No coração industrial de Guimarães, uma pequena empresa têxtil de trinta pessoas recusa competir pelo preço mais baixo e escolhe, em vez disso, inventar o que o mercado ainda não sabe que quer. A Lemar, com seis milhões de euros de faturação em 2025, apresentou um tecido híbrido de poliamida e lã merino a compradores europeus — uma aposta silenciosa, mas deliberada, na ideia de que a sobrevivência da indústria têxtil portuguesa passa por subir na cadeia de valor antes que a pressão asiática torne a descida inevitável.
Lemar de Guimarães fatura seis milhões e aposta em inovação têxtil
Não esperar que nos venham pedir. Tentamos inovar a todo o custo.
A Lemar é uma empresa pequena, certo? Trinta pessoas, seis milhões de euros. Como é que uma empresa deste tamanho consegue competir em inovação têxtil?
Não compete em volume. Compete em diferenciação. O novo tecido de poliamida e lã merino é um exemplo — é um produto que não existe em qualquer lugar, e foi desenvolvido especificamente para um segmento que valoriza qualidade.
Mas quanto é que isto representa em termos de receita? Sabemos que o tecido foi apresentado em quatro países europeus, mas não sabemos quantas encomendas reais já converteu.
É verdade. Manuela Araújo diz que há pessoas a experimentar, que há interesse, mas ela própria reconhece que isto demora tempo. Não há números de vendas ainda.
E a estratégia de focar em anoraques — por que é que isto muda o jogo para a Lemar?
Porque um anorak consome mais tecido do que uma camiseta ou um par de calças. Isto significa mais receita por cliente, e também significa que estão a competir num segmento diferente — não estão a vender para supermercados, estão a vender para marcas que querem qualidade.
Mas ainda não sabemos se isto está a funcionar comercialmente. Temos a intenção, temos o produto, temos o interesse inicial. Não temos as encomendas confirmadas.
Exato. É um movimento estratégico que está em curso, não um resultado já alcançado.
Qual é o risco aqui? Se a Lemar investe em inovação e o mercado não responde?
É o risco de qualquer empresa pequena que aposta em diferenciação — se o produto não encontra mercado, o investimento em desenvolvimento é perdido. Mas Manuela Araújo parece estar consciente disso. Ela diz que tem fé, mas também reconhece que isto não é de um dia para o outro.
E a faturação de seis milhões de euros — é estável? Está a crescer? O artigo não diz nada sobre a trajetória financeira da empresa.
Boa pergunta. Sabemos apenas que encerrou 2025 com esse volume. Não sabemos se é um crescimento, uma estabilização ou uma queda face a anos anteriores.
O Pulso
- A Lemar enfrenta a pressão estrutural do setor têxtil português, onde competir em volume e preço é uma batalha perdida contra mercados asiáticos de baixo custo.
- A resposta da empresa é um novo tecido híbrido — poliamida na teia, lã merino na trama — pensado para anoraques e peças de casual chic que exigem mais tecido por peça e justificam margens mais elevadas.
- O produto foi apresentado em Itália, Inglaterra, Suécia e França, gerando interesse real: amostras saíram das instalações e potenciais clientes estão a testá-lo em condições de mercado.
- A CEO Manuela Araújo reconhece que o ciclo entre apresentação e encomenda comercial é longo, mas mantém a convicção: antecipar o que o mercado ainda não pediu é a única forma de não ficar para trás.
- Com trinta trabalhadores e uma estratégia de diferenciação contínua, a Lemar posiciona-se deliberadamente longe dos produtos baratos de grande distribuição, apostando num segmento onde o chique e a função coexistem.
No coração industrial de Guimarães, uma pequena empresa têxtil de trinta pessoas recusa competir pelo preço mais baixo e escolhe, em vez disso, inventar o que o mercado ainda não sabe que quer. A Lemar, com seis milhões de euros de faturação em 2025, apresentou um tecido híbrido de poliamida e lã merino a compradores europeus — uma aposta silenciosa, mas deliberada, na ideia de que a sobrevivência da indústria têxtil portuguesa passa por subir na cadeia de valor antes que a pressão asiática torne a descida inevitável.
