Longevidade e cognição: cérebro preparado para envelhecer bem

sempre há espaço para recomeçar, para repensar as escolhas
A psicóloga Ilana Pinsky desafia o mito de que há uma idade certa para reinventar a vida.
Mark

Por que essa conversa sobre envelhecimento é tão urgente agora, especificamente?

Mimi

Porque o Brasil tem 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, e esse número cresce em 1,1 milhão por ano. Não é mais algo distante — é a realidade de milhões de famílias hoje.

Luke

Mas esses números do IBGE de 2024 — eles refletem a população atual ou são projeções? Porque há diferença entre o que já existe e o que está previsto.

Mark

E o que as especialistas estão dizendo que é diferente do que já sabemos sobre envelhecimento saudável?

Mimi

Elas estão desafiando a ideia de que há uma idade certa para fazer coisas. Pinsky diz que sempre dá para reinventar um projeto de vida, em qualquer idade. Isso não é apenas psicologia — tem base em neurociência sobre plasticidade cerebral.

Luke

Isso é importante, mas o livro delas oferece ferramentas práticas ou é mais uma reorientação conceitual? Porque há diferença entre saber que é possível e saber como fazer.

Mark

Sharon Simon menciona que hábitos saudáveis precisam estar em políticas públicas. O que ela quer dizer com isso?

Mimi

Que exercício e alimentação balanceada não podem ser responsabilidade só do indivíduo. Se apenas quem tem dinheiro consegue acessar esses hábitos, estamos criando desigualdade na velhice.

Luke

Isso é verdade, mas o programa oferece exemplos de que políticas públicas estão mudando nesse sentido? Ou é mais um diagnóstico do problema?

Mark

E a solidão — por que isso aparece tão centralmente na conversa?

Mimi

Porque isolamento social afeta cognição, saúde mental e até física. Ter propósito e estar conectado não é extra — é fundamental para envelhecer bem.

Luke

Eles mencionam dados sobre o impacto da solidão em idosos brasileiros especificamente, ou é conhecimento geral?

Mark

Então o programa é mais sobre mindset ou sobre ação concreta?

Mimi

Acho que é os dois — muda como você pensa sobre seus próprios anos à frente, mas também aponta para o que precisa mudar em termos de acesso e política.

  • Com 36 milhões de idosos e crescimento acelerado, o Brasil enfrenta uma transição demográfica sem precedentes que a sociedade ainda não absorveu por completo.
  • O maior obstáculo ao envelhecimento saudável pode não ser biológico: mitos culturais sobre 'a idade certa para as coisas' paralisam projetos de vida antes do tempo.
  • A solidão emerge como risco silencioso tão grave quanto o sedentarismo — estar conectado a uma comunidade e ter propósito são tratados como necessidades, não como privilégios.
  • Especialistas alertam que hábitos saudáveis não podem depender apenas da iniciativa individual; sem políticas públicas, o envelhecimento bem-sucedido permanece inacessível para a maioria.
  • O debate ganha forma em livro e programa de áudio-vídeo, levando a neurociência e a psicologia do envelhecimento a um público mais amplo no Veja+ e no Spotify.

O Brasil acumula, a cada ano, mais 1,1 milhão de cidadãos com 60 anos ou mais — uma transformação demográfica que já não pertence ao futuro, mas ao presente. Diante dessa realidade, a neuropsicóloga Sharon Sanz Simon e a psicóloga Ilana Pinsky propõem que envelhecer bem não é apenas uma questão de biologia, mas de cultura, propósito e equidade. A longevidade, ensinam elas, exige tanto plasticidade pessoal quanto políticas públicas que tornem o cuidado acessível a todos.

O Brasil envelhece em ritmo acelerado e concreto: 36 milhões de brasileiros já têm 60 anos ou mais, e esse contingente cresce 1,1 milhão a cada ano, segundo o IBGE. Reconhecer esse dado, porém, está longe de significar estar preparado para envelhecer com qualidade física, mental e cognitiva.

