Lula apoia MDB na Paraíba e ignora PSB em ato em Campina Grande

Tenho candidato a governador, e ele é Veneziano
Lula deixa claro sua escolha na Paraíba, ignorando o aliado PSB da chapa nacional.
Mark

Por que Lula escolheu fazer esse ato apenas no interior da Paraíba, ignorando a capital?

Mimi

Campina Grande é o reduto eleitoral de Veneziano, e Lula estava selando um acordo político local que já vinha sendo costurado desde o final do ano anterior. Era uma forma de celebrar a aliança MDB-PT-Coutinho de forma clara e sem ambiguidades.

Luke

Mas isso é uma escolha estratégica que tem custo. Ignorar a capital é ignorar o governador que está na chapa nacional. Como o PT justifica isso?

Mark

Qual era a relação entre Coutinho e Azevêdo antes dessa ruptura?

Mimi

Eram aliados. Coutinho foi governador de 2011 a 2018 e escolheu Azevêdo, seu secretário, como sucessor. O PT apoiou essa chapa. Mas depois que Azevêdo tomou posse, a relação se desgastou e romperam politicamente em 2019.

Luke

A fonte diz que romperam em 2019, mas não especifica o que causou o desgaste. Sabemos que houve desavenças, mas os detalhes da ruptura não estão claros no registro.

Mark

E quanto à questão da inelegibilidade de Coutinho? Como isso afeta a campanha?

Mimi

Coutinho está inelegível desde 2020 por abuso de poder político e econômico. Sua defesa entrou com recurso no Supremo, e o PT está apostando em uma decisão favorável da ministra Cármen Lúcia. Mas até agora, nada foi decidido.

Luke

Exatamente — é uma aposta. A defesa entrou com recurso, a relatoria está com Cármen Lúcia, mas não há prazo ou indicação de quando isso será julgado. O PT está contando com algo que ainda é incerto.

Mark

Por que o PSB não conseguiu manter a aliança na Paraíba?

Mimi

Porque a aliança local já estava fechada antes do PSB retornar à coligação nacional. Quando Azevêdo voltou ao PSB em fevereiro, a aliança Lula-Veneziano-Coutinho já era um fato consumado desde o final de 2021.

Luke

Mas isso levanta uma questão: se a aliança estava fechada antes, por que Azevêdo tentou negociar com Lula em junho? Ele sabia que estava fora ou estava tentando reverter uma decisão já tomada?

Mark

Isso vai prejudicar a chapa nacional de Lula?

Mimi

A Paraíba é um dos únicos estados onde a coligação não conseguiu consenso. Rio Grande do Sul resolveu, Rio de Janeiro ainda está em impasse. Mas é uma fragilidade que fica exposta.

Luke

Fragilidade é a palavra certa. O PT está priorizando acordos locais sobre a coesão nacional. Isso funciona se Lula vencer, mas se perder, essas rachaduras podem ser apontadas como sinais de que a aliança nunca foi tão sólida quanto parecia.

  • Lula fez ato em Campina Grande, interior da Paraíba, apoiando Veneziano (MDB) contra o governador João Azevêdo (PSB)
  • Ricardo Coutinho, ex-governador, retornou ao PT em 2021 após desentendimentos com Azevêdo
  • Aliança Lula-Veneziano-Coutinho estava fechada desde final de 2021, antes de Azevêdo retornar ao PSB em fevereiro de 2022
  • Coutinho está inelegível desde novembro de 2020 por abuso de poder; defesa aguarda decisão do STF

Lula escolheu interior paraibano para apoiar MDB contra governador João Azevêdo (PSB), aliado na chapa nacional, priorizando acordo local com Veneziano. Ruptura reflete desgaste entre ex-governador Ricardo Coutinho (PT) e Azevêdo; Coutinho retornou ao PT após desavenças e agora concorre ao Senado.

Lula realizou ato em Campina Grande apoiando candidatura de Veneziano Vital do Rêgo (MDB) ao governo da Paraíba, rompendo com aliança do PSB e gerando tensão na coligação nacional petista.

Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Campina Grande, no interior da Paraíba, no início de agosto de 2022, para um grande comício em apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo, candidato do MDB ao governo estadual. A escolha do local — a segunda maior cidade do estado, reduto eleitoral de Veneziano, localizada a cerca de 130 quilômetros de João Pessoa — não foi casual. Foi a primeira vez que Lula realizava um ato de campanha em um estado apenas no interior, sem passar pela capital. O que tornava o gesto ainda mais significativo era quem não estava no palanque: o governador João Azevêdo, do PSB, partido que integra a chapa nacional petista com Geraldo Alckmin como vice-presidente.

