Líbano, Israel e EUA assinam acordo trilateral de paz, mas tensões persistem

Conflito entre Israel e Hezbollah desde março de 2026 matou mais de 4.000 pessoas; acordo atual mantém deslocados libaneses impedidos de retornar às suas casas.
Nem a guerra acabou, nem a paz começou — apenas o conflito mudou de forma
Reflete a realidade do acordo trilateral que mantém Israel no Líbano enquanto nega o retorno de deslocados.

Na última sexta-feira de junho de 2026, Estados Unidos, Israel e Líbano assinaram em Washington um acordo trilateral que promete encerrar meses de conflito iniciado quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã. O documento, mediado pelo secretário Marco Rubio, carrega o peso de mais de quatro mil mortes e de dezenas de milhares de deslocados que ainda não podem retornar às suas casas. Como tantos acordos nascidos da exaustão e não da reconciliação, este parece congelar o conflito mais do que resolvê-lo — pois Israel mantém tropas no sul libanês e o Hezbollah já anuncia resistência. A paz, quando depende de assinaturas sem consenso no terreno, permanece uma promessa adiada.

  • Mais de 4.000 mortos e dezenas de milhares de deslocados acumulam-se como evidência viva de que o conflito entre Israel e Hezbollah, iniciado em março de 2026, ainda não encontrou seu fim real.
  • Netanyahu anunciou, em vídeo divulgado logo após a assinatura, que as tropas israelenses permanecerão na zona de segurança no sul do Líbano e que civis libaneses continuam proibidos de retornar às suas casas.
  • Forças israelenses lançaram panfletos sobre Mansouri ordenando a saída de moradores, enquanto autoridades libanesas relatam disparos contra civis e soldados que se aproximam da linha norte da zona ocupada.
  • O Hezbollah rejeitou o acordo publicamente: apoiadores foram às ruas de Beirute e o parlamentar Hassan Fadlallah declarou que o grupo se apegará ainda mais às suas armas.
  • O acordo assinado em Washington representa menos uma resolução do que um congelamento diplomático — com Israel controlando o sul do Líbano, deslocados impedidos de voltar e o Hezbollah prometendo resistência contínua.

Na sexta-feira, 26 de junho, os Estados Unidos, Israel e Líbano assinaram em Washington um acordo trilateral apresentado pelo secretário de Estado Marco Rubio como o primeiro passo de uma jornada difícil rumo à paz duradoura. A embaixadora libanesa Nada Moawad e o embaixador israelense Yechiel Leiter colocaram suas assinaturas no Departamento de Estado, com falas sobre soberania restaurada e caminhos abertos — mas os detalhes do documento permaneceram obscuros, e ninguém explicou como ele se diferenciava do cessar-fogo de abril que havia fracassado.

O conflito que o acordo tentava encerrar havia começado em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel em solidariedade ao Irã. A resposta israelense foi devastadora: mais de 4.000 mortos no Líbano e quatro rodadas de negociações que não conseguiram estabilizar a região. A assinatura de junho chegava carregada de esperança retórica, mas esvaziada de garantias concretas.

Binyamin Netanyahu deixou claro, em vídeo divulgado logo após o anúncio, que Israel não recuaria completamente. As tropas permaneceriam na zona de segurança no sul do Líbano até o desarmamento total do Hezbollah, e os civis deslocados continuariam proibidos de retornar. Israel concordou em se retirar apenas de duas áreas além das fronteiras que havia estabelecido em abril, mantendo o controle da maior parte do território. Na prática, dezenas de milhares de libaneses permaneceriam separados de suas casas por tempo indefinido.

A resposta do Hezbollah foi imediata e desafiadora. Apoiadores saíram às ruas de Beirute para protestar, e o parlamentar Hassan Fadlallah declarou que o grupo resistiria a qualquer medida das autoridades libanesas e se apegaria ainda mais às suas armas. O Irã, que havia condicionado suas próprias negociações de paz à resolução do conflito libanês, observava de longe enquanto seu aliado rejeitava os termos.

O que foi assinado em Washington era menos uma paz do que um congelamento — um documento com assinaturas, mas sem consenso no terreno. O sul do Líbano permanecia sob controle militar israelense, os deslocados não podiam voltar, e o Hezbollah prometia resistência. A jornada difícil de que Rubio falou parecia, ao fim do dia, mais longa do que nunca.

Na sexta-feira, 26 de junho, os Estados Unidos, Israel e Líbano colocaram suas assinaturas em um documento que prometia encerrar meses de combate na região. O secretário de Estado americano Marco Rubio apresentou o acordo trilateral após negociações em Washington, com a embaixadora libanesa Nada Moawad e o embaixador israelense Yechiel Leiter assinando o documento no Departamento de Estado. Rubio descreveu o momento como o primeiro passo de uma jornada difícil, mas essencial e necessária para restaurar a paz e a segurança duradouras.

O conflito que este acordo tentava encerrar havia começado em 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra Israel em apoio ao Irã, que havia sido atacado por americanos e israelenses semanas antes. A resposta israelense foi rápida e devastadora: ataques aéreos e terrestres que mataram mais de 4.000 pessoas no Líbano. Quatro rodadas de negociações desde abril não haviam conseguido estabelecer um cessar-fogo duradouro, deixando a região em estado de tensão contínua.

