Lula amplia vantagem para 14 pontos sobre Bolsonaro em nova pesquisa Datafolha

Fome e inflação impedem que melhoria econômica seja percebida
Bolsonaro implementou medidas populistas, mas os mais pobres ainda não sentem alívio material.
Mark

Como uma vantagem de 14 pontos se traduz em chances reais de vitória no primeiro turno?

Mimi

Lula voltou aos 50% de votos válidos, que é o limiar do TSE. Mas isso exclui brancos e nulos. A abstenção é o grande incógnita — se muita gente não votar, o universo de votos válidos muda.

Luke

Exatamente. A pesquisa mede intenção de voto, não comportamento de abstenção. Lula esteve em 54% em maio e caiu. Não sabemos se vai manter os 50% no dia 30.

Mark

Por que Bolsonaro não consegue ganhar entre os mais pobres, apesar de todas as medidas econômicas?

Mimi

Porque fome e inflação de alimentos ainda são reais para quem ganha até dois salários. Ele cresceu de 27% para 24% nesse segmento — piorou. As medidas ajudaram na classe média baixa, mas não nos mais pobres.

Luke

Isso é importante: ele melhorou na faixa de 2 a 5 salários, saiu de 39-40% para 43%. Então as políticas funcionam em alguns lugares, não em outros.

Mark

E as mulheres? Parece ser um muro para Bolsonaro.

Mimi

É. 49% delas votam em Lula, 29% nele. Seu histórico de falas machistas criou um entrave que ele não consegue romper.

Luke

Mas isso é estável na pesquisa ou piorou? Se é estável, significa que ele já aceitou essa desvantagem.

Mark

Ciro e Tebet ainda têm chance de crescer?

Mimi

Improvável. Ciro caiu de 8% para 7%, Tebet está em 5%. Lula está oferecendo voto útil para seus eleitores — a ideia é evitar segundo turno.

Luke

O voto neles é um dos principais fatores para haver segundo turno, segundo o texto. Mas não há evidência de que estejam desidratando decisivamente.

Mark

Qual é o próximo ponto de virada?

Mimi

Os debates. Lula não vai ao do SBT no sábado, mas vai ao da Globo na quinta. Bolsonaro precisa desgastar a imagem dele — sua própria rejeição está no teto.

Luke

Mas o texto diz que os artifícios bolsonaristas chegaram ao limite de utilidade. Não está claro que desgaste funcione se a rejeição já é alta.

  • Lula cresce dois pontos em uma semana e reabre a perspectiva de vitória no primeiro turno, cenário que parecia se fechar nas semanas anteriores.
  • Entre os mais pobres — metade do eleitorado —, o petista salta de 52% para 57%, enquanto Bolsonaro recua no mesmo grupo, revelando que os benefícios econômicos do governo não se converteram em capital eleitoral.
  • Bolsonaro recupera terreno na classe média baixa, sensível aos preços de combustíveis e gás, mas sua alta taxa de rejeição e o desgaste no eleitorado feminino limitam seu alcance.
  • Lula opta por não comparecer ao debate do SBT para minimizar riscos, enquanto Bolsonaro abandona a tentativa de melhorar sua imagem e passa a focar no desgaste do adversário.
  • A abstenção e a migração do voto útil de Ciro Gomes e Simone Tebet permanecem como variáveis decisivas que podem definir se haverá ou não segundo turno.

A dez dias do primeiro turno, o Brasil se aproxima de um momento decisivo em sua história democrática recente: Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 47% das intenções de voto, abrindo 14 pontos sobre o presidente Jair Bolsonaro, que permanece em 33%. O retorno do petista à marca de 50% dos votos válidos reacende a possibilidade de encerramento da disputa já na primeira rodada, enquanto a nação pondera entre continuidade e ruptura. O que está em jogo não é apenas uma eleição, mas a direção que um país profundamente dividido escolherá para si mesmo.

Dez dias antes do primeiro turno, Lula abriu 14 pontos de vantagem sobre Bolsonaro em pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira: 47% contra 33%. O crescimento de dois pontos em relação à semana anterior reacendeu a possibilidade de vitória já na primeira rodada — possibilidade que parecia se distanciar nas semanas anteriores. O levantamento ouviu 6.754 pessoas em 343 cidades, com margem de erro de dois pontos e 95% de confiança.

O dado mais simbólico foi o retorno de Lula à marca de 50% dos votos válidos — o limiar do TSE para vitória no primeiro turno. Uma semana antes, estava em 48%. Ainda assim, o número fica distante do pico de 54% registrado em maio, e a abstenção permanece uma incógnita. Entre eleitores acima de 60 anos, Lula oscilou dois pontos para baixo, mantendo vantagem de 47% a 40%.

A base mais sólida do petista está nos segmentos mais pobres: entre quem ganha até dois salários mínimos — 51% da amostra —, cresceu de 52% para 57%. Bolsonaro caiu de 27% para 24% nesse grupo, evidenciando que o pacote de benefícios econômicos implementado pelo governo não se traduziu em ganho eleitoral entre os mais vulneráveis, ainda pressionados pela fome e pela inflação de alimentos.

