Em um país onde o endividamento das famílias se tornou questão de campanha, o presidente Lula sinalizou que o governo negocia com o Banco Central a proibição de cartões de crédito adicionais — uma intervenção que vai além das regras regulatórias já existentes. A declaração, feita ao Flow Podcast na véspera do primeiro turno, revela uma tensão estrutural entre a expansão do crédito e a capacidade das famílias de sustentá-lo. O gesto aponta para um governo disposto a apertar as rédeas do mercado financeiro, ainda que o caminho entre a intenção declarada e a norma concreta permaneça incerto.
Lula diz que governo discute com BC proibição de cartão de crédito extra
não é possível permitir que a sociedade se endivide de forma irresponsável
O presidente está falando em proibir cartões adicionais. Mas o Banco Central já não tem regras sobre isso?
Tem, mas são diferentes. Hoje o BC exige autorização para enviar um cartão novo ou aumentar limite. O que Lula está propondo é mais radical: simplesmente não permitir que você tenha um segundo cartão.
Espera. Ele disse que o governo "discute" isso com o BC. Isso é uma proposta formal ou é uma ideia que está sendo conversada?
Pela entrevista, parece ser uma conversa em andamento, não uma decisão já tomada. Lula disse que Galípolo "sabe" que precisam moralizar o crédito.
Por que isso importa agora? O que mudou?
O endividamento virou tema de campanha. As famílias estão muito endividadas em cartão de crédito e crédito pessoal. O governo lançou o Desenrola para renegociar 150 bilhões em dívidas.
Mas 150 bilhões é quanto do endividamento total? A gente não sabe se essa é a maioria ou uma fração.
Boa pergunta. A reportagem não diz. Sabemos que é uma quantia grande, mas não temos contexto de quanto as famílias brasileiras devem no total.
E se proibirem cartões adicionais, as pessoas não vão procurar outras formas de crédito?
Provavelmente. Mas a ideia parece ser reduzir o acesso fácil e irresponsável ao crédito rotativo do cartão, que tem juros muito altos.
A reportagem menciona que Lula critica a taxa Selic mesmo com Galípolo no comando. Isso não sugere que pode haver tensão entre eles sobre essa proposta?
Sim. Galípolo foi indicado por Lula, mas o presidente continua pressionando por juros mais baixos. Se o BC rejeitar essa proibição, fica claro que há limites para a influência presidencial.
Il Polso
- O endividamento das famílias brasileiras chegou ao centro da disputa eleitoral, pressionando o governo a apresentar respostas concretas antes do primeiro turno.
- Lula anunciou ao vivo, em podcast, uma medida ainda em negociação com o BC — criando expectativa pública sobre uma política que ainda não existe formalmente.
- O Banco Central já proíbe o envio de cartões sem autorização e exige aprovação para aumento de limites desde 2024, mas não limita a quantidade de cartões por pessoa.
- O governo lançou nova fase do Desenrola com R$ 15 bilhões para renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas, sinalizando uma ofensiva mais ampla sobre o crédito.
- A proposta de restrição a cartões adicionais ainda depende de avanço nas conversas com o BC — e as próximas semanas definirão se vira política ou fica como promessa de campanha.
Em um país onde o endividamento das famílias se tornou questão de campanha, o presidente Lula sinalizou que o governo negocia com o Banco Central a proibição de cartões de crédito adicionais — uma intervenção que vai além das regras regulatórias já existentes. A declaração, feita ao Flow Podcast na véspera do primeiro turno, revela uma tensão estrutural entre a expansão do crédito e a capacidade das famílias de sustentá-lo. O gesto aponta para um governo disposto a apertar as rédeas do mercado financeiro, ainda que o caminho entre a intenção declarada e a norma concreta permaneça incerto.
O presidente Lula anunciou, em entrevista ao Flow Podcast na quinta-feira, que seu governo discute com o Banco Central a proibição de oferecer cartões de crédito adicionais aos clientes. A medida foi apresentada como parte de um esforço para "moralizar" o crédito no Brasil, diante do crescente endividamento das famílias — tema que ganhou peso central na reta final da campanha eleitoral.
