Derrotado no primeiro turno por 2,2 milhões de votos, o presidente Lula reuniu aliados na segunda-feira para traçar o caminho do segundo turno — e escolheu o Supremo Tribunal Federal como primeiro campo de batalha, acusando ministros de 'promiscuidade' com o setor financeiro. É um momento que revela a tensão entre instituições e poder eleitoral no Brasil: um presidente em exercício que, ao mesmo tempo em que governa, precisa reconquistar a confiança de milhões de eleitores que se afastaram ou se abstiveram. A história, ele lembra, já o absolveu antes.
Lula ataca STF e busca se desvincular de ministros acusados de envolvimento com Banco Master
Estamos carregando nas costas a promiscuidade da Suprema Corte
Por que Lula escolheu atacar o STF justamente agora, depois de perder votos no primeiro turno?
Ele estava buscando um inimigo comum que pudesse mobilizar sua base. O STF, com as acusações contra ministros, oferecia um alvo que permitia falar de corrupção e promiscuidade institucional — temas que ressoam com eleitores descontentes.
Mas precisamos ser cuidadosos: as acusações contra os ministros existem, mas não sabemos quantos eleitores realmente se importam com isso. Lula estava tentando criar uma narrativa, não necessariamente respondendo ao que os eleitores pediam.
E quanto à abstenção de 33 milhões de eleitores? Isso não é um sinal de que algo está errado?
Sim, é preocupante. Lula reconheceu isso e questionou se os candidatos simplesmente não agradavam. A abstenção de 21% é significativa e sugere desengajamento real.
Verdade, mas não sabemos por que essas pessoas não votaram. Pode ser desinteresse, pode ser dificuldade logística, pode ser protesto. Lula estava especulando, não explicando.
Ele citou 2006 como precedente de recuperação. Isso é um argumento forte?
Historicamente, sim. Ele realmente recuperou votos contra Alckmin naquele segundo turno. Mas contextos são diferentes — 2006 não é 2026.
E ele estava atrás por 2,2 milhões de votos, não por uma margem pequena. Recuperações acontecem, mas essa seria uma das maiores da história recente. Não é impossível, mas também não é garantido.
Qual é a aposta real de Lula aqui?
Ele está tentando reescrever a narrativa do primeiro turno. Ao atacar o STF, ao falar de inclusão social contra austeridade, ao invocar seu histórico, ele quer convencer eleitores de que o segundo turno é uma escolha diferente.
Exatamente. Mas a pergunta que fica é: será que esses ataques ao STF e essa retórica de inclusão social vão trazer de volta os 3,3 milhões de votos que ele perdeu desde 2022? Ou vão apenas energizar quem já o apoiava?
O Pulso
- Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar, com 3,3 milhões de votos a menos do que em 2022 — uma sangria eleitoral que exige explicação e resposta imediata.
- O presidente mirou o STF como alvo político, denunciando o que chamou de 'promiscuidade' entre ministros e o banqueiro Daniel Vorcaro, numa tentativa de canalizar insatisfação institucional a seu favor.
- Com 33 milhões de eleitores ausentes das urnas, Lula questiona em voz alta se o eleitorado rejeitou os candidatos — uma pergunta que o inclui e o desconforta.
- Diante das propostas de austeridade de Flávio Bolsonaro, Lula reposiciona o debate: falar em 'dureza fiscal', diz ele, é atacar a política de inclusão social que define seu governo.
- Citando 2006 como prova de resiliência, o presidente projeta confiança e afirma não ver razão econômica, social ou política para sua derrota no segundo turno.
Derrotado no primeiro turno por 2,2 milhões de votos, o presidente Lula reuniu aliados na segunda-feira para traçar o caminho do segundo turno — e escolheu o Supremo Tribunal Federal como primeiro campo de batalha, acusando ministros de 'promiscuidade' com o setor financeiro. É um momento que revela a tensão entre instituições e poder eleitoral no Brasil: um presidente em exercício que, ao mesmo tempo em que governa, precisa reconquistar a confiança de milhões de eleitores que se afastaram ou se abstiveram. A história, ele lembra, já o absolveu antes.
Brasília — Lula saiu do primeiro turno das eleições de 2026 em segundo lugar, com 53,8 milhões de votos contra 56,1 milhões do senador Flávio Bolsonaro. A diferença de 2,2 milhões de votos foi agravada por outro dado: o presidente recebeu 3,3 milhões de votos a menos do que em 2022. Reunido com aliados na segunda-feira, escolheu seu primeiro alvo para a virada: o Supremo Tribunal Federal.