Bolsonaro, por sua vez, recuperou terreno na classe média baixa, sensível à queda nos preços de combustíveis e gás. No eleitorado feminino, porém, Lula mantém vantagem expressiva: 49% contra 29%. No Sudeste, região mais populosa, o petista lidera com 41% a 36%. Entre evangélicos, o presidente mantém vantagem, mas Lula havia se recuperado na semana anterior.

Nos últimos dez dias de campanha, as estratégias divergem. Lula decidiu não comparecer ao debate do SBT para reduzir riscos e concentra esforços em evitar abstenção e capturar o voto útil de eleitores de Ciro e Tebet. Bolsonaro, após fracassar em melhorar sua imagem — com episódios como o constrangimento no funeral da Rainha Elizabeth —, muda de rota e aposta no desgaste do adversário. Ciro Gomes, que recuou a 7%, reagiu publicamente à ofensiva petista. O desfecho dependerá da mobilização de cada campo e do comportamento de um eleitorado ainda em movimento.

Dez dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais, Luiz Inácio Lula da Silva abriu uma vantagem de 14 pontos sobre Jair Bolsonaro, segundo levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira. O petista alcançou 47% das intenções de voto, crescimento de dois pontos em relação à semana anterior, enquanto o presidente permaneceu estável em 33%. A margem ampliada reacendeu a possibilidade de uma vitória já no primeiro turno, cenário que parecia se distanciar nas semanas anteriores.

O instituto ouviu 6.754 pessoas em 343 cidades entre terça e quinta-feira, com margem de erro de dois pontos percentuais e índice de confiança de 95%. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e TV Globo, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04180/2022. Ciro Gomes recuou de 8% para 7%, enquanto Simone Tebet manteve 5%. Soraya Thronicke caiu de 2% para 1%. Nenhum outro candidato chegou a 1%.

O dado mais significativo para Lula foi seu retorno à casa dos 50% de votos válidos — o limiar estabelecido pelo TSE para vitória no primeiro turno, que exclui brancos e nulos da contagem. Uma semana antes, estava em 48%. Essa recuperação, porém, contrasta com seu melhor desempenho em maio, quando atingiu 54% de votos válidos. A abstenção permanece como fator incerto: Lula intensificou acenos a idosos, grupo menos obrigado a votar após os 70 anos, mas não colheu efeito imediato. Entre eleitores acima de 60 anos, oscilou dois pontos para baixo, mantendo vantagem de 47% contra 40% do presidente.

A força de Lula concentra-se nos segmentos mais pobres. Entre eleitores que ganham até dois salários mínimos — 51% da amostra —, cresceu de 52% para 57%. Bolsonaro caiu nesse mesmo grupo de 27% para 24%, confirmando a dificuldade do presidente em converter as medidas econômicas populistas que implementou em ganho eleitoral. Apesar do maior reajuste do Auxílio Brasil, redução de combustíveis e benefícios a caminhoneiros e taxistas, a fome persistente e a inflação de alimentos ainda impedem que os mais pobres percebam melhoria econômica.

O presidente recuperou terreno na classe média baixa. Na faixa de dois a cinco salários mínimos — 34% da amostra —, saiu de uma posição numericamente inferior (39% a 40%) para uma vantagem de 43% a 36%, refletindo sensibilidade dessa camada aos preços de gás e gasolina. No eleitorado feminino, que representa 52% da amostra, Lula mantém vantagem clara: 49% contra 29% do presidente, desvantagem que Bolsonaro não conseguiu reverter apesar dos esforços de campanha.

No Sudeste, região mais populosa com 43% dos ouvidos, Lula lidera com 41% contra 36% de Bolsonaro, oscilação de um ponto para baixo mas mantendo a dianteira. No Sul, que representa 14% do eleitorado, Lula registrou crescimento significativo. Entre evangélicos, Bolsonaro mantém vantagem, mas Lula recuperou-se na semana anterior. No grupo politicamente articulado — 25% do eleitorado — o presidente concentra 50% contra 32% do petista.

Com dez dias para o primeiro turno, as campanhas intensificam esforços. Lula busca evitar alta abstenção e conquistar voto útil de eleitores de Ciro e Tebet, anunciando que não comparecerá ao debate no SBT no sábado para reduzir riscos. Bolsonaro, com taxa de rejeição mantida em patamares altos, muda de estratégia: após fracassar em melhorar sua imagem — inclusive com constrangimento no funeral da Rainha Elizabeth 2ª — aposta agora em desgastar a imagem de Lula. Ciro Gomes, que oscilou um ponto para baixo, revoltou-se publicamente contra a ofensiva petista para lhe tirar apoio. O resultado final dependerá tanto da abstenção quanto da capacidade de cada campanha de mobilizar seus redutos nos últimos dias.

Lula anunciou que não irá ao debate do SBT no sábado para reduzir a chance de acidentes
— Estratégia da campanha de Lula
Bolsonaro busca agora desgastar a imagem de Lula, já que os artifícios bolsonaristas parecem ter chegado ao limite de utilidade
— Análise da campanha do presidente
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Paraíba Online ↗
Kontakt FAQ