Lula critica 'promiscuidade' do STF após ficar atrás de Flávio no primeiro turno

Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte
Lula defende reforma nos critérios de indicação de ministros do STF durante campanha para o segundo turno.
Mark

Por que Lula escolhe falar sobre o STF justamente agora, depois de perder o primeiro turno?

Mimi

Porque a derrota é real e o PL saiu muito fortalecido no Congresso. Flávio venceu, e a direita tem 19 senadores novos. O impeachment de ministros do Supremo é a pauta deles. Lula está tentando reposicionar a narrativa: não é sobre ele ter perdido, é sobre o país estar doente.

Luke

Mas ele está acusando o Supremo de "promiscuidade" enquanto ele próprio indicou Zanin e Dino. Como ele justifica isso?

Mimi

Ele diz que a crise começou com as denúncias contra Moraes e Mendonça em setembro. Ele está tentando separar suas indicações dessa guerra interna que explodiu depois.

Mark

E a reforma que ele propõe? Isso é viável em um segundo turno?

Mimi

Ele está plantando a ideia agora para depois. Quer discutir critérios, mandatos, o papel da sociedade. É uma agenda de longo prazo que ele espera levar para um eventual terceiro mandato.

Luke

Espera — ele indicou Jorge Messias e o Senado rejeitou. Então ele já experimentou resistência a suas indicações. Isso não enfraquece o argumento dele sobre "promiscuidade"?

Mimi

Sim, é uma contradição. Mas Lula está argumentando que o problema não é indicar ministros — é como e por quê. Ele quer mudar as regras do jogo, não sair dele.

Mark

E quanto à crise real no Supremo? Mendonça revelando mensagens, Moraes respondendo com inteligência da PF? Isso é grave?

Mimi

Muito. A sessão de 15 de setembro terminou em bate-bocas sem resolver nada. O tribunal está rachado. Lula está certo em dizer que há uma crise, mesmo que suas mãos não estejam limpas nela.

Luke

Mas ele está usando a crise para fins eleitorais. Isso não é também uma forma de "promiscuidade"?

Mimi

É uma acusação justa. Lula está aproveitando a crise para falar de reforma, sim. Mas a crise existe independentemente de suas intenções.

  • Lula fica atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno; segundo turno marcado para 25 de outubro
  • PL elege 19 senadores e 121 deputados federais
  • Crise no STF escalou em 1º de setembro com revelação de mensagens entre Vorcaro e Moraes
  • Lula indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino ao STF; Jorge Messias foi rejeitado pelo Senado

Lula acusa STF de promiscuidade e defende mudanças nos critérios de indicação de ministros da Corte. Petista fica atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno; PL elege 19 senadores e 121 deputados federais.

Lula afirma carregar 'promiscuidade da Suprema Corte' após ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e defende reforma na escolha de ministros do STF para o segundo turno em 25 de outubro.

Na segunda-feira, 5 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu de uma reunião com sua coordenação de campanha carregando uma acusação pesada. Ele havia ficado atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais, e a frustração transbordava em suas palavras: o país inteiro, disse, estava carregando nas costas "a promiscuidade da Suprema Corte brasileira". O segundo turno estava marcado para 25 de outubro.

A derrota no primeiro turno foi ampla. Flávio Bolsonaro não apenas venceu a disputa presidencial como seu partido, o PL, conquistou 19 cadeiras no Senado e 121 na Câmara dos Deputados. Essa força parlamentar da direita tinha um alvo claro: o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Lula, porém, não se via como perdedor. "Eu estou convencido de que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno", afirmou, prometendo participar dos debates que ainda estavam por vir.

Mas a questão que o presidente levantava ia além da campanha imediata. Ele questionava os próprios fundamentos de como o Brasil escolhia seus ministros do Supremo. "Precisamos definir qual o papel da sociedade nessa reforma e como vamos escolher um ministro do STF", disse Lula durante a reunião. A pergunta era direta: essas escolhas respondiam ao interesse pessoal do presidente? À pressão do Congresso? Aos interesses do poder econômico? "Não", respondeu ele mesmo. Em seu terceiro mandato, Lula havia indicado Cristiano Zanin, seu advogado nos processos da Lava Jato, e Flávio Dino, seu ministro da Justiça, para a Corte. Havia também apontado o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas o Senado rejeitou a indicação. Agora, Lula defendia que a sociedade discutisse não apenas os critérios para essas indicações, mas também se os ministros deveriam ter mandato.

A crise que Lula denunciava tinha raízes profundas. No dia 1º de setembro, o ministro André Mendonça havia retirado o sigilo de um relatório da Polícia Federal que continha mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A revelação desencadeou uma reação em cadeia. Moraes respondeu usando relatórios de inteligência da PF para questionar a atuação de Mendonça nos casos Master e INSS, defendendo que seu colega de Corte fosse investigado. O que se seguiu foi uma guerra de ofícios e liminares que tomou conta do tribunal.

No dia 15 de setembro, uma sessão do Supremo que deveria analisar a possibilidade de abrir uma investigação contra Moraes terminou em bate-bocas e sem qualquer definição. Às vésperas do primeiro turno, as tensões escalaram ainda mais quando decisões contraditórias entre o STF e o Tribunal Superior Eleitoral criaram novos pontos de atrito. Durante toda essa crise, a campanha petista havia tentado se manter afastada, com Lula defendendo apenas que todos os ministros envolvidos com Vorcaro deveriam ser investigados.

Agora, com o resultado do primeiro turno em mãos, Lula colocava a crise do Supremo no centro do debate sobre o futuro do país. "Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte", acrescentou. A mensagem era clara: uma reforma profunda no Poder Judiciário não era apenas desejável, era urgente. E essa discussão, insistia o presidente, precisava envolver a sociedade inteira, não apenas os gabinetes de Brasília. O segundo turno, portanto, não seria apenas sobre quem ocuparia a presidência, mas sobre como o Brasil escolheria seus juízes.

Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira
— Luiz Inácio Lula da Silva, presidente
Precisamos definir qual o papel da sociedade nessa reforma e como vamos escolher um ministro do STF
— Luiz Inácio Lula da Silva
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