No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, a campanha de Lula retornou ao Tribunal Superior Eleitoral pela quarta vez para denunciar Bolsonaro por publicações que o associavam ao PCC e a um suposto voto de Marcola — posts que o ministro Alexandre de Moraes já havia classificado como inverídicos. A ação, movida em 8 de outubro, pedia multa de sessenta mil reais e a remoção imediata das publicações, revelando uma disputa que ia além das redes sociais: tratava-se de saber até onde um candidato à presidência pode desafiar as decisões da mais alta corte eleitoral do país.
Lula aciona TSE pela 4ª vez contra posts de Bolsonaro sobre PCC e pede multa de R$ 60 mil
É inconcebível um candidato desdenhar do Tribunal Superior Eleitoral
Por que Lula precisou acionar o TSE quatro vezes? Isso não deveria ter sido resolvido na primeira vez?
A primeira ordem do ministro Moraes foi clara — remover os posts e parar de publicar sobre o tema. Mas Bolsonaro publicou novamente, quatro vezes, no Twitter. Então Lula voltou ao tribunal.
Espera. A gente tem confirmação de que Bolsonaro pessoalmente publicou esses posts, ou é a campanha dele? Porque há uma diferença legal importante aí.
A petição diz que foram publicações "do chefe do Executivo". Mas você está certo — não fica totalmente claro se foi Bolsonaro digitando ou alguém da equipe dele.
E quanto ao conteúdo? O que exatamente Bolsonaro estava dizendo sobre Marcola e Lula?
Que Marcola tinha declarado voto em Lula. Mas Moraes já tinha dito que isso era falso e descontextualizado — os diálogos eram sobre condições carcerárias, não sobre voto.
Então a questão central é: Bolsonaro estava repetindo informação que um juiz já tinha declarado falsa? Porque isso muda a natureza da violação.
Exatamente. Não era só desobediência — era continuar espalhando algo que a corte já tinha dito que era inverídico.
Qual era o objetivo de Bolsonaro ao fazer isso? Ele estava tentando prejudicar Lula nas pesquisas?
Provavelmente. Lula estava em primeiro lugar nas intenções de voto. Associá-lo ao PCC era uma estratégia de campanha.
Mas a gente não tem declaração de Bolsonaro explicando por que ele continuou publicando depois da ordem. Isso é importante notar — estamos vendo a versão da campanha de Lula.
E as multas? Sessenta mil reais é muito?
Para um candidato presidencial, não é uma quantia astronômica. Mas o ponto era que fosse "exemplar" — um sinal de que o tribunal não tolera desobediência.
Der Puls
- Bolsonaro publicou quatro posts no Twitter associando Lula ao PCC mesmo após o TSE já ter ordenado a remoção de conteúdo semelhante no primeiro turno.
- A campanha petista acusa o presidente de 'desdenhar' abertamente as decisões do tribunal, elevando o tom jurídico e político da disputa.
- A ação chega horas depois de a própria coligação de Lula ser obrigada a remover propaganda que ligava Bolsonaro ao canibalismo — sinalizando uma guerra de representações mútuas.
- Os advogados de Lula pedem punição 'exemplar': R$ 60 mil pelo descumprimento atual e R$ 30 mil por cada nova violação, buscando criar um precedente dissuasório.
- O TSE se vê no centro de uma tensão institucional crescente, pressionado a demonstrar que suas ordens têm força real sobre candidatos ao mais alto cargo do país.
No segundo turno das eleições presidenciais de 2022, a campanha de Lula retornou ao Tribunal Superior Eleitoral pela quarta vez para denunciar Bolsonaro por publicações que o associavam ao PCC e a um suposto voto de Marcola — posts que o ministro Alexandre de Moraes já havia classificado como inverídicos. A ação, movida em 8 de outubro, pedia multa de sessenta mil reais e a remoção imediata das publicações, revelando uma disputa que ia além das redes sociais: tratava-se de saber até onde um candidato à presidência pode desafiar as decisões da mais alta corte eleitoral do país.
No sábado, 8 de outubro de 2022, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva apresentou sua quarta denúncia ao Tribunal Superior Eleitoral contra Jair Bolsonaro. O alvo eram posts que afirmavam que Marcola, apontado como líder do PCC, havia declarado voto em Lula — publicações que, segundo os petistas, violavam decisões anteriores da corte.
