Lisboa liberta 30 mil mosquitos estéreis para controlar população de mosquito-tigre

Reduzir a população sem pesticidas em larga escala
O projeto testa se insetos estéreis podem controlar o mosquito-tigre-asiático sem recurso a químicos generalizados.
Mark

Porque é que escolheram Alvalade especificamente para este teste?

Mimi

A freguesia tem as características ideais — vegetação e espaços verdes que o mosquito-tigre adora. Se o projeto vai funcionar em algum lado, tem de ser num sítio onde o inseto já está bem estabelecido.

Luke

Mas isso significa que estão a libertar 30 mil mosquitos numa zona que já tem uma população selvagem. Como sabem que os números que medem depois vêm dos estéreis e não apenas da população que já lá estava?

Mark

Exatamente. Como é que a primeira fase responde a isso?

Mimi

A primeira fase não tenta responder. Está apenas a observar. Querem saber para onde vão os mosquitos libertados, quanto tempo vivem, como se dispersam. É informação básica que precisam antes de poderem desenhar um teste de eficácia real.

Luke

Portanto, em setembro, não sabem se isto está a funcionar. Sabem apenas se os mosquitos conseguem sobreviver e voar.

Mark

E a segunda fase é quando finalmente testam se reduz a população?

Mimi

Sim. Em maio de 2027, se os dados forem bons, vão comparar uma zona com libertação de estéreis com uma zona de controlo sem intervenção. Aí sim veem se há diferença.

Luke

Mas isso é um ano inteiro de espera. Muita coisa pode mudar — clima, população selvagem, comportamento do inseto. E ainda assim, um estudo comparativo entre duas zonas vizinhas tem limitações óbvias.

Mark

Qual é o risco real que este projeto tenta evitar?

Mimi

O mosquito-tigre pode transmitir dengue, zika, febre-amarela. O risco é quando um mosquito infetado pica alguém doente e depois pica outra pessoa saudável. Reduzir a população de mosquitos reduz esse risco.

Luke

Mas nenhum destes mosquitos está infetado, certo? Estão apenas a reduzir números, não a eliminar vírus que já circulam.

  • O mosquito-tigre-asiático já está estabelecido em Lisboa e representa uma ameaça real de transmissão de dengue, zika e febre-amarela — doenças que a cidade não pode ignorar.
  • Sessenta mil mosquitos estéreis já foram libertados em Alvalade, encerrando a primeira fase de um projeto que desafia os métodos convencionais de controlo de pragas.
  • Os investigadores ainda não medem vitórias: esta fase serve para entender como os insetos se dispersam, sobrevivem e se movem pelo terreno urbano.
  • A segunda fase, prevista para maio de 2027, introduzirá um teste comparativo rigoroso entre zonas com e sem intervenção — o verdadeiro momento da verdade.
  • Por detrás do projeto está uma rede alargada de entidades portuguesas e internacionais, incluindo financiamento da Agência Internacional de Energia Atómica da ONU.

Numa quinta-feira de setembro, Lisboa tornou-se palco de um experimento silencioso mas carregado de significado: trinta mil mosquitos machos estéreis foram soltos em Alvalade, numa tentativa de interromper o ciclo de reprodução do mosquito-tigre-asiático sem recorrer a pesticidas. A cidade enfrenta, com paciência científica, a ameaça de doenças como dengue e zika, apostando na natureza do próprio inseto como arma contra si mesmo. É um gesto que coloca Lisboa na vanguarda de uma abordagem biológica que, se bem-sucedida, poderá reescrever a forma como as cidades europeias lidam com vetores de doenças tropicais.

Lisboa soltou 30 mil mosquitos machos estéreis nas ruas de Alvalade numa quinta-feira de setembro. Estes insetos, da espécie Aedes albopictus, não picam — apenas as fêmeas o fazem — e foram esterilizados através de uma técnica comprovada. Quando acasalarem com fêmeas selvagens, não produzirão descendência viável, quebrando assim o ciclo reprodutivo do mosquito-tigre-asiático.

