O dinheiro começa a circular junto às pessoas mais pobres, essas pessoas vão virando consumidores
No início de junho de 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o primeiro grande indicador econômico do seu terceiro mandato: um crescimento de 1,9% do PIB no primeiro trimestre, superando as apostas do mercado. Para Lula, o número não era apenas estatística — era a confirmação de uma filosofia de governo segundo a qual colocar dinheiro nas mãos dos mais pobres move a economia de baixo para cima. Vinte anos após assumir o poder pela primeira vez em meio a turbulências, o presidente escolheu celebrar em vez de lamentar, projetando um Brasil capaz de superar até as previsões do FMI.
- O PIB cresceu 1,9% no primeiro trimestre de 2023, surpreendendo o mercado financeiro, que esperava apenas 1,3% — uma diferença que transformou expectativa modesta em motivo de comemoração presidencial.
- Lula saiu de uma reunião diplomática no Itamaraty visivelmente animado e declarou publicamente sua confiança no desempenho econômico, afirmando que o país crescerá além das projeções do FMI para o ano.
- O resultado positivo vem após um quarto trimestre de 2022 com retração, criando uma tensão narrativa entre o passado recente de queda e a recuperação agora em curso.
- O impulso veio sobretudo da agropecuária, com estimativas de safra recorde de grãos em 2023, enquanto o governo atribui parte do crescimento à retomada das políticas sociais e ao aumento do consumo popular.
- A aposta central do governo — de que transferir renda aos mais pobres gera consumo, comércio e empregos — começa a encontrar respaldo nos números, consolidando a trajetória política e econômica do terceiro mandato.
Na manhã em que saiu de uma reunião com o presidente finlandês no Itamaraty, Lula tinha motivos concretos para sorrir: o PIB havia crescido 1,9% no primeiro trimestre de 2023, superando com folga a expectativa de 1,3% do mercado financeiro. Era o primeiro grande número econômico do seu terceiro mandato, e o presidente não poupou entusiasmo. "Eu estou confiante no PIB", disse aos jornalistas, mencionando conversas com o ministro Fernando Haddad sobre a possibilidade de crescer acima das projeções do FMI para o ano.
Nas redes sociais, Lula havia postado uma mensagem mais formal, mas igualmente otimista, prometendo distribuir o crescimento com o povo brasileiro. A lógica era clara: as políticas sociais recuperadas pelo governo estariam colocando dinheiro nas mãos dos mais pobres, transformando-os em consumidores e aquecendo a economia por dentro.
O número ganhava ainda mais peso por vir após um quarto trimestre de 2022 marcado por retração — o IBGE revisou a queda para 0,1%, menos severa do que os 0,2% inicialmente divulgados, mas ainda negativa. A recuperação do primeiro trimestre foi impulsionada pela agropecuária, com previsões de safra recorde de grãos em 2023.
Há uma ironia histórica nessa celebração. Em 2003, ao assumir o poder pela primeira vez, Lula encontrou dados ruins e culpou o governo anterior, falando em "herança mais que maldita" e país "na UTI". Agora, vinte anos depois, com números positivos em mãos, ele escolheu o caminho oposto: não apontar culpados, mas projetar crescimento. Para o presidente, o 1,9% era a prova de que sua aposta estava funcionando — e de que o Brasil poderia ir além do que o mundo esperava.
Na manhã de quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu de uma reunião com o presidente finlandês Sauli Niinistö no Itamaraty com notícias que o deixaram visiblemente satisfeito. O PIB havia crescido 1,9% no primeiro trimestre — um resultado que superava as expectativas do mercado financeiro, que apostava em alta de apenas 1,3%. Para Lula, era o primeiro grande número econômico do seu terceiro mandato, e ele não hesitou em celebrá-lo.
"Nós trabalhamos para o PIB crescer, gente. Eu estou confiante no PIB", disse o presidente aos jornalistas. Ele reforçou a conversa que vinha tendo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre a possibilidade de o país crescer acima das projeções que o Fundo Monetário Internacional havia feito para 2023. A confiança não era vaga — estava ancorada em uma lógica que Lula explicou com clareza: as políticas sociais recuperadas pelo seu governo estavam colocando dinheiro nas mãos das pessoas mais pobres, que se tornavam consumidoras, gerando mais comércio e mais empregos.
