Estevão comprou direitos comerciais da Série D e negociou patrocínio direto com Will Bank, transmitindo 126 jogos no YouTube com 12,5 milhões de visualizações. Acordo não teve comunicado público; especialistas estimam valores baixos devido à baixa atratividade da competição e altos custos de produção (R$ 40 mil por partida).
Luiz Estevão negocia patrocínio inédito da Série D com Will Bank em colapso
Transmitir a quarta divisão era sobre trazer leitores, não lucro
Por que um empresário compraria direitos de uma divisão que ninguém quer transmitir?
Porque ele viu uma oportunidade diferente. Não era sobre lucro direto com a Série D — era sobre trazer leitores novos para seu portal de notícias. Futebol atrai público. Mesmo a quarta divisão.
Mas os números mostram que não foi tão lucrativo assim. Custos de R$ 40 mil por partida, e a competição tem baixa atratividade.
Exato. Por isso especialistas dizem que os valores negociados com o Will Bank provavelmente foram baixos. Estevão estava apostando em volume — 126 jogos, 12,5 milhões de visualizações. Cada visualização é um potencial leitor.
E o Will Bank? Por que um banco em dificuldades investiria em naming rights de algo tão pouco atrativo?
Porque estava em uma fase agressiva de expansão de marca. Vorcaro havia comprado o Will em fevereiro de 2024 e estava investindo pesadamente em propaganda, em diferentes veículos e com jogadores. Era parte de uma estratégia maior.
Mas o banco entrou em colapso poucos meses depois.
Sim. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro, e do Will em janeiro. Investigações mostram que venderam bilhões em carteiras de crédito inexistentes. O acordo com Estevão foi fechado em meio a tudo isso.
Estevão está envolvido em investigações criminais também, certo?
Ele responde a uma ação civil pública que o acusa de chefiar uma organização criminosa. Mas continua operando — comprando direitos da CBF, transmitindo eventos, negociando com bancos. É um ambiente onde as coisas acontecem mesmo quando há sombras.
O que muda para 2026?
A CBF abriu novas propostas para os direitos comerciais da Série D. Estevão diz que está sendo pressionado para comprar novamente. Mas agora o Will Bank não existe mais. Será preciso encontrar outro patrocinador.
O Pulso
- Luiz Estevão comprou direitos comerciais da Série D e negociou naming rights com Will Bank
- Metrópoles transmitiu 126 jogos com 12,5 milhões de visualizações em 2025
- Banco Master entrou em liquidação extrajudicial em novembro; Will Bank em janeiro
- Custos de produção: R$ 40 mil por partida; valores do acordo não foram divulgados
Estevão comprou direitos comerciais da Série D e negociou patrocínio direto com Will Bank, transmitindo 126 jogos no YouTube com 12,5 milhões de visualizações. Acordo não teve comunicado público; especialistas estimam valores baixos devido à baixa atratividade da competição e altos custos de produção (R$ 40 mil por partida).
Empresário Luiz Estevão fechou acordo inédito de naming rights da Série D do Brasileiro com Will Bank, braço digital do Banco Master de Daniel Vorcaro, após comprar direitos comerciais da CBF.
Luiz Estevão, empresário e ex-senador dono do portal Metrópoles, fechou um acordo comercial inédito para a quarta divisão do Campeonato Brasileiro. Após comprar os direitos comerciais da Série D junto à CBF, ele negociou diretamente com o Will Bank — braço digital do Banco Master de Daniel Vorcaro — os direitos de nomeação da competição de 2025. O contrato previa não apenas o naming rights, mas também o patrocínio das transmissões dos jogos no canal do Metrópoles no YouTube.
