Lula defende moeda comum do BRICS e critica mentalidade de Guerra Fria

Sabemos bem onde esse caminho pode nos levar
Lula advertindo sobre os riscos de um retorno à mentalidade de Guerra Fria e competição geopolítica.
Mark

Quando Lula fala em criar uma moeda do BRICS, ele está realmente propondo algo viável, ou é mais um gesto simbólico?

Mimi

A proposta é concreta — ele menciona especificamente o Novo Banco de Desenvolvimento como instrumento. Mas é verdade que a viabilidade depende de consenso entre cinco países com economias muito diferentes. O que importa aqui é que ele está nomeando a vulnerabilidade que o Brasil sente em depender do dólar.

Luke

Certo, mas precisamos ser precisos: ele não detalha como essa moeda funcionaria, nem se há acordo entre os membros do BRICS sobre isso. Ele está defendendo a ideia, não apresentando um plano.

Mark

E quanto à crítica à Guerra Fria? Ele está dizendo que o mundo está voltando a um confronto bipolar?

Mimi

Exatamente. Ele vê a guerra na Ucrânia como sintoma de um retorno a padrões de competição geopolítica que pensávamos superados. Para ele, isso é perigoso não só para a paz, mas para o próprio multilateralismo.

Luke

Mas ele não nomeia quem está causando esse retorno. Ele critica a "mentalidade", mas não diz se responsabiliza a Rússia, os EUA, ou ambos. É uma crítica que quer agradar a todos.

Mark

Ele menciona que alguns conflitos são patrocinados pelos Estados Unidos. Isso não é uma tomada de posição?

Mimi

É uma crítica implícita, sim. Mas note que ele também diz que o Brasil reconhece as limitações do Conselho de Segurança — o que é uma forma de dizer que a ONU não consegue conter esses conflitos.

Luke

Verdade. E ele se posiciona como mediador, não como aliado de ninguém. Mas a questão que fica é: o Brasil tem poder real para mediar, ou está apenas tentando manter espaço diplomático?

Mark

Os números que ele cita — 41% da população, 31% do PIB — sugerem que o BRICS tem peso.

Mimi

Tem, mas peso econômico não é a mesma coisa que poder político para resolver conflitos. O BRICS não tem assento permanente no Conselho de Segurança, por exemplo.

Luke

E os 735 milhões de pessoas com fome — de onde vem esse número? É da FAO, segundo o texto, mas não sabemos se é um número que o Brasil está usando para pressionar por mudanças ou se é apenas retórica.

Mark

Parece retórica, não é?

Mimi

Pode ser ambos. É retórica, mas retórica que aponta para uma contradição real: o mundo gasta trilhões em armas enquanto pessoas morrem de fome. Lula está nomeando essa contradição.

  • A proposta de uma moeda comum do BRICS acende um debate urgente sobre a hegemonia do dólar e a autonomia financeira do Sul Global.
  • Lula denuncia que a mentalidade de confrontação geopolítica está corroendo as instituições multilaterais construídas após décadas de esforço diplomático.
  • A guerra na Ucrânia paira sobre o discurso como símbolo das limitações do Conselho de Segurança da ONU e da fragilidade da ordem internacional.
  • O Brasil se oferece como mediador — não como potência, mas como voz disposta a nomear contradições: 2 trilhões em armas enquanto 735 milhões passam fome.
  • O BRICS, com 41% da população e 31% do PIB global, é convocado por Lula a assumir uma responsabilidade proporcional ao seu peso no mundo.

Na cúpula do BRICS em agosto de 2023, o presidente Lula convocou o bloco a imaginar um mundo financeiro menos dependente do dólar, propondo uma moeda comum para transações entre os cinco países. Mais do que uma medida técnica, o gesto carregava uma filosofia: a de que nações que representam quase metade da humanidade deveriam ter instrumentos próprios para navegar um mundo cada vez mais fraturado. Ao mesmo tempo, Lula alertou que o retorno à lógica da Guerra Fria e o crescimento dos gastos militares — enquanto centenas de milhões passam fome — revelam uma desordem moral que o multilateralismo ainda não conseguiu conter.

Na manhã de quarta-feira, durante a Cúpula do BRICS, Lula subiu ao palco para defender uma ideia que vinha repetindo há meses: a criação de uma moeda comum entre os membros do bloco para transações comerciais e de investimento, reduzindo a dependência do dólar. Confiante no papel do Novo Banco de Desenvolvimento sob a liderança de Dilma Rousseff, ele argumentou que a medida ampliaria opções e reduziria vulnerabilidades dos países membros.

