Lula critica 'promiscuidade' no STF e promete reforma do Judiciário no segundo turno

Ninguém está acima da lei, nem os ministros do Supremo
Lula defendeu reforma no processo de escolha de ministros do STF durante reunião com aliados políticos.
Mark

Por que Lula acha que a crise no Supremo prejudicou tanto a campanha dele no primeiro turno?

Mimi

Seus aliados acreditam que a proximidade dele com ministros do STF, justamente quando a Corte estava em conflito aberto, criou uma associação ruim. Fez parecer que ele era parte do sistema que estava em crise, não alguém de fora criticando-o.

Luke

Mas isso é especulação dos aliados, certo? Não temos dados de pesquisa que mostrem quanto a crise do STF realmente custou votos para Lula.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que Lula ficou atrás no primeiro turno e seus assessores acreditam que isso foi um fator. Agora ele está tentando se distanciar publicamente da Corte.

Mark

E essa reforma que ele propõe — mudar como os ministros são escolhidos — é algo que ele pode realmente fazer se vencer?

Luke

Seria uma emenda constitucional. Precisa de três quintos do Congresso. Lula tem aliados, mas não está claro se conseguiria essa maioria. É uma promessa de campanha, não uma certeza.

Mimi

Exato. Mas o ponto agora é sinalizar que ele leva a crise do Supremo a sério e que não vai simplesmente ignorá-la se for reeleito.

Mark

E quanto aos 30 milhões que não votaram? Como ele planeja alcançá-los em 20 dias?

Mimi

Com mais presença — mais entrevistas, mais eventos, mais conversas diretas. E agora está disposto a fazer debates, o que não fez antes.

Luke

Mas não sabemos se esses 30 milhões estão realmente em jogo ou se muitos deles simplesmente não vão votar de novo. Lula está assumindo que pode convencê-los, mas é uma aposta.

Mark

Ele pediu aos apoiadores para não brigarem com eleitores. Por quê?

Mimi

Porque em campanhas polarizadas, os apoiadores às vezes afastam indecisos com agressividade. Ele quer que a campanha seja sobre convencimento, não confronto.

  • Flávio Bolsonaro superou Lula no primeiro turno com 56,1 milhões de votos contra 53,8 milhões, invertendo expectativas e colocando o presidente em posição de recuperação.
  • A crise no STF — com ministros se investigando mutuamente e decisões sendo revertidas em horas — criou uma imagem de caos institucional que aliados de Lula acreditam ter contaminado sua campanha.
  • A proximidade pública de Lula com integrantes do Supremo durante o primeiro turno o marcou como 'candidato do sistema', uma associação que seus assessores agora tentam desfazer às pressas.
  • O presidente anunciou reforma no Judiciário e questionou abertamente se a escolha de ministros do STF serve a interesses pessoais, pressão do Congresso ou poder econômico.
  • Para o segundo turno, Lula sinaliza mudança de postura: mais entrevistas, mais eventos, participação em debates televisivos e apelo direto aos 30 milhões que não votaram na primeira volta.

Após sair em desvantagem no primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, Lula reuniu aliados na segunda-feira para reorientar sua campanha — e escolheu começar não pelos números, mas por uma ferida institucional: a crise aberta dentro do Supremo Tribunal Federal. O presidente, que evitou críticas mais duras à Corte durante a primeira volta, passou a responsabilizá-la publicamente por tê-lo associado à imagem de candidato do sistema, e anunciou proposta de reforma profunda no Judiciário. No horizonte de 25 de outubro, Lula busca reconquistar 30 milhões de eleitores ausentes — e, para isso, parece disposto a mudar tanto o tom quanto a estratégia.

Lula saiu do primeiro turno em desvantagem — superado por Flávio Bolsonaro por uma margem de cerca de 2,3 milhões de votos — e convocou aliados na segunda-feira para discutir o caminho até 25 de outubro. Mas antes de qualquer tática eleitoral, o presidente decidiu enfrentar o que seus interlocutores identificam como um dos principais pesos sobre sua campanha: a crise que tomou conta do Supremo Tribunal Federal.

A crise eclodiu quando o ministro André Mendonça revelou mensagens que mencionavam o ministro Alexandre de Moraes, desencadeando uma sequência de investigações cruzadas, decisões revertidas em horas e conflitos abertos entre integrantes da Corte. O presidente do STF, Edson Fachin, chegou a suspender decisões de dois colegas e retirar de Moraes a relatoria de um inquérito sensível. O resultado foi uma instituição em guerra consigo mesma.

Os aliados de Lula acreditam que sua proximidade com o Supremo durante o primeiro turno — e a relutância em criticá-lo publicamente — o associou à imagem de candidato do sistema, uma marca que prejudica qualquer postulante em tempos de desconfiança institucional. Agora, com o segundo turno à frente, o presidente mudou de tom.

