Em São Bernardo do Campo, o presidente Lula subiu ao palco do estádio Vila Euclides para inaugurar oficialmente sua campanha — não apenas como candidato, mas como intérprete de um tempo que ele deseja definir. Durante 36 minutos, invocou os mortos da pandemia, a promessa das terras raras e a necessidade de um Congresso aliado, tecendo um discurso que oscila entre o ajuste de contas com o passado e a construção de um futuro industrial soberano. É o momento em que a governança se converte em narrativa eleitoral, e a nação é convidada a escolher qual versão de si mesma deseja continuar sendo.
Lula ataca direita, defende terras raras e pede maioria no Congresso em 1º ato
Extrair aqui, transformar aqui, industrializar aqui, produzir aqui
Por que Lula escolheu começar a campanha atacando a direita em vez de apresentar propostas?
Porque para ele a disputa não é sobre ideias abstratas. É sobre quem governa e como governa. A pandemia é o exemplo concreto disso — 400 mil mortes, crianças sem remédio. Ele está dizendo: vocês viram o que acontece quando a direita está no poder.
E as terras raras? Por que isso importa tanto agora?
Porque é uma chance de reescrever a história econômica do Brasil. Não é só minério. É a diferença entre vender ferro bruto e vender aço, entre vender petróleo e vender gasolina. Empregos, impostos, tecnologia — tudo fica aqui.
Ele pediu maioria no Congresso. Isso significa que ele não tem apoio suficiente?
Significa que ele sabe que precisa de mais. Sem maioria, cada projeto vira uma negociação. Com maioria, você governa. É uma admissão de que a próxima eleição não é só sobre a presidência.
O vídeo dele pedindo para as pessoas votarem em si mesmas — isso não contradiz estar em campanha?
Não. É uma estratégia. Ele está dizendo: eu não sou o importante, o importante é o que vocês querem para o Brasil. Mas claro que ele acredita que é ele quem pode entregar isso. É humildade performática, mas também é real — ele está oferecendo uma escolha, não impondo.
E o Ministério da Segurança? Por que isso depende de uma PEC?
Porque mexe com a estrutura constitucional. Segurança é responsabilidade de estados e municípios. Criar um ministério federal é centralizar poder. Ele quer dividir responsabilidade, mas para isso precisa mudar as regras do jogo.
Le Pouls
- Lula abriu a campanha com tom de confronto direto, usando as 400 mil mortes da pandemia como acusação moral contra a direita e como justificativa para sua própria candidatura.
- A proposta de industrializar terras raras no Brasil — em vez de exportar minério bruto — introduz uma tensão entre o modelo extrativista vigente e uma visão de soberania econômica que ainda precisa de base política para se concretizar.
- O presidente reconheceu abertamente que sem maioria no Congresso seus projetos enfrentam obstáculos, transformando o ato de campanha em um apelo explícito por poder legislativo.
- A PEC da Segurança, condicionada à aprovação parlamentar, emerge como peça central da agenda social de Lula, prometendo um novo ministério que redistribuiria responsabilidades com estados e municípios no combate à violência.
- Em paralelo ao comício, Lula publicou um vídeo pedindo que eleitores votassem em si mesmos — um gesto que tentou elevar o debate acima da personalidade, mesmo enquanto ele era o centro absoluto do evento no estádio.
Em São Bernardo do Campo, o presidente Lula subiu ao palco do estádio Vila Euclides para inaugurar oficialmente sua campanha — não apenas como candidato, mas como intérprete de um tempo que ele deseja definir. Durante 36 minutos, invocou os mortos da pandemia, a promessa das terras raras e a necessidade de um Congresso aliado, tecendo um discurso que oscila entre o ajuste de contas com o passado e a construção de um futuro industrial soberano. É o momento em que a governança se converte em narrativa eleitoral, e a nação é convidada a escolher qual versão de si mesma deseja continuar sendo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva marcou o início oficial de sua campanha neste domingo no estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Em 36 minutos de discurso, ele traçou os contornos da disputa que pretende travar: contra a direita, a favor da industrialização dos recursos naturais do país e em busca de uma base parlamentar mais sólida.