O contexto era carregado. Horas antes, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino havia ordenado à própria coligação de Lula que removesse propaganda ligando Bolsonaro ao canibalismo. A resposta petista veio rápida, na forma de uma nova representação que acusava o presidente de atropelar as ordens do tribunal.
A base legal da ação era sólida para os advogados de Lula: no primeiro turno, o ministro Alexandre de Moraes já havia determinado a remoção de publicações similares, classificando os diálogos transcritos por Bolsonaro como 'inverídicos e descontextualizados'. Segundo Moraes, os textos tratavam de condições carcerárias e tinham apenas conotação política — sem qualquer declaração de voto.
Mesmo assim, Bolsonaro voltou a publicar. A campanha petista contabilizou quatro novos posts no Twitter e foi ao TSE pedindo multa de R$ 60 mil, remoção imediata do conteúdo e proibição de novas publicações sobre o tema. Para futuras violações, pedia R$ 30 mil adicionais por cada descumprimento. A palavra escolhida pelos advogados foi precisa: queriam uma punição 'exemplar' — não apenas para corrigir Bolsonaro, mas para sinalizar a todos os candidatos as consequências de desafiar a corte eleitoral.
O episódio capturava a intensidade da disputa presidencial de 2022: ambos os lados acionavam a justiça repetidamente, e o que estava verdadeiramente em jogo era a autoridade do TSE diante de um candidato disposto a testar seus limites.
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao Tribunal Superior Eleitoral no sábado, 8 de outubro, com uma quarta denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro. Desta vez, os advogados petistas pediam uma condenação de sessenta mil reais e a remoção imediata de posts que associavam o ex-presidente ao PCC — especificamente, publicações que alegavam ter Marcola, apontado como líder da organização criminosa, declarado voto em Lula.
O timing da ação não era casual. Poucas horas antes, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino havia ordenado à coligação que apoiava Lula a remover sua própria propaganda, que ligava Bolsonaro ao canibalismo. A petista, portanto, vinha responder com uma investida própria, argumentando que o presidente estava violando decisões anteriores da corte.
O pano de fundo era uma ordem já existente. No primeiro turno das eleições, o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE, havia determinado a remoção de publicações similares. Na ocasião, Moraes foi claro: os diálogos transcritos por Bolsonaro eram "inverídicos e descontextualizados". Embora os textos mencionassem uma discussão entre Marcola e outros interlocutores sobre os dois candidatos, não havia qualquer declaração de voto. Os diálogos, segundo Moraes, tratavam principalmente de condições carcerárias e tinham apenas "conotação política".
Mas Bolsonaro havia publicado novamente. Segundo a representação levada ao TSE, o presidente fez quatro posts no Twitter que, na visão da campanha petista, "atropelavam os termos" das decisões da corte. Os advogados de Lula argumentavam que era "imperioso" que Bolsonaro cumprisse os despachos do tribunal eleitoral. A petição enfatizava que o presidente estava desdenha da instituição — uma palavra forte, escolhida para reforçar a gravidade da alegada desobediência.
Além da multa de sessenta mil reais pelo descumprimento, a campanha pedia que os posts fossem removidos e que Bolsonaro fosse proibido de publicar novamente sobre o tema. Caso descumprisse essa nova ordem, haveria uma multa adicional de trinta mil reais por cada violação. Os advogados petistas pediam que a punição fosse "exemplar" — uma palavra que sinalizava que não se tratava apenas de corrigir o comportamento, mas de enviar um sinal claro a outros candidatos sobre as consequências de desafiar as decisões do tribunal.
O caso refletia a intensidade da campanha presidencial de 2022, com ambos os lados acionando a justiça eleitoral repetidamente. Lula já havia ido ao TSE três vezes antes desta quarta ação. A campanha de Bolsonaro, por sua vez, enfrentava pressão para cumprir as ordens da corte enquanto mantinha sua estratégia de campanha. O que estava em jogo não era apenas uma multa ou a remoção de posts — era a questão de se um candidato presidencial poderia desafiar as decisões do tribunal superior eleitoral sem consequências significativas.
Bemerkenswerte Zitate
Os diálogos transcritos apresentam apenas conotação política e não existe declaração de voto— Ministro Alexandre de Moraes, em decisão anterior do TSE
É inconcebível um candidato ao mais alto cargo do Poder Executivo desdenhar deste Tribunal Superior Eleitoral— Representação da campanha de Lula ao TSE