A divisão refletia uma realidade política local que vinha se desenhando há meses. Veneziano havia sido um dos primeiros membros do MDB a aderir publicamente à campanha de Lula, sendo o único representante do partido no palco do lançamento da pré-candidatura petista em São Paulo, no início de maio. Lula reconheceu publicamente esse gesto durante o discurso, agradecendo ao senador pelo que chamou de "coragem" em apoiar sua candidatura mesmo com o MDB tendo seu próprio candidato presidencial. Em resposta, Veneziano também exaltou o compromisso de Lula com o projeto político que, segundo ele, era conduzido na Paraíba por Ricardo Coutinho ao Senado e pelos candidatos ao governo.

O cenário local era resultado de uma ruptura política que remontava anos. Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba entre 2011 e 2018, havia sido membro do PT de 1982 a 2003, depois passou quase duas décadas no PSB. Foi durante seu governo que ele escolheu João Azevêdo, seu antigo secretário, como sucessor em uma chapa que contava com apoio do PT. Naquela eleição de 2018, o PT também havia ajudado a eleger Veneziano ao Senado. Mas a relação entre Coutinho e Azevêdo se desgastou após a posse, e segundo fontes políticas, romperam em 2019. Azevêdo deixou o PSB para o Cidadania, onde permaneceu até fevereiro de 2022, quando retornou ao PSB.

Coutinho, por sua vez, retornou ao PT no final de 2021, em meio a desentendimentos com lideranças estaduais e nacionais do PSB. Veneziano, nesse ínterim, migrou para o MDB para concorrer contra seu antigo aliado. Havia também uma questão judicial envolvida: Coutinho estava inelegível desde novembro de 2020 por abuso de poder político e econômico em julgamento do Tribunal Superior Eleitoral referente à eleição de 2014. Sua defesa havia entrado com recurso no Supremo Tribunal Federal, com a relatoria nas mãos da ministra Cármen Lúcia, e o PT apostava em uma possível decisão favorável.

Durante o comício em Campina Grande, nem Lula nem a deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, mencionaram o PSB — algo que diferenciava o evento de praticamente todos os outros discursos de campanha pelo país. Lula foi direto ao ponto: "Nesse estado da Paraíba, eu tenho candidato a governador, e ele é Veneziano. Tenho candidato a senador, e ele é Ricardo Coutinho". Geraldo Alckmin, que viajava pelo litoral paulista com Fernando Haddad e Márcio França, não compareceu à Paraíba.

Azevêdo e seu grupo argumentavam que gostariam de ter Lula em seu palanque e que o governador, que havia participado da executiva nacional que sancionou a chapa Lula-Alckmin, continuava apoiando o ex-presidente. O governador havia tentado encontrar Lula durante uma viagem ao Rio Grande do Norte em junho para articular um possível entendimento. O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, também tentou alinhar uma aliança, argumentando que não faria sentido descartar uma reeleição — no Espírito Santo, esse raciocínio havia funcionado e o PT apoiava o segundo mandato de Renato Casagrande, do PSB.

Mas o grupo de Lula tinha resposta pronta: a aliança Lula-Veneziano-Coutinho já estava fechada desde o final de 2021, antes de Azevêdo retornar ao PSB em fevereiro e antes da aliança nacional ser oficializada em abril. O PT-PB também descartava a possibilidade de um palanque duplo, citando o precedente de Pernambuco, onde o PSB havia impedido que Lula subisse no palanque da deputada Marília Arraes em apoio ao candidato Danilo Cabral, do próprio PSB.

A Paraíba se tornava um dos únicos estados onde a coligação nacional não conseguiria chegar a um consenso. No Rio Grande do Sul, a situação havia sido resolvida na semana anterior com a desistência do ex-deputado Beto Albuquerque, do PSB, para apoiar Edegar Pretto, do PT. Restava ainda o Rio de Janeiro, onde a aliança em torno do deputado Marcelo Freixo, do PSB, enfrentava impasse com dois nomes ao Senado — André Ceciliano, do PT, e Alessandro Molon, do PSB — nenhum dos dois disposto a abrir mão de sua candidatura.

Eu quero agradecer ao Veneziano que, mesmo o MDB tendo candidato, ele resolveu nos apoiar na Paraíba. Queria agradecer ao gesto de coragem
— Lula, durante discurso em Campina Grande
O Ricardo Coutinho é aquele filho que um dia ficou emburrado e decidiu sair de casa... De repente, ele volta e continua sendo o mesmo Ricardo Coutinho decente e digno
— Lula, referindo-se à volta de Coutinho ao PT
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