Licença-paternidade remunerada reduz depressão em homens; estudo aponta tempo ideal

Aproximadamente 6,6% dos pais de primeira viagem apresentam depressão e 11% apresentam ansiedade durante período perinatal, com impacto direto no bem-estar familiar.
Licença remunerada oferece tempo e recursos para começar bem
Pediatra que liderou estudo americano sobre impacto da licença-paternidade na saúde mental dos pais.

Tornar-se pai é uma travessia silenciosa, raramente reconhecida como o território emocional frágil que de fato é. Dois estudos recentes — um americano, outro sueco — revelam que a licença-paternidade remunerada não é apenas um benefício trabalhista, mas uma intervenção de saúde pública capaz de reduzir significativamente depressão e ansiedade em homens durante os primeiros anos da paternidade. O que emerge dessas pesquisas é uma verdade incômoda: quando a sociedade ignora a vulnerabilidade dos pais, as famílias inteiras pagam o preço.

  • Cerca de 6,6% dos pais de primeira viagem nos EUA apresentam depressão e 11% apresentam ansiedade no período perinatal — números que raramente ganham visibilidade pública.
  • Pais que recorrem à licença não remunerada têm 58% mais chance de desenvolver ansiedade, e 75% dos que adoecem mentalmente apontam barreiras financeiras como razão para não tirar a licença.
  • Pesquisadores suecos identificaram uma janela ideal: entre 14 e 40 semanas de licença reduzem significativamente os sintomas depressivos, mas o padrão não é linear — períodos muito curtos ou muito longos não oferecem o mesmo benefício.
  • A solução aponta para políticas públicas e empregadores: ampliar licenças remuneradas e normalizar seu uso pelos pais pode gerar impacto mensurável na saúde mental de toda a população.

A maternidade é amplamente reconhecida como um período de vulnerabilidade emocional. O que acontece com os homens quando se tornam pais, porém, raramente recebe a mesma atenção. Dois estudos recentes — um nos Estados Unidos, outro na Suécia — mudam esse cenário ao demonstrar que a licença-paternidade remunerada é, antes de tudo, uma questão de saúde pública.

O estudo americano analisou dados de 4.290 pais de primeira viagem e encontrou números expressivos: 6,6% apresentavam depressão e 11%, ansiedade. Entre os participantes, 54% tiveram licença remunerada, 22% não remunerada e 15% não tiraram nenhuma licença. O resultado mais revelador foi que pais com licença não remunerada tinham 58% mais probabilidade de desenvolver ansiedade do que os com licença remunerada. E entre aqueles que desejaram se afastar mas não o fizeram, os índices de depressão e ansiedade foram ainda maiores. A barreira é clara: 75% dos pais com saúde mental deteriorada citaram motivos financeiros para não solicitar a licença.

Na Suécia, pesquisadores do Instituto Karolinska acompanharam 746 pais por 18 meses e identificaram uma janela de tempo ideal. Pais que tiraram entre 14 e 40 semanas de licença apresentaram probabilidade significativamente menor de desenvolver depressão nos primeiros anos de vida dos filhos. O padrão, porém, não é simples: períodos entre 5 e 13 semanas ou superiores a 40 semanas não mostraram o mesmo benefício. O professor Michael Wells concluiu que licenças superiores a 90 dias, desde que não ultrapassem 60% do total disponível, estão associadas a melhor saúde mental paterna.

O que esses estudos revelam, em conjunto, é que a saúde mental dos homens na transição para a paternidade não é um luxo — é uma necessidade de saúde pública. Ampliar programas de licença remunerada e remover barreiras econômicas pode ter impacto real e mensurável nas famílias e nas crianças que delas dependem.

A maternidade é amplamente reconhecida como um período de vulnerabilidade emocional e psicológica. Menos atenção recebe o que acontece com os homens quando se tornam pais — até agora. Dois estudos recentes, um conduzido nos Estados Unidos e outro na Suécia, revelam que a licença-paternidade remunerada não é apenas um benefício trabalhista, mas uma questão de saúde pública com impacto profundo nas famílias e nas crianças.

Pesquisadores analisaram dados de 4.290 pais de primeira viagem participantes da Pesquisa sobre a Paternidade em Ohio de 2022-2023, uma das fontes mais abrangentes sobre as experiências dos pais durante o período perinatal nos Estados Unidos. Os números são significativos: 6,6% desses homens apresentavam depressão e 11% apresentavam ansiedade. Entre os participantes, 15% não tiraram nenhum tipo de licença, 54% tiveram licença remunerada, 22% licença não remunerada, e 9% uma combinação de ambas. Os resultados foram claros. Aqueles que recorreram a licença não remunerada tinham 58% mais probabilidade de apresentar sintomas de ansiedade em comparação com os que tiveram licença remunerada. Ainda mais preocupante: pais que desejaram tirar licença mas não o fizeram apresentaram maior probabilidade de relatar sintomas tanto de depressão quanto de ansiedade.