Mas o discurso foi além da economia. Lula criticou duramente o que chamou de "mentalidade obsoleta da Guerra Fria", alertando que o mundo havia retrocedido a velhos padrões de confrontação. Com o BRICS representando 41% da população mundial e 31% do PIB global, ele defendeu que o bloco carrega uma responsabilidade proporcional — e que a erosão do multilateralismo representa um risco inaceitável para a humanidade.

A guerra na Ucrânia serviu de pano de fundo para uma reflexão mais ampla. Lula reconheceu as limitações do Conselho de Segurança da ONU e posicionou o Brasil não como parte, mas como mediador disposto a contribuir para um cessar-fogo rápido e uma paz duradoura. Ao mesmo tempo, apontou que outros conflitos — envolvendo haitianos, sírios, líbios, sudaneses e palestinos — seguem ignorados pelo mundo.

O discurso culminou em uma contradição que Lula quis tornar visível: enquanto o planeta gastava mais de 2 trilhões de dólares em armamentos em um único ano, 735 milhões de pessoas passavam fome diariamente. O Brasil se apresentava assim não como antagonista das potências estabelecidas, mas como uma voz que se recusa a aceitar essa lógica em silêncio.

Na manhã de quarta-feira, durante a Cúpula do BRICS, o presidente Lula subiu ao palco para defender uma ideia que vinha repetindo há meses: os cinco países do bloco deveriam criar uma moeda própria para suas transações comerciais e de investimento, reduzindo assim a dependência do dólar americano. "A criação de uma moeda para as transações comerciais e de investimentos entre os membros do BRICS aumenta nossas opções e reduz nossas vulnerabilidades", disse ele, confiante de que o Novo Banco de Desenvolvimento, sob a liderança de Dilma Rousseff, estaria à altura do desafio.

Mas o discurso não se limitou a questões econômicas. Lula aproveitou a tribuna para fazer uma crítica contundente ao que chamou de "mentalidade obsoleta da Guerra Fria e da competição geopolítica". O tom era grave. Ele apontou que o BRICS representa 41% da população mundial e responde por 31% do PIB global em paridade de poder de compra — números que, em sua visão, deveriam conferir ao bloco uma responsabilidade ainda maior. Mas, segundo ele, o mundo havia retrocedido. Poucos anos atrás, havia esperança em uma multipolaridade benigna. Agora, voltávamos a velhos padrões de confrontação. "Essa é uma insensatez que gera grandes incertezas e corrói o multilateralismo. Sabemos bem onde esse caminho pode nos levar", advertiu, deixando implícita a referência aos riscos de escalada de conflitos.

A guerra na Ucrânia foi o pano de fundo dessa reflexão. Lula reconheceu que o conflito evidencia as limitações do Conselho de Segurança da ONU e que seus efeitos globais não podem ser ignorados. O Brasil, disse ele, mantém uma posição histórica de defesa da soberania e da integridade territorial, alinhada aos princípios das Nações Unidas. Mas não estava propondo soluções unilaterais. Em vez disso, posicionava o país como mediador disposto a se juntar a esforços que pudessem levar a um cessar-fogo rápido e a uma paz justa e duradoura. Reconhecia as dificuldades do caminho, mas também afirmava que o Brasil não poderia ficar indiferente às mortes e à destruição que aumentavam a cada dia.

Lula ampliou então o escopo de sua crítica. Apontou que muitos outros conflitos — alguns deles patrocinados pelos Estados Unidos, como deixou implícito — não recebiam a atenção devida, apesar de causarem vasto sofrimento. Mencionou nominalmente haitianos, sírios, líbios, sudaneses e palestinos, todos merecendo viver em paz. E então trouxe à tona uma contradição que o incomodava profundamente: enquanto o mundo gastava mais de 2 trilhões de dólares em armamentos em um único ano, 735 milhões de pessoas passavam fome diariamente, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

O discurso, assim, entrelaçava duas estratégias. De um lado, a proposta econômica concreta: uma moeda do BRICS como ferramenta de autonomia financeira. Do outro, uma crítica mais ampla ao sistema internacional que, na visão de Lula, havia abandonado o multilateralismo em favor de velhas lógicas de poder. O Brasil se posicionava não como antagonista, mas como voz pela razão — um país disposto a dialogar com todas as partes, mas também disposto a nomear as contradições que vê no mundo.

A criação de uma moeda para as transações comerciais e de investimentos entre os membros do BRICS aumenta nossas opções e reduz nossas vulnerabilidades
— Presidente Lula, na Cúpula do BRICS
Essa é uma insensatez que gera grandes incertezas e corrói o multilateralismo
— Lula, referindo-se ao retorno à mentalidade de Guerra Fria
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