Na reunião de segunda-feira, Lula afirmou ser o único candidato verdadeiramente antisistema na disputa e disse estar 'carregando nas costas' o que chamou de 'promiscuidade' instalada no Supremo. Anunciou também uma proposta de reforma profunda no Judiciário, questionando se o atual processo de escolha de ministros serve a interesses pessoais, à pressão do Congresso ou ao poder econômico — e concluindo que nenhuma dessas respostas é aceitável. Defendeu que a sociedade participe da definição dos critérios e discuta a possibilidade de mandatos limitados para os ministros.

Na frente eleitoral, Lula sinalizou uma campanha mais intensa e direta: mais entrevistas, mais eventos, mais contato com apoiadores — e disposição para participar de debates televisivos, algo que evitou no primeiro turno. 'Agora é tête-à-tête, é um contra um', disse. Pediu aos aliados que não briguem com eleitores indecisos e lembrou que 30 milhões de pessoas ficaram de fora da primeira volta: convencê-las, afirmou, é tarefa da campanha.

Lula saiu da primeira volta das eleições presidenciais em desvantagem — Flávio Bolsonaro o superou com 56,1 milhões de votos contra seus 53,8 milhões — e nesta segunda-feira reuniu aliados políticos para traçar a estratégia do segundo turno. Mas antes de falar em números e tática, o presidente endereçou algo que seus assessores acreditam ter pesado contra ele: a crise que tomou conta do Supremo Tribunal Federal nos últimos meses.

A crise começou quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro dono do Banco Master, que mencionavam o ministro Alexandre de Moraes. Moraes respondeu pedindo investigação contra Mendonça por improbidade e abuso de autoridade. Mendonça confirmou ter recebido Vorcaro no início de 2025, mas negou que tivessem discutido o banco. O conflito escalou quando Mendonça afastou dois servidores da PF acusados de produzir relatórios ilícitos a pedido de Moraes. Flávio Dino os reintegrou horas depois. O presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu ambas as decisões e retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news. O que emergiu foi uma instituição em conflito aberto consigo mesma, com ministros se investigando mutuamente e a autoridade da Corte em questão.

Os aliados de Lula enxergam essa crise como um problema para a campanha dele. A proximidade do presidente com integrantes do Supremo — e a incapacidade de se distanciar publicamente deles durante o primeiro turno — criou uma associação que prejudicou sua imagem. Alguns de seus interlocutores acreditam que isso contribuiu para que Lula fosse caracterizado como candidato do sistema, uma pecha que prejudica qualquer candidato em um momento de desconfiança institucional. Durante a primeira volta, o presidente foi aconselhado a ser mais duro nas críticas aos ministros, mas não o fez com a ênfase que seus aliados julgavam necessária. Agora, com o segundo turno à frente, a expectativa é que ele mude de tom.

Na reunião de segunda-feira, Lula foi mais incisivo. Afirmou ser o único candidato verdadeiramente antisistema na disputa e disse estar "carregando nas costas" o que chamou de "promiscuidade" estabelecida no Supremo após as denúncias. Mas não parou em crítica. O presidente anunciou que pretende fazer uma reforma profunda no Judiciário, começando pela forma como os ministros do STF são escolhidos. Hoje, o presidente da República indica os nomes, que precisam ser aprovados pelo Senado. Lula questionou se esse processo serve aos interesses pessoais do presidente, à pressão do Congresso Nacional ou ao poder econômico — e respondeu que nenhuma dessas opções é aceitável. Ele propôs que a sociedade participe da discussão sobre quais critérios devem guiar a escolha de um ministro e se esses ministros devem ter mandatos limitados. "A verdade é que ninguém está acima da lei nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei", disse.

O presidente também abordou segurança pública, defendendo a aprovação ainda este ano de uma proposta de emenda à Constituição que já passou pela Câmara e daria ao governo federal maior poder sobre o tema. Lula argumentou que os estados não conseguem lidar sozinhos com a criminalidade, que cresceu e se transformou em operações que funcionam como multinacionais.

Quanto à campanha em si, Lula sinalizou mudança de estratégia. Disse que pretende dar mais entrevistas a rádios, tirar fotos com apoiadores, conversar mais e fazer mais eventos. Também indicou disposição de participar de debates televisivos — algo que não fez no primeiro turno. "Agora sim é importante ter debate na TV. Porque agora é tête-à-tête, é um contra um", afirmou. Mas pediu aos seus apoiadores que não briguem com eleitores. Lembrou que 30 milhões de pessoas não votaram na primeira volta e que a responsabilidade de convencê-las é da campanha, não delas. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.

Estou carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessas denúncias
— Lula, em reunião com aliados políticos
Precisamos definir concretamente como é que a gente vai escolher um ministro da Suprema Corte. É de interesse pessoal do presidente? É de pressão do Congresso? É de interesse do poder econômico?
— Lula, propondo reforma no processo de seleção de ministros
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