Num momento em que a L'Oréal anunciou crescimento de 7,7% no trimestre encerrado em setembro, seu presidente-executivo, Nicolas Hieronimus, voltou a atenção dos investidores para uma sombra que se estende sobre o próprio negócio: as canetas emagrecedoras. Os medicamentos da classe GLP-1, que suprimem o apetite e levam a perdas rápidas de peso, já alteram a maneira como as pessoas cuidam da pele e se embelezam. Diante disso, a gigante da beleza transforma a mudança em caminho, buscando produtos que respondam à flacidez que pode surgir com o emagrecimento veloz.
L'Oréal diz que canetas emagrecedoras já afetam vendas de beleza e cuidados com a pele
Um fenômeno muito importante para nós
Por que um CEO de beleza está falando de remédio para emagrecer?
Porque Nicolas Hieronimus disse que os GLP-1 já têm impacto no consumo de beleza, em especial de cuidados com a pele. Ele chamou o fenômeno de muito importante para a empresa.
Vale notar: ele não deu números desse impacto. Sabemos que há efeito, não quanto ele pesa.
E as vendas? Caíram?
Não. Cresceram 7,7% no trimestre até setembro, acima do esperado pelos analistas.
Então o efeito citado convive com resultado forte. O texto não diz que categorias perderam nem onde.
Qual a ligação com a pele?
A perda rápida de peso pode causar flacidez em algumas pessoas, inclusive no rosto, embora o medicamento não a cause diretamente.
E o que a L'Oréal faz?
SkinCeuticals e Kiehl's têm produtos pensados para uso junto com os GLP-1, e a empresa tem 20% da Galderma, que faz Sculptra e Restylane.
Os ensaios clínicos vêm da Reuters e ainda não têm resultados divulgados. E a pesquisa da Galderma, de que a grande maioria notou mudanças no rosto, é da própria empresa, que vende soluções para isso.
The Pulse
- A CEO e presidente-executivo Nicolas Hieronimus admite que o uso de GLP-1 já pesa sobre o consumo de cuidados com a pele, um dado que inquieta o setor.
- Mesmo com o impacto dos medicamentos, as vendas do grupo subiram 7,7% até setembro e superaram as expectativas dos analistas.
- A perda rápida de peso pode provocar flacidez facial, e a L'Oréal age para transformar esse efeito colateral em nova frente de receita.
- SkinCeuticals e Kiehl's desenvolvem produtos para acompanhar o uso de GLP-1, enquanto a participação de 20% na Galderma leva a empresa à estética clínica.
- Os ensaios clínicos com usuários de GLP-1 ainda definem se essa aposta vai se confirmar como o próximo grande movimento do grupo.
Num momento em que a L'Oréal anunciou crescimento de 7,7% no trimestre encerrado em setembro, seu presidente-executivo, Nicolas Hieronimus, voltou a atenção dos investidores para uma sombra que se estende sobre o próprio negócio: as canetas emagrecedoras. Os medicamentos da classe GLP-1, que suprimem o apetite e levam a perdas rápidas de peso, já alteram a maneira como as pessoas cuidam da pele e se embelezam. Diante disso, a gigante da beleza transforma a mudança em caminho, buscando produtos que respondam à flacidez que pode surgir com o emagrecimento veloz.
Na quinta-feira (22), a L'Oréal divulgou um resultado que superou o que os analistas esperavam: as vendas cresceram 7,7% nos três meses encerrados em setembro. Na conversa com investidores, porém, o presidente-executivo Nicolas Hieronimus dedicou atenção a um fator que já pesa sobre o negócio, o avanço das canetas emagrecedoras.
Hieronimus afirmou que o mercado de beleza tem se mostrado resiliente num cenário global desafiador, mas descreveu o uso de medicamentos GLP-1 como "um fenômeno muito importante". Segundo ele, esses remédios, desenvolvidos para o diabetes e conhecidos por nomes como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, já afetam o consumo de produtos de beleza, sobretudo os de cuidados com a pele.
Há ainda um efeito indireto. A perda rápida de peso pode provocar flacidez, inclusive no rosto, e é aí que a empresa enxerga uma oportunidade. SkinCeuticals e Kiehl's oferecem produtos pensados para atuar junto com os GLP-1. Em dezembro passado, a companhia também elevou para 20% sua participação na Galderma, dermatológica dona do Sculptra e do Restylane. Uma pesquisa interna da empresa já mostrara que a grande maioria dos usuários desses remédios notara mudanças no rosto.
O quadro combina um impacto reconhecido com um crescimento robusto. O que agora se aguarda são os resultados dos ensaios clínicos conduzidos com usuários de GLP-1.
Na quinta-feira (22), a L'Oréal divulgou que suas vendas cresceram 7,7% nos três meses encerrados em setembro, resultado acima do que os analistas esperavam. Na conversa com investidores que acompanhou o balanço, porém, o presidente-executivo da companhia, Nicolas Hieronimus, dedicou atenção a um fator que já pesa no negócio: o uso crescente das chamadas canetas emagrecedoras.
Hieronimus afirmou que o mercado de beleza tem mostrado resiliência num cenário global desafiador. Em seguida, descreveu o uso de medicamentos da classe GLP-1 como "um fenômeno muito importante" para a empresa. Segundo ele, o avanço desses remédios estava tendo impacto no consumo de produtos de beleza e, em particular, no de produtos para cuidados com a pele.
Os GLP-1 ganharam popularidade nos últimos anos. Medicamentos desenvolvidos para tratar o diabetes, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, mostraram também provocar perda significativa de peso, ao suprimir o apetite. A L'Oréal, dona de marcas como Maybelline e La Roche-Posay, passou a lidar com as consequências desse movimento sobre o comportamento do consumidor.
Há ainda um efeito indireto relevante para o setor. Embora não seja causada diretamente pelos medicamentos, a perda rápida de peso pode provocar, em algumas pessoas, flacidez da pele, inclusive no rosto. É nesse ponto que a empresa tenta transformar o problema em oportunidade.
Hieronimus disse que duas marcas do grupo, SkinCeuticals e Kiehl's, oferecem produtos desenvolvidos para atuar em conjunto com os GLP-1 e complementar seus efeitos sobre a flacidez, além de outras consequências associadas ao emagrecimento rápido.
A companhia também ampliou sua presença na estética clínica. Em dezembro do ano passado, elevou para 20% sua participação na empresa de dermatologia Galderma. De acordo com a agência Reuters, as duas empresas testam produtos em ensaios clínicos distintos, com usuários de GLP-1 preocupados com a flacidez da pele.
A Galderma é dona do Sculptra, injetável que estimula a produção de colágeno, e do Restylane, preenchedor dérmico injetável. No ano passado, divulgou um relatório sobre o aumento do uso de GLP-1 e as preocupações com mudanças na aparência facial. Uma pesquisa da própria companhia com usuários desses medicamentos constatou que a grande maioria havia notado alterações no rosto depois de começar o tratamento.
O quadro, portanto, combina um impacto reconhecido sobre o consumo de cuidados com a pele e um crescimento de 7,7% no trimestre. O que fica para acompanhar são os resultados dos ensaios clínicos conduzidos pela L'Oréal e pela Galderma com usuários de GLP-1.
Notable Quotes
O uso de GLP-1 está tendo impacto no consumo de produtos de beleza e, em particular, de cuidados com a pele.— Nicolas Hieronimus, presidente-executivo da L'Oréal