A competição começou em 19 de abril de 2025, mas o acordo só ganhou forma pública meses depois. O Metrópoles e a CBF anunciaram, em julho, um acordo de transmissão. As primeiras partidas foram exibidas gratuitamente no YouTube na 11ª rodada, com 15 jogos nos dias 5 e 6 de julho. A logomarca do Will Bank só apareceu nas placas de publicidade dos campos a partir de 26 de julho, na 14ª rodada. Não houve comunicados públicos sobre a venda dos naming rights, e o valor negociado permanece desconhecido. Pessoas que atuam no mercado de direitos de transmissão estimam que os valores não foram relevantes, já que a Série D tem baixa atratividade comercial e geralmente não é rentável para quem exibe o torneio. Os custos de produção são altos — em média R$ 40 mil por partida — e a CBF não arca com essas despesas, o que explica por que há poucos interessados ano após ano.
Estevão afirma que seu veículo transmitiu 140 partidas, embora o YouTube liste 126 jogos. No total, as transmissões tiveram 12,5 milhões de visualizações. O jogo mais assistido foi a primeira partida da final entre Santa Cruz (PE) e Barra (SC), no dia 27 de setembro, com 1,1 milhão de espectadores. O menos popular foi entre GAS (RR) e Independência (AC), com 5,4 mil visualizações. A média por transmissão ficou em 99,7 mil espectadores. O Barra, time de Balneário Camboriú em Santa Catarina, venceu o campeonato na final disputada em 4 de outubro.
O empresário argumenta que a estratégia funcionou. Ele diz ter recebido reconhecimento dos clubes pela visibilidade oferecida e afirma estar sendo pressionado para adquirir os direitos da Série D novamente em 2026. Segundo Estevão, o patrocinador busca visibilidade, e o fato de o Metrópoles transmitir oferece aos clubes a possibilidade de dar grande alcance ao seu patrocinador. Ele também argumenta que as transmissões trazem potenciais leitores ao seu portal de notícias e novos seguidores ao canal do YouTube da empresa. Antes da publicação desta reportagem, Estevão divulgou a gravação de uma conversa telefônica com o repórter, sugerindo que o Estadão se tornasse parceiro do Metrópoles na transmissão da Série D.
O contexto em que esse acordo foi fechado, porém, é turbulento. Estevão responde a uma ação civil pública movida pelo Gaeco do Ministério Público do Distrito Federal que o acusa de chefiar uma organização criminosa que enriqueceu às custas do erário distrital. A investigação, chamada Operação Al Capone, afirma que seu grupo econômico não paga IPTU deliberadamente, cometeu fraudes em negociações de imóvel da Terracap e transacionou valor bilionário por contas de empresas de fachada.
O Will Bank, por sua vez, entrou em colapso. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro por grave crise de liquidez, indícios de irregularidades e incapacidade de honrar dívidas — uma das maiores intervenções da história do sistema financeiro brasileiro. Com a liquidação, o Will Bank entrou em Regime de Administração Especial Temporária (Raet). Em 21 de janeiro, o BC também decretou a liquidação do Will. A liquidação extrajudicial interrompe o funcionamento da instituição e a retira do Sistema Financeiro Nacional, fechando-a completamente.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, havia comprado o Will em fevereiro de 2024. A fintech havia sido fundada quatro anos antes para oferecer serviços bancários e investimentos a um público desbancarizado, com foco na região Nordeste. Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal detectaram indícios de que a instituição vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB — banco público do Distrito Federal — e entregou documentos falsos ao Banco Central para justificar o negócio. O BRB havia tentado comprar parte do Banco Master em março, mas o BC reprovou a operação em setembro.
Para 2026, a CBF informou que está em fase de recebimento de propostas e negociação com novos interessados nos direitos comerciais da Série D. O acordo de Estevão com o Will Bank terminou em 2025. Enquanto isso, o empresário continua operando eventos esportivos em Brasília, incluindo a Supercopa Rei, cujos direitos ele compra da CBF desde 2023. O BRB é um de seus principais parceiros nessas realizações.
Citações Notáveis
O patrocinador está em busca de visibilidade, e o fato de o Metrópoles transmitir dá ao clube a possibilidade de oferecer ao seu patrocinador um grande alcance— Luiz Estevão
A CBF está em fase de recebimento de propostas e negociação com novos interessados nos direitos comerciais da Série D, que será realizada normalmente, conforme o calendário previsto— CBF