Mais cedo, ele havia postado nas redes sociais uma mensagem mais formal, mas igualmente otimista. "Resultados que comprovam que nosso país já está melhorando. E vamos seguir trabalhando para distribuir esse crescimento com o povo brasileiro", escreveu. Era uma narrativa clara: a economia não apenas estava crescendo, mas esse crescimento estava sendo traduzido em benefício para os mais pobres.
O número de 1,9% merecia celebração porque vinha após um quarto trimestre de 2022 marcado por retração. O IBGE havia revisado os dados e agora indicava queda de 0,1% naquele período, menos severa do que os 0,2% inicialmente divulgados. Mesmo assim, a trajetória era de recuperação. O primeiro trimestre de 2023 havia sido impulsionado por condições favoráveis na agropecuária — estimativas apontavam para um recorde na safra de grãos do país naquele ano.
Há uma ironia histórica nessa celebração. Quando Lula assumiu o poder pela primeira vez, em 2003, o país enfrentava dados econômicos ruins. Na época, ele adotou uma postura diferente: culpava o governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, pela situação. Falava em "herança mais que maldita" e dizia que o país estava "na UTI". Nos três primeiros meses daquele primeiro mandato, o PIB havia ficado estagnado em relação ao trimestre anterior e havia desacelerado na comparação anual. Agora, vinte anos depois, com números positivos em mãos, Lula escolheu uma abordagem oposta — não apontava culpados, mas sim celebrava a melhora e projetava crescimento futuro.
O PIB, para quem não acompanha esses números regularmente, é uma medida que engloba tudo aquilo que um país produz: produtos, serviços, aluguéis, serviços públicos, impostos e até contrabando. O IBGE calcula esse indicador seguindo padrões internacionais, tentando capturar quem produz, quem consome e que renda é gerada nesse processo. Quando cresce, descontada a inflação, chamamos de crescimento econômico. O resultado trimestral é divulgado cerca de sessenta dias após o fim do período.
Para Lula, aquele 1,9% era mais do que um número. Era a prova de que sua aposta — recuperar as políticas sociais e deixar o dinheiro circular entre os mais pobres — estava funcionando. E se funcionava, o crescimento deveria continuar, potencialmente superando até as previsões internacionais.
Notable Quotes
Nós trabalhamos para o PIB crescer. Eu estou confiante no PIB. Eu tenho dito para o companheiro Haddad que a gente vai crescer mais que a estimativa que o FMI está fazendo— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Como nós recuperamos todas as nossas políticas sociais e o dinheiro começa a circular junto às pessoas mais pobres desse país, essas pessoas vão virando consumidores, esse consumo vai gerando mais comércio, mais emprego— Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que Lula escolheu comemorar esse número em vez de, como fez em 2003, apontar problemas herdados?
Porque agora ele tem números positivos. Em 2003, recebia uma economia em crise. Hoje, mesmo que tenha herdado desafios, conseguiu um resultado que superou as expectativas. A narrativa muda quando você tem boas notícias.
Mas 1,9% é realmente um crescimento forte?
Depende da perspectiva. Para um país que estava em retração no trimestre anterior, é uma recuperação clara. E superou o que o mercado esperava — analistas apostavam em 1,3%. Isso importa porque mostra que algo está funcionando melhor do que previsto.
Lula atribui tudo ao consumo dos pobres. Isso é suficiente para explicar o crescimento?
Não é toda a história. A agropecuária teve um papel grande — condições favoráveis, perspectiva de recorde na safra. Mas Lula está certo que quando você coloca dinheiro nas mãos de quem gasta tudo, isso circula rápido na economia. É um mecanismo real.
Como ele pode prometer crescimento acima das previsões do FMI?
Não é uma promessa garantida, é uma aposta. Ele está dizendo que acredita que o país vai surpreender para cima, como fez neste trimestre. Se a agropecuária continuar forte e o consumo se manter aquecido, é possível. Mas economia é incerta.
Qual é a diferença entre a postura dele agora e em 2003?
Em 2003, ele tinha más notícias e culpava o antecessor. Agora tem boas notícias e celebra. É uma mudança de narrativa que reflete a realidade dos números que ele tem em mãos.