Este foi o terceiro e último lote da primeira fase de um projeto experimental mais amplo, elevando para 60 mil o total de mosquitos libertados na cidade. O objetivo é reduzir a população de um inseto capaz de transmitir dengue, zika e febre-amarela. Afonso Moreira, médico de Saúde Pública, esclareceu que esta fase inicial não visa ainda medir reduções populacionais, mas sim compreender o comportamento dos insetos no terreno: como se dispersam, quanto tempo sobrevivem e como se movem por Alvalade — uma freguesia escolhida precisamente por reunir as condições ideais para o mosquito-tigre prosperar.

A segunda fase está prevista para maio de 2027, caso os dados sejam favoráveis. Nessa altura, os investigadores libertarão mosquitos estéreis numa zona e deixarão outra sem intervenção, comparando depois os números para avaliar a eficácia real do método. O projeto conta com apoio da Agência Internacional de Energia Atómica e envolve a Direção-Geral da Saúde, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia de Alvalade e parceiros internacionais como a empresa espanhola Tragsa.

O que está verdadeiramente em jogo é a possibilidade de controlar uma praga urbana sem pesticidas em larga escala. Se o modelo funcionar em Alvalade, poderá ser replicado noutras zonas da cidade ou do país — uma promessa discreta, mas com implicações profundas para a saúde pública portuguesa.

Lisboa acaba de soltar 30 mil mosquitos machos estéreis nas ruas de Alvalade, numa quinta-feira de setembro, como parte de um experimento para conter o mosquito-tigre-asiático. Estes insetos, da espécie Aedes albopictus, não picam — só os mosquitos fêmea precisam de sangue para reproduzir. O que torna este lote especial é que foram esterilizados através de uma técnica já comprovada e segura, o que significa que quando acasalarem com fêmeas selvagens, não produzirão descendência viável.

Este é o terceiro lote de um projeto experimental mais amplo. Até agora, 60 mil mosquitos desta natureza foram libertados na cidade, e esta última remessa marca o fim da primeira fase de testes. O objetivo é simples em teoria, complexo na execução: reduzir a população de um inseto que pode transmitir dengue, zika e febre-amarela. O risco real surge quando um mosquito infetado pica uma pessoa doente e depois transmite o vírus a outra pessoa saudável — um ciclo que a cidade quer interromper.

Afonso Moreira, médico de Saúde Pública da Unidade de Saúde Pública Francisco George, explicou que nesta fase inicial o foco não é ainda medir o sucesso da redução populacional. Em vez disso, os investigadores querem compreender como estes insetos se comportam no terreno: até onde se dispersam, quanto tempo sobrevivem, como se movem pela zona de Alvalade. A escolha desta freguesia não foi aleatória. Alvalade tem vegetação e logradouros que criam as condições ideais para que o mosquito-tigre prospere — exatamente o tipo de ambiente onde o inseto selvagem já está estabelecido.

A segunda fase do projeto está marcada para maio de 2027, caso os dados da primeira etapa sejam favoráveis. Nessa altura, o plano muda. Os investigadores pretendem libertar mosquitos estéreis numa zona e deixar outra zona vizinha como controlo, sem qualquer intervenção. Depois comparam os números: há diferença na população de mosquitos entre a zona onde foram soltos os insetos estéreis e a zona onde nada foi feito? É um teste clássico de eficácia, mas exige paciência e dados sólidos da primeira fase.

O projeto tem apoio internacional e financiamento da Agência Internacional de Energia Atómica, uma organização das Nações Unidas. A execução envolve várias entidades portuguesas — a Direção-Geral da Saúde, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de Alvalade — além de parceiros internacionais com experiência em libertação de insetos estéreis, incluindo a empresa espanhola Tragsa. É um esforço coordenado que reflete a seriedade com que as autoridades de saúde veem a ameaça do mosquito-tigre-asiático na capital.

O que está em jogo é a possibilidade de controlar uma população de insetos sem recurso a pesticidas em larga escala. Se funcionar em Alvalade, o modelo pode ser replicado noutras zonas da cidade ou do país. Se não funcionar, pelo menos os dados recolhidos ajudarão a compreender melhor como este mosquito se comporta em Lisboa e que abordagens merecem ser exploradas a seguir.

O principal objetivo desta primeira fase é perceber o comportamento dos exemplares libertados, nomeadamente a sua capacidade de dispersão e sobrevivência na área de intervenção
— Afonso Moreira, médico de Saúde Pública da Unidade de Saúde Pública Francisco George
Contact Us FAQ