Lula convida papa Francisco para Círio de Nazaré e confirma viagem à Europa

Ninguém tem o direito de dar palpite ao Brasil ser energia
Lula defendeu a matriz energética brasileira contra críticas internacionais durante transmissão ao vivo.
Mark

Por que Lula está tão empenhado em levar o Papa para o Círio de Nazaré? Parece um convite pessoal, mas há algo político nisso?

Mimi

Há ambos os elementos. O Círio é a maior procissão católica do Brasil, com centenas de milhares de pessoas em Belém. Levar o Papa lá seria um momento de visibilidade global para o Brasil e para as causas que Lula quer destacar — fome, desigualdade, meio ambiente.

Luke

Mas precisamos ser claros: o convite foi anunciado, não confirmado. O Papa aceitou? Não sabemos. É um anúncio de intenção, não um fato consumado.

Mark

E quanto à viagem à Europa? Parece que Lula está tentando resolver vários problemas ao mesmo tempo.

Mimi

Exatamente. Ele quer discutir a guerra na Ucrânia com o Papa, negociar o acordo Mercosul com Macron, e defender a posição brasileira sobre energia e meio ambiente. São conversas que não poderiam acontecer por videoconferência.

Luke

Verdade, mas note que o Parlamento francês já aprovou o veto ao acordo UE-Mercosul. Lula vai conversar com Macron, mas a decisão já foi tomada por outro poder. Não está claro quanto Macron pode mudar isso.

Mark

Lula mencionou hidrogênio verde e energias renováveis. Isso é uma resposta às críticas ambientais?

Mimi

Sim. Os europeus estão pedindo mais compromissos ambientais do Mercosul como condição para o acordo. Lula está dizendo: "Nós temos soluções, nós podemos liderar em energia limpa." É uma postura defensiva e ofensiva ao mesmo tempo.

Luke

Mas ele prometeu investimentos em eólica, solar e biomassa sem detalhar números, cronogramas ou fontes de financiamento. São promessas, não planos.

Mark

E o telefonema para Fernando Henrique Cardoso? Por que isso foi divulgado?

Mimi

Porque marca uma mudança de tom. Lula e FHC foram adversários políticos intensos. Que o governo divulgue que Lula o parabenizou e que FHC "estava bem e sorridente" é um sinal de reconciliação, de que Lula quer se apresentar como presidente de todos.

Luke

É um gesto simbólico bem calculado. Mas também é apenas um telefonema. Não sabemos se há uma relação política real se desenvolvendo ou se foi apenas cortesia.

  • Lula parte nesta semana para a Europa com uma agenda densa: Vaticano, Roma e Paris em poucos dias, cada escala carregando tensões diplomáticas próprias.
  • O convite ao Papa para o Círio de Nazaré é mais do que protocolo — é o cultivo de uma aliança simbólica com o pontífice que lhe escreveu durante a prisão em Curitiba.
  • Em Paris, o presidente terá de enfrentar Macron sobre a resolução do Parlamento francês que ameaça o acordo UE-Mercosul, num embate que mistura comércio, pesticidas e soberania ambiental.
  • Lula rejeita a cláusula europeia que prevê sanções ao Mercosul por descumprimento ambiental, chamando-a de imposição indevida e defendendo o direito do Brasil de definir sua própria matriz energética.
  • Entre discursos sobre hidrogênio verde e um evento do Coldplay diante da Torre Eiffel, o presidente tenta transformar a viagem numa plataforma de consciência global contra a fome e a desigualdade.

Em meio a uma turnê europeia que combina diplomacia de Estado e diálogo espiritual, o presidente Lula parte para Roma, Vaticano e Paris carregando convites, críticas e promessas. O encontro com o Papa Francisco — com quem mantém laços que sobreviveram até ao cárcere — será palco para um convite ao Círio de Nazaré e para conversas sobre guerra e fome. A viagem revela um líder que busca, no palco global, construir uma narrativa de Brasil soberano, verde e comprometido com os mais pobres.

Lula anunciou na segunda-feira, 19 de junho, que pretende convidar o Papa Francisco para o Círio de Nazaré, a grande procissão católica de outubro em Belém. O convite será feito pessoalmente na quinta-feira, durante encontro no Vaticano, primeira escala de uma turnê europeia que o presidente iniciaria ainda naquela noite.

A relação entre Lula e Francisco tem raízes afetivas: quando o presidente estava preso em Curitiba, o pontífice lhe enviou uma carta. Em transmissão ao vivo pela EBC, Lula descreveu Francisco como 'o papa mais comprometido com o povo' e adiantou que o encontro abordaria a guerra na Ucrânia e a desigualdade social. 'Quero aproveitar meu mandato para criar consciência mundial contra a fome', declarou.