O tom foi combativo desde o início. Lula evocou a pandemia de Covid-19 como símbolo de negligência política, citando as 400 mil mortes e a falta de medicamentos para crianças. 'Uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio', disse, estabelecendo um contraste moral entre seu projeto e o governo anterior.
Mas o discurso também apontou para o futuro. Lula defendeu que o Brasil não deveria se limitar a extrair minério bruto de terras raras para depois importar produtos acabados. Propôs um ciclo completo — extração, transformação, industrialização — capaz de gerar empregos e riqueza dentro das fronteiras nacionais.
Para viabilizar essa agenda, o presidente foi direto: é preciso eleger uma maioria no Congresso. Reforçou também o compromisso com a criação de um Ministério da Justiça e Segurança Pública, dependente de uma PEC, que dividiria responsabilidades com estados e municípios no enfrentamento da violência.
O palanque reuniu Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, que busca a reeleição como vice-presidente — sinalizando alianças e continuidade política. Em paralelo, Lula publicou um vídeo nas redes pedindo que os eleitores votassem em si mesmos e em seus sonhos, numa tentativa de elevar o debate acima das personalidades — ainda que ele próprio fosse o centro incontestável do ato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco do estádio Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, neste domingo para marcar o início oficial de sua campanha. Durante 36 minutos, ele traçou um retrato da disputa que vê à sua frente: uma luta contra a direita, uma aposta na industrialização das terras raias brasileiras e um apelo direto aos parlamentares para que sua base de apoio no Congresso Nacional cresça.
O tom foi combativo desde o primeiro momento. Lula não poupou críticas ao governo anterior, evocando a pandemia de Covid-19 como símbolo do que ele considera negligência política. Mencionou as 400 mil mortes que atribuiu à irresponsabilidade com vacinação e a falta de medicamentos que atingiu crianças. "Uma direita que ficava dando risada das crianças que estavam morrendo por falta de remédio", disse, estabelecendo um contraste moral entre seu projeto e o que o antecedeu.
Mas o discurso não foi apenas retrospectivo. Lula apresentou uma visão para o futuro econômico do país centrada nas terras raras. Rejeitou a ideia de que o Brasil deveria se contentar em extrair o minério bruto e vendê-lo para depois importar produtos acabados. Em seu lugar, propôs um ciclo completo: extrair, transformar, industrializar, produzir e gerar emprego e riqueza dentro das fronteiras nacionais. A mensagem era clara: o Brasil pode capturar mais valor de seus próprios recursos naturais.
Para que essa agenda avance, Lula foi direto ao ponto sobre o Congresso. Afirmou ser necessário eleger uma maioria que o apoie no Legislativo. Sem essa base, argumentou implicitamente, seus projetos enfrentarão obstáculos. O presidente também reforçou seu compromisso com a criação de um Ministério da Justiça e Segurança Pública, condicionado à aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição. Essa pasta, segundo ele, dividiria responsabilidades com estados e municípios e ajudaria a "libertar o povo das vilas mais pobres" da violência.
O evento contou com a presença de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, que busca a reeleição como vice-presidente. A composição do palanque sinalizava alianças e continuidade.
Em paralelo, Lula publicou um vídeo nas redes sociais com uma mensagem que soava quase paradoxal vindo de um candidato. Pediu aos eleitores que votassem em si mesmos, em seus desejos e sonhos, em quem acreditassem poder fazer as coisas pelo Brasil. "Você não precisa votar em mim, não", disse, antes de sugerir que dormissem tranquilos com a escolha que fizessem. Era uma tentativa de elevar o debate acima da personalidade, ainda que o próprio Lula fosse o centro do ato que acontecia simultaneamente no estádio.
Citations marquantes
Enquanto eu for vivo, não vou permitir parar de lutar e deixar a direita governar— Lula
Nós queremos extrair aqui, transformar aqui, industrializar aqui, produzir aqui, gerar emprego aqui e gerar riqueza— Lula, sobre terras raras