Em meio a décadas de negociações e promessas renovadas, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia chegou a uma encruzilhada delicada: Lula telefonou para Meloni em busca de um desbloqueio, mas encontrou não uma recusa, e sim o peso da política doméstica europeia sobre um pacto que, em tese, ninguém nega querer. A resistência francesa e o embaraço agrícola italiano revelam que os maiores obstáculos a acordos históricos raramente são técnicos — são humanos, eleitorais e profundamente locais. A data de 20 de dezembro paira como um prazo simbólico que pode se tornar mais um capítulo n
Lula diz que Meloni pediu prazo de até um mês para fechar acordo Mercosul-UE
A esperança é a última que morre, mas o acordo pode não sobreviver até lá
Por que Lula ligou pessoalmente para Meloni? Isso não era algo que os negociadores já deveriam ter resolvido?
Porque o acordo estava prestes a morrer. Lula havia reorganizado todo o calendário do Mercosul para acomodar a UE, e de repente a Itália mudou de posição. Uma ligação presidencial é um sinal de que o assunto subiu para o nível mais alto.
Mas a gente não sabe exatamente o que Meloni disse. Temos apenas a versão de Lula sobre a conversa. Ela pediu "alguns dias até um mês" — isso é uma faixa enorme. Qual é a interpretação dela?
E por que os agricultores italianos têm tanto poder? Eles conseguem bloquear um acordo comercial internacional?
Na Europa, a agricultura é politicamente sensível. Os agricultores italianos temem concorrência do Mercosul, especialmente em produtos como carne e grãos. Meloni precisa deles para sua base política.
Verdade, mas a Comissão Europeia já melhorou as salvaguardas. Então por que Meloni ainda está com dificuldade? Ou ela realmente não quer o acordo e está usando os agricultores como desculpa?
E a ameaça de Lula — "o Brasil não fará mais acordo" — é credível?
Lula está frustrado porque fez concessões. O Mercosul aceitou termos mais favoráveis aos europeus. Agora, quando chega a hora de assinar, a UE não consegue se organizar. Para ele, é uma questão de dignidade.
Mas essa ameaça depende de quem controla o Mercosul daqui para frente. Se Lula não estiver mais presidente, outro líder pode fazer acordos diferentes. É uma ameaça com prazo de validade.
Macron está realmente bloqueando isso sozinho?
Macron e Meloni, mas de formas diferentes. Macron quer um "freio de emergência" — ele quer poder parar o acordo se necessário. Meloni quer tempo para convencer seus agricultores.
A questão é: a Comissão Europeia consegue contornar Macron e Meloni? Ou eles têm poder de veto? Isso não está claro na reportagem.
O Pulso
- A assinatura prevista para 20 de dezembro está em risco real após Meloni pedir entre uma semana e um mês de prazo por pressão dos agricultores italianos.
- Macron chegou ao Conselho Europeu exigindo um 'freio de emergência' e declarando que a França não está pronta para avançar, endurecendo o impasse.
- Lula, visivelmente frustrado, ameaçou que o Brasil não firmará mais nenhum acordo comercial enquanto ele for presidente caso o pacto não seja assinado agora.
- A Comissão Europeia, por voz de Ursula von der Leyen, insiste que este é o 'momento certo' e classifica o acordo como de importância 'crucial' — mas não controla os votos dos Estados-membros.
- O presidente brasileiro apela à paciência até sábado, lembrando que 'a esperança é a última que morre', enquanto carrega o pedido de Meloni aos demais líderes do Mercosul.
Em meio a décadas de negociações e promessas renovadas, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia chegou a uma encruzilhada delicada: Lula telefonou para Meloni em busca de um desbloqueio, mas encontrou não uma recusa, e sim o peso da política doméstica europeia sobre um pacto que, em tese, ninguém nega querer. A resistência francesa e o embaraço agrícola italiano revelam que os maiores obstáculos a acordos históricos raramente são técnicos — são humanos, eleitorais e profundamente locais. A data de 20 de dezembro paira como um prazo simbólico que pode se tornar mais um capítulo na longa saga de uma aliança adiada.
Na manhã desta quinta-feira, 18 de dezembro, Lula pegou o telefone e ligou para Georgia Meloni numa tentativa de salvar o acordo Mercosul-UE do colapso iminente. A conversa revelou uma Itália não contrária ao pacto em princípio, mas sufocada pela pressão dos agricultores domésticos. Meloni reconheceu o embaraço político e pediu entre uma semana e um mês para convencer sua base — um prazo que, na prática, inviabiliza a assinatura marcada para 20 de dezembro.
