Num dia de março de 2021, Lula voltou a ocupar o centro da conversa nacional ao dizer, em entrevista ao Le Monde, que não vê obstáculo em disputar a Presidência em 2022. Mas a fala carrega uma ressalva que diz muito sobre o momento: para ele, o que importa de fato é impedir que Bolsonaro seja reeleito. A candidatura, portanto, aparece como um instrumento e não como um fim, condicionada à saúde de um homem que já soma 75 anos e ao acordo de forças políticas que nem sempre caminham juntas. Vista de longe, a cena lembra que a política brasileira costuma se decidir tanto pela aritmética das alianç
Lula diz não ver problema em ser candidato em 2022 e afirma que prioridade é impedir reeleição de Bolsonaro
Uma candidatura condicionada, não confirmada
Lula confirmou que será candidato em 2022?
Não. Disse que ainda não sabe. Afirmou que não vê problema em concorrer, mas colocou condições: estar em plena forma aos 77 anos e haver consenso entre os partidos progressistas.
Então a manchete "pode ser candidato" é uma leitura dele mesmo, não um anúncio. Nada ali é compromisso firme.
E qual é o objetivo central que ele declara?
Impedir a reeleição de Bolsonaro. Ele disse que o mais importante é não deixar Bolsonaro governar mais o país, e que poderia até apoiar outra pessoa bem posicionada.
Como entra a decisão do ministro Fachin?
Fachin anulou as condenações da Lava Jato. Lula disse que veio com cinco anos de atraso e chamou Moro e os procuradores de "gângsters".
Vale separar: "gângsters" é a opinião de Lula, não um fato apurado nesta reportagem. O texto só registra a fala.
Ele falou de vacinas também?
Sim, na CNN, dois dias antes. Pediu a Biden um G-20 urgente e sugeriu doar vacinas excedentes a países pobres.
Ele afirma que os EUA têm vacinas sobrando, mas o texto não traz dados que confirmem isso. É uma afirmação dele.
Der Puls
- A anulação das condenações da Lava Jato pelo ministro Fachin reabriu uma disputa que parecia encerrada e colocou Lula de volta no tabuleiro.
- Lula chamou Moro e os procuradores de 'gângsters', elevando a temperatura de um embate que atravessa o país há anos.
- Ao condicionar sua candidatura à saúde e ao consenso da esquerda, ele mantém a porta aberta sem se comprometer publicamente.
- Enquanto isso, o foco declarado é tirar Bolsonaro do poder, e o caminho para 2022 ainda depende de negociações que não têm data para terminar.
Num dia de março de 2021, Lula voltou a ocupar o centro da conversa nacional ao dizer, em entrevista ao Le Monde, que não vê obstáculo em disputar a Presidência em 2022. Mas a fala carrega uma ressalva que diz muito sobre o momento: para ele, o que importa de fato é impedir que Bolsonaro seja reeleito. A candidatura, portanto, aparece como um instrumento e não como um fim, condicionada à saúde de um homem que já soma 75 anos e ao acordo de forças políticas que nem sempre caminham juntas. Vista de longe, a cena lembra que a política brasileira costuma se decidir tanto pela aritmética das alianças quanto pela disposição dos próprios personagens.
Em 19 de março de 2021, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou às manchetes internacionais. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, disse não ver problema em disputar o Palácio do Planalto em 2022, mas deixou claro que seu objetivo principal é impedir a reeleição de Jair Bolsonaro.
Ao ser questionado sobre a candidatura, Lula respondeu que ainda não sabe. Tem 75 anos e condicionou uma eventual disputa a dois fatores: estar em plena forma física e contar com consenso entre os partidos progressistas. Também disse que poderia apoiar outro nome bem posicionado. "O mais importante é não deixar Jair Bolsonaro governar mais este país", afirmou.
A entrevista tratou ainda da decisão do ministro Edson Fachin, do STF, que anulou as condenações de Lula ligadas à Operação Lava Jato. Ele disse que a decisão veio com cinco anos de atraso, mas que a verdade foi exposta, e chamou Sérgio Moro e os procuradores de "gângsters", acusando-os de enganar 210 milhões de brasileiros.
Bolsonaro foi o outro alvo. Lula criticou a condução da pandemia, classificou o presidente como genocida e lamentou ver pessoas morrendo nos portões dos hospitais. Por fim, pediu ao presidente americano Joe Biden uma reunião urgente do G-20 para que vacinas excedentes dos Estados Unidos fossem doadas ao Brasil e a países mais pobres.
Na sexta-feira, 19 de março de 2021, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou às páginas da imprensa internacional. Em entrevista ao jornal francês Le Monde, disse que "não vê problema" em disputar de novo o Palácio do Planalto em 2022. Ressalvou, porém, que o principal objetivo da eleição, para ele, é impedir a reeleição de Jair Bolsonaro.
Perguntado se será candidato, Lula respondeu que ainda não sabe. Lembrou que tem 75 anos e que terá 77 na época do pleito, e condicionou a candidatura a dois fatores: estar em plena forma física e haver consenso entre os partidos progressistas em torno do seu nome. Acrescentou que já foi candidato, foi presidente e cumpriu dois mandatos, e que também poderia apoiar alguém bem posicionado. "O mais importante é não deixar Jair Bolsonaro governar mais este país", afirmou.
A entrevista também tratou da decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que anulou as condenações de Lula em casos ligados à Operação Lava Jato. O petista disse que a decisão veio com cinco anos de atraso, mas que a verdade foi exposta. Chamou o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa de "gângsters" e afirmou que, por anos, 210 milhões de brasileiros foram enganados e forçados a acreditar nas mentiras dos promotores e do juiz. Segundo ele, ver a verdade diante do público era tudo o que queria.
Bolsonaro foi o outro alvo das críticas. Lula condenou as decisões do Executivo durante a pandemia, disse que o Brasil "merece coisa melhor" e classificou o presidente como genocida. Afirmou ter começado na política nos anos 1970 e nunca ter visto seu povo sofrer como agora, com pessoas morrendo nos portões de hospitais e a fome de volta. Segundo ele, o país tem um presidente que prefere comprar armas de fogo a livros e vacinas.
As falas à imprensa estrangeira seguem a mesma linha desde a decisão de Fachin. Na quarta-feira, 17, Lula havia dito à CNN americana que poderia concorrer em 2022. Afirmou que, se o PT e os aliados entenderem que ele pode ser o candidato, e se estiver com a saúde e a energia de hoje, não negará a convocação, embora não quisesse falar sobre o assunto.
Nessa entrevista, Lula assumiu postura de protagonista na política nacional e dirigiu um pedido ao presidente americano, Joe Biden. Sugeriu que convocasse com urgência uma reunião do G-20. Disse saber que os Estados Unidos têm vacinas em excesso, que nem todas serão usadas, e que elas poderiam ser doadas ao Brasil ou a países ainda mais pobres, sem condições de pagar.
O que se tem até aqui é uma candidatura condicionada, não confirmada. A definição depende da saúde de Lula e de um consenso entre as forças de esquerda, enquanto o objetivo declarado é derrotar Bolsonaro nas urnas em 2022.
Bemerkenswerte Zitate
O mais importante é não deixar Jair Bolsonaro governar mais este país.— Lula, ao Le Monde
Se eu ainda estiver em plena forma e houver consenso entre os partidos progressistas, não verei nenhum problema em ser candidato.— Lula, ao Le Monde (citação adaptada)