Em tom elevado, Lula atacou o que chamou de 'promiscuidade' estabelecida na corte, referindo-se às acusações de envolvimento de ministros com o banqueiro Daniel Vorcaro. Aproveitou para defender uma reforma do Judiciário que abrisse debate público sobre mandatos e critérios de indicação. A crítica tinha dupla função: denúncia institucional e munição eleitoral.
O presidente também se debruçou sobre a abstenção: 33 milhões de eleitores não foram às urnas — 21% do eleitorado. 'Será que não gostam dos candidatos?', perguntou, misturando frustração e incompreensão. Em relação a Flávio Bolsonaro, rebateu as propostas de austeridade fiscal, argumentando que esse discurso esconde um ataque à política de inclusão social. Sobre segurança pública, tema explorado pelo rival, sugeriu uma mudança de tom: proteger o cidadão, prender criminosos, devolver o território à sociedade.
Apesar do revés, Lula projetou confiança. Citou 2006 — quando virou o jogo contra Alckmin no segundo turno — como evidência de que recuperações são possíveis. O mesmo Alckmin é hoje seu vice-presidente. 'Toda eleição eu fico decepcionado, porque todas eu quero vencer no primeiro turno', admitiu, mas manteve a narrativa de que a disputa estava longe de encerrada.
Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 em segundo lugar, com 53,8 milhões de votos, atrás do senador Flávio Bolsonaro, que conquistou 56,1 milhões. A diferença era de 2,2 milhões de votos. Pior ainda para o petista: ele havia recebido 3,3 milhões de votos a menos do que na disputa presidencial de 2022. Reunido com aliados na segunda-feira, 5 de outubro, Lula escolheu seu primeiro alvo para tentar recuperar terreno antes do segundo turno: o Supremo Tribunal Federal.
Em tom escalado, o presidente atacou o que chamou de "promiscuidade" estabelecida na corte. Sua crítica apontava para as acusações de envolvimento de ministros do STF com o banqueiro Daniel Vorcaro. Lula não apenas denunciou o que via como comprometimento institucional, mas aproveitou para defender uma reforma do Judiciário que incluísse discussão pública sobre mandatos e critérios de indicação de ministros. "Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte", declarou.
O presidente também se dirigiu à abstenção eleitoral. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, 33 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno — o equivalente a 21,08% do eleitorado. Lula questionou se o afastamento das urnas refletia descontentamento com os candidatos. "Será que não gostam dos candidatos?", perguntou, em tom que misturava frustração e incompreensão.
Em relação à campanha de Flávio, Lula criticou as propostas de austeridade fiscal apresentadas pelo rival. Para o presidente, toda vez que se fala em "dureza fiscal" no país, o que realmente está em jogo é a política de inclusão social — um dos pilares de seu governo. Também abordou segurança pública, tema em que Flávio havia se aproveitado durante a campanha. Lula sugeriu uma mudança de tom no discurso sobre o assunto, afirmando que a segurança pública deveria proteger o cidadão, garantindo que criminosos fossem presos e que o território ficasse livre para a sociedade se manifestar.
Apesar do resultado desfavorável, Lula projetou confiança para o segundo turno. Afirmou não ver "razão econômica, social e política" para sua derrota. Para fundamentar essa posição, citou seu próprio histórico: em 2006, quando disputou o segundo turno contra Geraldo Alckmin, então governador de São Paulo pelo PSDB, conseguiu recuperar votos enquanto seu adversário perdia. Alckmin, que perdeu aquela eleição, é hoje vice-presidente na chapa de Lula.
O presidente também se dirigiu aos candidatos que apoiavam sua campanha, reconhecendo o trabalho realizado no primeiro turno. "Se você perde e deixa uma marca, a derrota pode significar a vitória", disse, sugerindo que uma campanha bem executada poderia ter plantado sementes para o segundo turno. Lula expressou decepção com o resultado — "Toda eleição eu fico decepcionado, porque todas eu quero vencer no primeiro turno" — mas mantinha a narrativa de que a disputa estava longe de encerrada.
Citações Notáveis
Não há razão econômica, social e política para não ser eleito presidente no segundo turno— Luiz Inácio Lula da Silva
Se você perde e deixa uma marca, a derrota pode significar a vitória— Luiz Inácio Lula da Silva, aos candidatos de sua campanha