Depois de Roma — onde se reunirá com o presidente Sergio Mattarella e o prefeito Roberto Gualtieri —, Lula segue para Paris. Lá, o encontro com Emmanuel Macron terá como pano de fundo a resolução do Parlamento francês contrária ao acordo UE-Mercosul, justificada pelo uso de pesticidas proibidos na Europa em lavouras brasileiras. Lula criticou especialmente uma cláusula que prevê sanções ao bloco sul-americano em caso de descumprimento ambiental, classificando-a como imposição indevida.

Na capital francesa, o presidente também discursará em evento organizado pelo Coldplay diante da Torre Eiffel, reafirmando a defesa da matriz energética brasileira. 'Ninguém tem o direito de dar palpite ao Brasil ser energia', disse, ao destacar o potencial do país em hidrogênio verde, energia eólica, solar e de biomassa.

Às margens da agenda internacional, Lula revelou ter ligado no domingo para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, parabenizando-o pelos 92 anos. O gesto — e a divulgação pública de que Cardoso 'estava bem e sorridente' — sinalizou uma aproximação simbólica com o antigo adversário que o apoiou no segundo turno das eleições de 2022.

Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 19 de junho, que pretende convidar o Papa Francisco para participar do Círio de Nazaré, a tradicional procissão católica que acontece em outubro na cidade de Belém. O convite será feito durante encontro marcado para quinta-feira, 22, no Vaticano, onde o presidente brasileiro viajará como parte de uma turnê europeia que começaria naquela noite.

A proximidade entre Lula e o pontífice não é recente. Durante o período em que o presidente ficou preso em Curitiba, o Papa lhe enviou uma carta — um gesto que Lula destacou como demonstração de compromisso com as causas sociais. Em transmissão ao vivo pela Empresa Brasil de Comunicação, o presidente descreveu Francisco como "o papa mais comprometido com o povo" e sinalizou que aproveitaria o encontro para discutir temas que considera centrais: a guerra na Ucrânia e a desigualdade social. "Eu quero aproveitar meu mandato para criar consciência mundial contra a fome", afirmou.

A viagem europeia de Lula incluiria paradas em Roma e no Vaticano antes de seguir para Paris, onde se encontraria com o presidente francês Emmanuel Macron. Nesse encontro, o brasileiro pretendia abordar a resolução aprovada pelo Parlamento francês contrária ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O veto francês havia sido justificado pelo reconhecimento do uso de pesticidas proibidos na Europa por lavouras brasileiras. Lula criticou especialmente uma cláusula adicionada pelos europeus ao tratado que impõe sanções ao Mercosul em caso de descumprimento de compromissos ambientais, considerando-a uma imposição indevida.

Em Paris, Lula também discursaria sobre questões ambientais em um evento público organizado pela banda Coldplay em frente à Torre Eiffel. Nesse contexto, o presidente reafirmou sua defesa da matriz energética brasileira e prometeu novos investimentos em fontes renováveis. "Ninguém tem o direito de dar palpite ao Brasil ser energia", declarou, referindo-se às críticas internacionais. Ele destacou o potencial brasileiro de produzir e exportar hidrogênio verde para o mundo, além de ampliar investimentos em energia eólica, solar e de biomassa.

Durante a transmissão, Lula também mencionou telefonema que havia feito no domingo anterior para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, parabenizando-o pelos 92 anos. Segundo o relato presidencial, Cardoso "estava bem e sorridente" — um detalhe que o governo divulgou publicamente, marcando uma aproximação simbólica com o antigo adversário político que o havia apoiado no segundo turno das eleições do ano anterior.

Em Roma, Lula confirmou reuniões com o presidente italiano Sergio Mattarella e com o prefeito da capital, Roberto Gualtieri. Quanto a um possível encontro com a primeira-ministra Giorgia Meloni, o presidente afirmou ainda não saber se isso ocorreria. A sequência de encontros refletia uma estratégia diplomática ampla, combinando diálogos com lideranças religiosas, chefes de Estado e autoridades locais em torno de agendas que iam desde questões ambientais e comerciais até iniciativas contra a fome e a desigualdade.

De forma inequívoca, é o papa mais comprometido com o povo
— Lula, sobre o Papa Francisco
Eu quero aproveitar meu mandato para criar consciência mundial contra a fome
— Lula, durante transmissão ao vivo
Contact Us FAQ