A barreira financeira emerge como o fator determinante. Entre os pais que apresentavam sintomas de saúde mental deteriorada, 75% apontaram motivos financeiros para não solicitar a licença parental. Desse grupo, 75% apresentavam sintomas depressivos e 71% sintomas de ansiedade. Craig Garfield, pediatra do Hospital Lurie e autor principal do estudo, afirmou que os resultados demonstram que a licença remunerada pode ajudar os novos pais na transição para a paternidade, oferecendo tempo e recursos para começar bem. Um estudo anterior de Garfield, publicado em 2025, revelou a magnitude do problema: 64% dos homens tiram menos de duas semanas de licença após o nascimento do filho, enquanto apenas 36% tiram mais de duas semanas.

Mas qual seria o tempo ideal? Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, acompanharam 746 pais suecos por 18 meses, a partir de quando seus filhos tinham cerca de 9 meses de idade. Os participantes responderam a perguntas sobre sintomas depressivos no início do estudo e novamente quando as crianças tinham cerca de 27 meses. Os dados indicaram que pais que tiram vários meses de licença-paternidade têm menor risco de desenvolver sintomas depressivos nos primeiros anos de vida dos filhos em comparação com aqueles que tiram apenas um período curto. Especificamente, pais que tiraram entre 14 e 40 semanas de licença apresentaram probabilidade significativamente menor de desenvolver sintomas de depressão do que aqueles que tiraram até quatro semanas.

O padrão, porém, não é linear. Homens que tiraram entre 5 e 13 semanas não mostraram o mesmo padrão de melhoria, assim como aqueles que se afastaram por mais de 40 semanas. Michael Wells, professor do Departamento de Saúde da Mulher e da Criança do Instituto Karolinska, concluiu que pais que tiram uma licença parental superior a 90 dias, mas que não ultrapassa 60% do total do tempo de licença disponível, podem ter melhor saúde mental.

Os resultados apontam oportunidades concretas tanto para formuladores de políticas públicas quanto para empregadores. Ampliar programas de licença parental remunerada, reduzir barreiras econômicas e normalizar o uso desse direito pelos pais poderia ter impacto mensurável na saúde da população. O que esses estudos sugerem é que a saúde mental dos homens durante a transição para a paternidade não é um luxo a ser considerado quando há recursos disponíveis — é uma necessidade de saúde pública que merece investimento e política deliberada.

A licença remunerada pode ajudar os novos pais na transição para a paternidade, oferecendo tempo e recursos para começar bem
— Craig Garfield, pediatra do Hospital Lurie
Pais que tiram uma licença parental superior a 90 dias, mas que não ultrapassa 60% do total do tempo de licença disponível, podem ter melhor saúde mental
— Michael Wells, Instituto Karolinska
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que levou tanto tempo para que alguém estudasse a saúde mental dos pais? As mães recebem atenção há décadas.

Model

A depressão pós-parto em mulheres é visível, documentada, esperada até. Com os homens, há uma espécie de invisibilidade — presume-se que eles simplesmente "voltam ao trabalho". Ninguém estava medindo o custo psicológico disso.

Inventor

E o dinheiro é realmente o fator determinante? Não poderia ser apenas que os homens não querem tirar licença?

Model

Os dados sugerem que não. Quando a licença é remunerada, os homens a usam — 54% dos participantes o fizeram. O problema é que 75% daqueles com problemas de saúde mental citaram barreiras financeiras. Não é falta de vontade; é impossibilidade econômica.

Inventor

Então por que 14 a 40 semanas é o ponto ideal? Por que não quanto mais, melhor?

Model

Isso é o fascinante. Mais de 40 semanas não mostrou o mesmo benefício. Pode ser que haja um ponto em que a licença deixa de ser sobre estar presente e começa a ser sobre estar afastado do trabalho — e isso traz sua própria ansiedade.

Inventor

Qual é o impacto real disso nas crianças?

Model

Os estudos focam na saúde mental dos pais, mas sabemos que a depressão paterna afeta o vínculo, a qualidade das interações, o desenvolvimento emocional da criança. Um pai deprimido é um pai menos disponível, mesmo que fisicamente presente.

Inventor

Isso muda algo nos Estados Unidos?

Model

Ainda não. O estudo mostra que 64% dos homens tiram menos de duas semanas. Sem política federal de licença remunerada, isso depende do empregador — e muitos não oferecem. A pesquisa fornece a evidência; agora é questão de vontade política.

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