Na zona industrial de Guimarães, a Lemar funciona como um laboratório têxtil de escala humana. Com trinta trabalhadores e uma faturação de seis milhões de euros em 2025, a empresa é liderada pela CEO Manuela Araújo com uma convicção clara: não esperar que o mercado faça pedidos, mas chegar antes dele com produtos que ainda não existem.
A mais recente concretização dessa filosofia é um tecido híbrido que combina poliamida e lã merino — a primeira na teia, a segunda na trama — criando uma peça que eleva o conforto quotidiano a um registo mais sofisticado. O destino natural são os anoraques e casacos de casual chic, artigos que consomem mais tecido por peça e que, por isso, oferecem margens mais interessantes do que produtos de grande consumo.
Este ano, o novo tecido foi apresentado em mercados europeus como Itália, Inglaterra, Suécia e França. A receção foi promissora: saíram amostras, há clientes a testá-lo. Araújo é honesta sobre o tempo que este ciclo exige — entre a apresentação e a primeira encomenda comercial pode passar muito tempo — mas não esconde a fé no processo.
A lógica por detrás desta aposta é também uma leitura lúcida do setor: o têxtil português não pode ganhar em volume nem em preço face à concorrência asiática. A saída é subir na cadeia de valor, criar produtos que justifiquem preços mais altos e que atraiam marcas que procuram distinção. A Lemar faz isso não como uma grande rutura, mas como um trabalho contínuo de refinamento — que, segundo a sua liderança, simplesmente não pode parar.
Na zona industrial de Guimarães, a Lemar funciona como um pequeno laboratório de têxteis. A empresa encerrou 2025 com uma faturação de seis milhões de euros e mantém uma equipa de 30 trabalhadores dedicados ao que a CEO Manuela Araújo descreve como uma obsessão: não esperar que o mercado peça, mas antecipar-se com produtos que ainda não existem.
Esta estratégia de inovação contínua ganhou forma concreta num novo tecido que combina poliamida e lã merino. A composição é precisa: a poliamida fica na teia, enquanto a lã merino ocupa a trama. O resultado é uma peça que Araújo descreve como elevando o casual a um patamar mais sofisticado — o que a indústria chama de "casual chic". A aplicação prática é clara: anoraques, casacos, calças. Peças que exigem volume de tecido e que, quando bem executadas, não competem no mercado dos supermercados.
O desenvolvimento não foi um exercício teórico. Este ano, a Lemar apresentou o novo produto em vários mercados europeus — Itália, Inglaterra, Suécia, França. A resposta foi promissora. Manuela Araújo relata que saíram muitas amostras das instalações, e agora há potenciais clientes a testá-lo em condições reais. "Isto demora o seu tempo, não é de um dia para o outro, mas tenho fé", disse a CEO, reconhecendo que o ciclo entre apresentação e encomenda comercial é longo e exige paciência.
Por trás desta aposta em produtos diferenciados está uma lógica clara de posicionamento. Os anoraques, em particular, interessam à Lemar não apenas pela qualidade que permitem alcançar, mas porque consomem mais tecido por peça do que muitos outros artigos. Isto significa margens mais interessantes e, simultaneamente, uma distância clara dos produtos de baixo custo que dominam certos segmentos. "Queremos posicionar-nos com um bocadinho mais força, por exemplo, nos anoraques, que gastam mais tecido, mas com um certo chique, distanciando-nos de produtos baratos que se vendem em qualquer supermercado", explicou Araújo.
A estratégia reflete uma realidade do setor têxtil português: a competição em volume e preço é perdida à partida contra mercados asiáticos. A saída é subir na cadeia de valor, criar produtos que justifiquem preços mais altos e que apelem a marcas e retalhistas que procuram diferenciação. A Lemar, com 30 pessoas e seis milhões de euros de faturação anual, está a fazer exatamente isso — não como uma grande transformação, mas como um trabalho contínuo de refinamento e inovação que, segundo a sua liderança, não pode parar.
Citações Notáveis
O nosso lema não é esperar que nos venham pedir. Tentamos inovar a todo o custo.— Manuela Araújo, CEO da Lemar
Houve muita saída de amostras e agora já tenho pessoas a experimentar se a coisa funciona. Isto demora o seu tempo, não é de um dia para o outro, mas tenho fé.— Manuela Araújo