Segundo Lula, Gabriel Galípolo, presidente do BC por ele indicado, compartilha dessa visão. O Banco Central já possui regras que proíbem o envio de cartões sem solicitação e exigem autorização prévia do cliente para qualquer aumento de limite — normas em vigor desde julho de 2024. O que ainda não existe é um limite sobre quantos cartões uma mesma pessoa pode ter.
A proposta se insere em uma estratégia mais ampla: pouco antes do primeiro turno, o governo lançou nova fase do programa Desenrola, com até R$ 15 bilhões destinados à aquisição de carteiras de dívidas em atraso, com o objetivo de renegociar R$ 150 bilhões em débitos de modalidades como cartão rotativo e crédito pessoal.
Lula também anunciou reajuste de 15,04% no Bolsa Família, elevando o repasse mínimo de R$ 600 para R$ 691 por família. Questionado sobre o timing eleitoral da medida, o presidente afirmou que o aumento foi concedido porque havia espaço fiscal disponível.
Se a proibição de cartões adicionais avançar, representaria uma intervenção mais direta do Estado no mercado de crédito do que qualquer norma atualmente em vigor. Por ora, a proposta permanece como intenção declarada — e o resultado das negociações com o BC nas próximas semanas dirá se ela se transforma em política concreta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quinta-feira que seu governo está em conversas com o Banco Central sobre uma medida que poderia transformar o acesso ao crédito no país: a proibição de oferecer cartões de crédito adicionais aos clientes. A declaração foi feita durante uma entrevista ao Flow Podcast, transmitida no mesmo momento em que deveria ocorrer um debate presidencial na TV Globo que foi cancelado.
A proposta emerge em um contexto onde o endividamento das famílias brasileiras se tornou um tema central da campanha eleitoral. Lula enquadrou a medida como necessária para o que chamou de "moralizar" a questão do crédito no país, argumentando que não é aceitável permitir que a sociedade se endivide de forma irresponsável. Segundo o presidente, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central indicado por ele, está alinhado com essa visão.
O Banco Central já possui um conjunto de regras sobre o tema, embora não estabeleça atualmente um limite específico sobre quantos cartões cada pessoa pode ter. As instituições financeiras são proibidas de enviar ou habilitar cartões de crédito sem solicitação ou autorização expressa do titular. Desde julho de 2024, qualquer aumento de limite também exige aprovação prévia do cliente, comunicada a cada novo evento de elevação.
A discussão sobre cartões adicionais integra uma estratégia mais ampla do governo para lidar com o crescente endividamento. Pouco antes do primeiro turno das eleições, o governo lançou uma nova fase do programa Desenrola, destinando até 15 bilhões de reais para adquirir carteiras de dívidas de pessoas que estão atrasadas há dois a quatro anos e meio em modalidades como cartão de crédito parcelado, cartão rotativo e crédito pessoal. O objetivo é renegociar um total de 150 bilhões de reais em dívidas.
Durante seu mandato, Lula manteve críticas consistentes às taxas de juros, mesmo sob a gestão de Galípolo. A taxa Selic continua sendo alvo frequente de reclamações de aliados petistas, que cobram sua redução. Essa pressão sobre a política monetária reflete uma tensão mais ampla entre o governo e o banco central sobre como equilibrar o controle da inflação com o acesso ao crédito.
Outra medida econômica anunciada por Lula na reta final da campanha foi um reajuste no Bolsa Família. O benefício aumentou 15,04%, elevando o repasse mínimo de 600 para 691 reais por família. Quando questionado se a ação tinha caráter eleitoreiro, o presidente respondeu que concedeu o aumento porque havia espaço fiscal disponível e o orçamento permitia a despesa.
A proposta de proibição de cartões adicionais representa uma abordagem mais restritiva ao crédito do que as medidas regulatórias já em vigor. Se implementada, seria um sinal de que o governo está disposto a intervir de forma mais direta no mercado de crédito para conter o endividamento, mesmo que isso signifique limitar opções disponíveis aos consumidores. As próximas semanas dirão se essa discussão com o Banco Central avança para uma proposta concreta ou permanece como uma intenção declarada.
Citazioni salienti
O meu pessoal da economia sabe, o Galípolo sabe que nós vamos ter que moralizar um pouco essa questão de crédito— Presidente Lula, em entrevista ao Flow Podcast