Para preencher essa lacuna, a neuropsicóloga Sharon Sanz Simon e a psicóloga Ilana Pinsky — colunista de VEJA e coautora do livro Longevidade Hoje — participaram de um episódio do programa Veja e Cuide-se, conduzido pelo jornalista Diogo Sponchiato. A conversa parte de uma premissa desafiadora: os maiores entraves ao envelhecimento bem-sucedido são, muitas vezes, culturais antes de serem biológicos.

Pinsky questiona o mito de que existe uma idade certa para reinventar a própria vida. Apoiada em pesquisas sobre plasticidade cerebral, ela defende que recomeçar é possível em qualquer fase — e que essa convicção não é apenas otimismo, mas ciência. Simon, por sua vez, amplia o debate para além do indivíduo: exercício, alimentação equilibrada e saúde cognitiva precisam estar garantidos por políticas públicas, pois sem acesso universal essas práticas tornam-se privilégio de poucos.

O programa também destaca a solidão como fator crítico e frequentemente ignorado. Ter propósito, manter vínculos sociais e sentir-se parte de uma comunidade são descritos não como bônus, mas como pilares do envelhecimento saudável. O episódio está disponível no Veja+, no streaming da VEJA SAÚDE e no Spotify.

O Brasil está envelhecendo. Não é uma tendência futura ou uma possibilidade remota — é um fato presente e irreversível. Segundo dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 36 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais. A cada ano, esse número cresce em 1,1 milhão de novos idosos. O Ministério da Saúde reconhece essa transformação demográfica como uma realidade concreta que já está aqui. Mas reconhecer que estamos envelhecendo é diferente de estar preparado para envelhecer bem.

Essa lacuna — entre viver mais tempo e viver com qualidade física, mental e cognitiva — é o ponto de partida para um novo programa do Veja e Cuide-se, conduzido pelo jornalista Diogo Sponchiato. O episódio reúne duas especialistas que decidiram enfrentar a questão de frente: a neuropsicóloga Sharon Sanz Simon e a psicóloga Ilana Pinsky, colunista de VEJA, que escreveram juntas o livro Longevidade Hoje: O Que A Neurociência e a Psicologia Falam Sobre Envelhecer Bem Em Qualquer Idade, publicado pela Fósforo Editora.

Para Pinsky, um dos maiores obstáculos não é biológico, mas cultural. Existe um mito profundamente enraizado de que há uma idade certa para fazer as coisas, de que passado um ponto, não se pode mais reinventar um projeto de vida. Ela discorda radicalmente dessa ideia. Segundo a psicóloga, sempre há espaço para recomeçar, para repensar as escolhas, para traçar novos caminhos — independentemente de quantos anos a pessoa tenha. Essa perspectiva não é apenas otimista; ela tem raízes em pesquisa científica sobre plasticidade cerebral e capacidade de adaptação ao longo da vida.

Mas a reinvenção pessoal não acontece no vácuo. Simon enfatiza que as recomendações de estilo de vida saudável — exercício físico regular, alimentação balanceada — não podem ser responsabilidade apenas do indivíduo. Essas práticas precisam estar inscritas nas políticas públicas de saúde, porque precisam estar acessíveis a todos, não apenas aos que têm recursos para buscá-las por conta própria. A saúde cognitiva e física na velhice é, portanto, uma questão que atravessa tanto a neurociência e a psicologia quanto a política e a equidade.

O programa também toca em um fator frequentemente negligenciado nas discussões sobre longevidade: a solidão. Combater o isolamento social é tão importante quanto manter a atividade física ou seguir uma dieta adequada. Ter propósito, estar conectado a outras pessoas, sentir-se parte de uma comunidade — esses elementos não são luxo, são componentes essenciais de um envelhecimento bem-sucedido.

O episódio foi ao ar no Veja+, no streaming da VEJA SAÚDE e também está disponível no Spotify para quem prefere apenas ouvir. A conversa entre as duas especialistas oferece não apenas informação, mas também uma reorientação de como pensamos sobre os anos que virão — tanto para quem já está envelhecendo quanto para quem está se preparando para isso.

Sempre dá para a gente reinventar um projeto de vida
— Ilana Pinsky, psicóloga
As recomendações de estilo de vida precisam estar no plano da política pública, porque elas têm que ser para todo mundo
— Sharon Sanz Simon, neuropsicóloga
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