Mas os detalhes do novo acordo permaneceram obscuros. Os representantes diplomáticos não explicaram como este documento se diferenciava do acordo de cessar-fogo de 16 de abril que havia precedido as negociações. Moawad falou sobre restaurar a soberania libanesa e permitir que o povo voltasse às suas terras. O embaixador israelense Leiter afirmou que o Irã e o Hezbollah estavam fora da equação, e que o caminho para a paz estava aberto. Mas essas palavras tranquilizadoras ocultavam realidades muito mais complicadas no terreno.

Binyamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelense, deixou claro que Israel não tinha intenção de recuar completamente. Em um vídeo pré-gravado divulgado logo após o anúncio, Netanyahu afirmou que as tropas israelenses permaneceriam na chamada zona de segurança no sul do Líbano até que o Hezbollah fosse completamente desarmado. Mais importante ainda, ele negou permissão para que os civis libaneses deslocados retornassem às suas casas. A zona de segurança seria mantida em suas dimensões originais, fora do alcance de armas antitanque, e nem o Hezbollah nem a população civil poderiam entrar. Segundo o Times of Israel, Israel concordou em se retirar apenas de duas áreas além das fronteiras originais que havia estabelecido em abril, mantendo a maior parte do território ocupado.

A justificativa israelense era estratégica: o território era necessário para garantir que as cidades da fronteira norte não ficassem ao alcance dos mísseis do Hezbollah. Mas na prática, isso significava que dezenas de milhares de libaneses permaneceriam separados de suas casas indefinidamente. Na sexta-feira, forças israelenses lançaram panfletos sobre a cidade de Mansouri, no sul do Líbano, ordenando que os moradores saíssem. Um porta-voz militar israelense descreveu isso como um simples lembrete de que a área estava dentro da zona de segurança onde soldados operavam. Autoridades libanesas, porém, relatavam que tropas israelenses estavam atirando em qualquer pessoa que se aproximasse da linha norte da zona, incluindo civis e soldados libaneses.

A reação do Hezbollah foi rápida e desafiadora. Hassan Fadlallah, um parlamentar libanês ligado ao grupo, afirmou que o Hezbollah enfrentaria qualquer medida adotada pelas autoridades libanesas e se apegaria ainda mais às suas armas. Apoiadores do grupo saíram às ruas de Beirute para protestar contra o acordo. O Irã, que havia colocado a paz no Líbano como pré-requisito para negociar o fim de sua própria guerra com os Estados Unidos e Israel, observava de longe enquanto seu aliado rejeitava os termos.

O acordo assinado em Washington representava menos uma resolução e mais um congelamento de um conflito profundamente enraizado. As falas apaziguadoras dos diplomatas americanos e libaneses mascaravam uma realidade mais dura: Israel mantinha o controle militar do sul do Líbano, os deslocados não podiam voltar, e o Hezbollah prometia resistência contínua. O caminho para uma paz verdadeira e duradoura permanecia tão incerto quanto antes, agora apenas com assinaturas em um papel.

Estamos mantendo a zona de segurança original em todos os momentos. Não permitiremos que o Hezbollah entre nela, nem que a população civil entre.
— Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
O Hezbollah enfrentará qualquer medida adotada pelas autoridades do Líbano e se apegará ainda mais às suas armas.
— Hassan Fadlallah, parlamentar libanês ligado ao Hezbollah
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que Netanyahu insiste em manter as tropas no sul libanês se há um acordo de paz assinado?

Model

Porque para ele, a paz não é o fim da ocupação — é a garantia de que o Hezbollah não pode mais ameaçar as cidades do norte de Israel. A zona de segurança é, na verdade, uma ocupação permanente disfarçada de medida temporária.

Inventor

E os civis libaneses deslocados? Eles simplesmente não voltam para casa?

Model

Não, enquanto Netanyahu disser que a zona precisa estar vazia. Isso significa que dezenas de milhares de pessoas estão presas em um limbo — não há guerra oficial, mas também não há volta.

Inventor

O Hezbollah aceitou isso?

Model

Não. Eles prometem resistência. Um parlamentar ligado ao grupo disse que vão se apegar ainda mais às armas. Apoiadores saíram às ruas protestando. O acordo não resolveu nada para eles.

Inventor

Então por que os EUA e o Líbano assinaram?

Model

Porque para o Líbano, um acordo ruim é melhor que a guerra contínua. Já morreram mais de 4 mil pessoas. E para os EUA, é um passo — qualquer passo — em direção à estabilidade regional.

Inventor

E o Irã, onde fica nessa história?

Model

Fora da mesa, oficialmente. Mas o Irã disse que a paz no Líbano é pré-requisito para negociar o fim de sua própria guerra com Israel e os EUA. Então todos estão observando para ver se isso realmente funciona.

Inventor

Funciona?

Model

Não parece. Israel está lançando panfletos ordenando que civis saiam de cidades. Está atirando em qualquer um que se aproxime da zona. Isso não é paz. É ocupação com um novo nome.

Contact Us FAQ