O calendário atual já havia sido reorganizado a pedido dos europeus. A reunião do Mercosul, originalmente prevista para 2 de dezembro, foi deslocada para o dia 20 porque Bruxelas garantiu que teria o texto aprovado até o dia 19. Lula deixou claro que, do lado sul-americano, não havia obstáculos — mesmo que os termos fossem mais vantajosos para a Europa. A surpresa italiana, que surgiu apenas dois dias antes, somou-se à resistência francesa já esperada.
Em Paris, Macron chegou ao Conselho Europeu exigindo um 'freio de emergência' e cláusulas de reciprocidade que ainda não foram incorporadas ao texto. A Comissão Europeia melhorou salvaguardas e o Parlamento aprimorou medidas, mas a França mantém sua oposição declarada. Ursula von der Leyen segue defendendo o acordo como de importância 'crucial' econômica, diplomática e geopolítica, mas não tem poder de impor a decisão aos Estados-membros.
A frustração de Lula transbordou em reunião ministerial na quarta-feira, quando ele elevou o tom e avisou que, se o acordo não for assinado agora, o Brasil não buscará mais nenhum pacto comercial enquanto ele estiver na presidência. Ainda assim, pediu paciência até sábado e prometeu levar o apelo de Meloni aos outros líderes do Mercosul — segurando, por ora, a última centelha de esperança de que décadas de negociação não terminem, mais uma vez, em gaveta.
Luiz Inácio Lula da Silva ligou para a primeira-ministra da Itália, Georgia Meloni, nesta quinta-feira, 18 de dezembro, para tentar desbloquear um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia que estava à beira do colapso. A conversa revelou um cenário mais complexo do que o esperado: Meloni não se opõe ao pacto em princípio, mas enfrenta pressão política doméstica dos agricultores italianos e pediu tempo para convencê-los. Segundo Lula, ela solicitou um prazo que varia de uma semana a um mês para que a Itália possa assinar o acordo.
O presidente brasileiro havia reorganizado o calendário da negociação especificamente para acomodar a União Europeia. A reunião do Mercosul, originalmente marcada para 2 de dezembro, foi adiada para 20 de dezembro porque Bruxelas garantiu que conseguiria aprovar o texto até o dia 19. Agora, com a Itália pedindo mais tempo e a França mantendo sua oposição frontal, aquela data se tornou improvável. Lula afirmou que os representantes europeus lhe haviam assegurado que tudo estaria pronto, e que do lado do Mercosul não havia obstáculos, mesmo que os termos fossem mais favoráveis aos europeus.
A posição francesa endureceu ainda mais. Emmanuel Macron, ao chegar ao Conselho Europeu, exigiu um "freio de emergência" para o pacto e declarou que não estão prontos para prosseguir. Embora a Comissão Europeia tenha melhorado as salvaguardas e o Parlamento tenha aprimorado as medidas, Macron insiste em cláusulas de reciprocidade e espelhamento que ainda não foram alcançadas. Lula já havia antecipado que a França seria um obstáculo, mas foi surpreendido pela mudança de posição italiana há dois dias.
A frustração do presidente brasileiro ficou evidente em suas declarações. Durante uma reunião ministerial na quarta-feira, ele subiu o tom e ameaçou que, se o acordo não for assinado agora, "o Brasil não fará mais acordo" enquanto ele for presidente. Ele enfatizou que os europeus não perdem nada com esse pacto e que levará o apelo de Meloni aos outros chefes de Estado do Mercosul. Ainda assim, reconheceu que não há muito a fazer se o texto não estiver pronto para assinatura, mas pediu paciência até o sábado porque "a esperança é a última que morre".
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, continua considerando o acordo de "crucial importância econômica, diplomática e geopolítica", e acredita que chegou o "momento certo" para concluí-lo. Essa posição contrasta com a resistência de dois membros-chave da União: a Itália, que enfrenta pressão agrícola interna, e a França, que mantém sua oposição declarada. O impasse revela as tensões internas da Europa em torno de um pacto que deveria ter sido assinado esta semana, mas agora corre o risco de ser adiado indefinidamente.
Citações Notáveis
Ela não é contra o acordo, ela apenas está vivendo um certo embaraço político por conta dos agricultores italianos, mas que ela tem certeza que ela é capaz de convencê-los a aceitarem o acordo— Lula, descrevendo a posição de Meloni
Se o acordo não for assinado agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto ele for presidente— Lula