Jato de US$ 79,5 milhões foi comprado com 100% de recursos desviados da tesouraria do Banco Master através de rede de fundos e empresas de fachada. Aeronave foi revendida sucessivas vezes após prisão de Vorcaro, com objetivo de ocultar recursos desviados; liquidante mapeou caminho exato de cada parcela.
Liquidante rastreia R$ 414 mi de jato de Vorcaro e pede bloqueio de R$ 219 mi nos EUA
100% dos fundos saíram diretamente da tesouraria do banco
Como o liquidante conseguiu rastrear com tanta precisão o caminho de R$ 414 milhões através de tantas empresas e fundos diferentes?
Porque o dinheiro deixa rastro. Saiu da tesouraria do Banco Master, foi convertido em dólares no JPMorgan Chase em Nova York, e seguiu para a conta da Gulfstream. Cada movimento está documentado. As empresas de fachada não tinham propósito comercial real — eram apenas pontes.
Mas quantas dessas empresas e fundos sabiam que estavam canalizando dinheiro desviado? Porque há diferença entre ser uma estrutura de fachada e ser uma estrutura que foi enganada.
E por que Vorcaro precisava de tantos intermediários? Por que não comprar o jato diretamente?
Porque o dinheiro era roubado. Você não pode transferir R$ 414 milhões de uma tesouraria de banco para sua conta pessoal sem deixar um rastro óbvio. Os intermediários criam camadas de separação — ou tentam criar.
Embora, aparentemente, não tenham criado separação suficiente, já que o liquidante conseguiu rastrear tudo.
O que significa que US$ 42 milhões ainda estão retidos em conta de custódia nos EUA?
Significa que quando a aeronave foi revendida, nem todo o dinheiro foi repassado. Ficou preso na conta da IATS — a empresa que gerencia a custódia. O liquidante quer que a Justiça americana bloqueie esse dinheiro antes que desapareça.
Mas a pergunta é: por que ficou retido? Isso foi um erro administrativo, uma proteção deliberada, ou alguém já estava tentando esconder o dinheiro?
Vorcaro usava o jato para viagens pessoais — Miami, Sardenha. Isso é relevante para o caso?
Mostra que não era um ativo de investimento legítimo. Era um bem de consumo pessoal financiado com dinheiro roubado do banco. Ele viajava de luxo enquanto credores do Banco Master perdiam dinheiro.
Embora tecnicamente a defesa dele não tenha comentado nada disso, então não sabemos qual é a versão dele sobre o uso da aeronave ou sobre as revendas sucessivas.
El Pulso
- Jato Gulfstream G700 de US$ 79,5 milhões (R$ 414 milhões) financiado 100% com recursos desviados do Banco Master
- Dinheiro convertido em dólares no JPMorgan Chase em Nova York e canalizado através de rede de fundos e empresas de fachada
- US$ 42 milhões retidos em conta de custódia nos EUA; liquidante pede bloqueio à Justiça americana
- Aeronave registrada em junho de 2025 no Brasil e revendida sucessivas vezes após prisão de Vorcaro
Jato de US$ 79,5 milhões foi comprado com 100% de recursos desviados da tesouraria do Banco Master através de rede de fundos e empresas de fachada. Aeronave foi revendida sucessivas vezes após prisão de Vorcaro, com objetivo de ocultar recursos desviados; liquidante mapeou caminho exato de cada parcela.
Liquidante do Banco Master rastreou compra e revendas sucessivas do jato Gulfstream G700 de Daniel Vorcaro, financiado com recursos desviados do banco, e pede à Justiça dos EUA bloqueio de US$ 42 milhões identificados.
O liquidante do Banco Master conseguiu rastrear, com precisão de documentos e movimentações bancárias, como US$ 79,5 milhões — cerca de R$ 414 milhões — foram desviados da tesouraria do banco para financiar a compra de um jato Gulfstream G700 de luxo pertencente a Daniel Vorcaro. Agora, em petição apresentada à Justiça dos Estados Unidos, o liquidante pede o bloqueio de US$ 42 milhões identificados em conta de custódia americana, temendo que os recursos sejam dissipados. A defesa de Vorcaro não comentou o assunto.
O caminho do dinheiro foi intrincado, mas rastreável. Em dezembro de 2023, a Domus — empresa controlada por Vorcaro — assinou o contrato original para adquirir o Gulfstream. Mas a Domus funcionava como um veículo de propósito específico, uma estrutura criada unicamente para canalizar fundos desviados. O liquidante mapeou como 100% dos recursos saíram diretamente da tesouraria do Banco Master, foram convertidos em dólares através da conta do próprio banco no JPMorgan Chase em Nova York, e seguiram para a conta da fabricante do jato. Nenhum centavo veio de fontes legítimas.
Para disfarçar a origem ilícita dos recursos, uma rede de intermediários foi acionada. Fundos de investimento como o Fundo Astralo, o Fundo Máxima e o FIP Lunar funcionaram como pontes. Empresas de fachada como a Entre Investimentos e a Super Empreendimentos também participaram da operação, sem qualquer propósito comercial legítimo além de canalizar o dinheiro. Em 2021, a Entre Investimentos havia assinado um contrato para vender 100% das ações da Domus ao FIP Lunar, mas as ações nunca foram efetivamente transferidas — o controle formal permaneceu com a Entre Investimentos, mantendo Vorcaro como verdadeiro controlador de toda a cadeia corporativa e da operação da Prime Aviation.
O liquidante também identificou que um intermediário conhecido como "Mineiro" transferia recursos para estruturas offshore e de gestão de ativos, como a Mosaic Financial Ltd., especificamente para custear um trust — estrutura de proteção de ativos — em benefício de Vorcaro e para pagar despesas de seus cartões de crédito pessoais. A rastreabilidade detalhada de todas as movimentações bancárias permitiu demonstrar ao tribunal de falências norte-americano que 100% do valor de aquisição do jato pertencia ao Banco Master e seus credores, não às empresas de fachada.
A aeronave foi entregue e registrada em junho de 2025 no Registro Aeronáutico Brasileiro sob o nome de PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A., empresa integrante da estrutura de propriedade fracionada controlada por Vorcaro. Ele utilizava a aeronave para viagens pessoais para destinos como Miami e a Sardenha. Mas após sua prisão, o jato foi revendido sucessivas vezes — movimento que o liquidante interpreta como tentativa de ocultar os recursos desviados.
A Flexjet, empresa envolvida nas transações, transferiu o valor para uma conta de custódia gerenciada pela Insured Aircraft Title Services (IATS) nos EUA. A IATS repassou pelo menos US$ 42 milhões para a PS-MGG, enquanto aproximadamente US$ 42 milhões permaneceram retidos na conta. É justamente esse saldo retido que o liquidante agora pede que a Justiça americana bloqueie, impedindo que seja dissipado. O caso segue em andamento nos tribunais norte-americanos, com o liquidante apresentando documentação detalhada de cada movimento financeiro que levou à compra e às revendas sucessivas da aeronave.
Citas Notables
100% dos fundos foram retirados diretamente da tesouraria do Banco Master e convertidos em dólares por meio da conta do próprio banco no JPMorgan Chase— Liquidante do Banco Master, em petição à Justiça dos EUA