém. A questão é que ambos têm razões políticas legítimas para hesitar.

Luke

Mas a Comissão Europeia quer fechar. Von der Leyen vê isso como crucial. Então há uma divisão real dentro da Europa, não apenas entre Europa e Mercosul.

Mark

E o Brasil? Lula consegue convencer os outros países do Mercosul a esperar?

Mimi

Ele diz que vai tentar. Mas se a Argentina, Paraguai e Uruguai também estão cansados de esperar, a ameaça dele de não fazer mais acordos pode virar contra ele.

Luke

Isso é o ponto crítico que o texto não resolve: qual é a posição dos outros membros do Mercosul? Lula fala como se fosse só dele a decisão.

  • A assinatura prevista para 20 de dezembro está em risco real: França exige um 'freio de emergência' e a Itália, que surpreendeu ao recuar há dois dias, pede até um mês para convencer seus agricultores.
  • Lula reorganizou o calendário do Mercosul — adiando reunião de 2 para 20 de dezembro — a pedido dos europeus, que prometeram aprovar o acordo no dia 19; a promessa não foi cumprida.
  • O presidente brasileiro elevou o tom em reunião ministerial: se o acordo não for assinado agora, o Brasil não firmará mais acordos comerciais enquanto ele estiver no poder.
  • Apesar da ameaça, Lula mantém uma janela aberta até sábado e planeja levar o apelo de Meloni aos demais líderes do Mercosul, sinalizando que a negociação ainda não morreu.
  • Ursula von der Leyen defende a assinatura como de importância 'crucial econômica, diplomática e geopolítica', mas o abismo entre sua convicção e a resistência de Macron e Meloni permanece sem solução à vista.

Décadas de negociações entre o Mercosul e a União Europeia chegaram a um momento de tensão aguda em dezembro de 2024, quando resistências políticas internas na França e na Itália ameaçaram adiar indefinidamente um acordo que parecia iminente. Lula, que reorganizou o calendário diplomático brasileiro para acomodar os europeus, ouviu de Meloni um pedido de paciência e de Macron uma exigência de freio — e respondeu com uma ameaça que revela o quanto a paciência sul-americana tem limites. Entre a convicção de Ursula von der Leyen sobre a importância histórica do pacto e a aritmética política de Paris e Roma, o destino de um dos maiores acordos comerciais do mundo aguarda o sábado como prazo simbólico.

Lula telefonou para a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni na quinta-feira em busca de uma saída para o impasse que ameaça o acordo Mercosul-União Europeia. O que ouviu foi um pedido de paciência: Meloni não se opõe ao pacto, mas enfrenta resistência dos agricultores italianos e pediu entre uma semana e um mês para convencê-los. O presidente revelou a conversa a jornalistas no Palácio do Planalto.

O Brasil havia feito sua parte. Lula adiou a reunião do Mercosul de 2 para 20 de dezembro porque representantes europeus garantiram que o acordo seria aprovado no dia 19. Do lado sul-americano, tudo estava resolvido — ainda que os termos favorecessem mais os europeus. Mas o cenário mudou rapidamente.

Macron chegou ao Conselho Europeu exigindo um 'freio de emergência', argumentando que faltavam cláusulas de reciprocidade no texto. A França não assinaria. A resistência francesa era esperada por Lula; o que o surpreendeu foi a Itália recuar dois dias antes. Diante disso, o presidente endureceu o discurso em reunião ministerial na quarta-feira: se o acordo não for assinado agora, o Brasil não firmará mais acordos comerciais enquanto ele estiver no poder.

Mesmo assim, Lula não fechou a porta. Decidiu esperar até sábado e planeja levar o pedido de Meloni aos outros líderes do Mercosul. 'A esperança é a última que morre', disse. Do outro lado, Ursula von der Leyen continua defendendo o pacto como de importância crucial — econômica, diplomática e geopolítica. Entre a convicção dela e a aritmética política de Paris e Roma, porém, há um abismo que nenhuma ligação telefônica parece conseguir fechar em tão poucos dias.

Luiz Inácio Lula da Silva ligou para a primeira-ministra italiana Georgia Meloni na quinta-feira para tentar desbloquear um acordo comercial que deveria ter sido assinado há dias. O que ouviu foi uma explicação política e um pedido de paciência: Meloni não se opõe ao pacto entre o Mercosul e a União Europeia, mas enfrenta resistência interna dos agricultores italianos. Ela pediu uma semana, dez dias, no máximo um mês para convencê-los a aceitar os termos. Lula revelou a conversa durante encontro com jornalistas no Palácio do Planalto em Brasília.

O presidente havia reorganizado o calendário das negociações especificamente para acomodar as prioridades europeias. A reunião do Mercosul estava marcada para 2 de dezembro, mas Lula a adiou para 20 de dezembro porque a União Europeia garantiu que conseguiria aprovar o acordo no dia 19. Representantes europeus haviam assegurado ao brasileiro que a assinatura aconteceria ainda em 2024. Do lado do Mercosul, tudo estava resolvido — ainda que os termos favorecessem mais os europeus do que os sul-americanos.

Mas o cenário mudou. Macron, que já havia sinalizado oposição, subiu o tom na quinta-feira ao chegar ao Conselho Europeu. O presidente francês exigiu um "freio de emergência" para o pacto, argumentando que a União Europeia não estava pronta para prosseguir. Embora reconhecesse que a Comissão Europeia havia feito uma proposta e o Parlamento a melhorado com medidas de salvaguarda, Macron insistiu que faltavam cláusulas de reciprocidade e espelhamento no acordo comercial. A França não assinaria.

Lula já sabia que a França seria um obstáculo — isso não o surpreendeu. O que o pegou de surpresa foi a Itália recuar há dois dias. Diante dessa mudança, o presidente elevou significativamente o tom. Se o acordo não for assinado agora, afirmou, o Brasil não fará mais acordos enquanto ele estiver na presidência. A ameaça foi feita durante uma reunião ministerial na quarta-feira, antes mesmo da conversa com Meloni.

Apesar da frustração, Lula mantém uma porta aberta. Reconheceu que talvez não haja nada a fazer se o texto não estiver pronto para assinatura, mas insistiu em esperar até o sábado. "A esperança é a última que morre", disse. Ele planeja levar o apelo de Meloni aos outros chefes de Estado do Mercosul e continua argumentando que os europeus não perdem nada com esse acordo — uma posição que contrasta com a resistência que enfrenta.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, vê a assinatura como de "crucial importância econômica, diplomática e geopolítica", segundo fontes que falaram com a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Para ela, chegou o "momento certo" para concluir o pacto. Mas entre a convicção de von der Leyen e a realidade política de Macron e Meloni há um abismo que nenhuma conversa telefônica parece conseguir fechar nos próximos dias.

Ela não é contra o acordo, ela apenas está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores italianos, mas que ela tem certeza que ela é capaz de convencê-los
— Lula, descrevendo a posição de Meloni
Se o acordo não for assinado agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente
— Lula
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