Conhecimento prático mantendo viva uma tradição economicamente inteligente
Em Itapetinga, duas décadas de pesquisa silenciosa encontraram, em junho de 2026, o peso de uma lei. A Lei Municipal nº 1.736 elevou quatro raças de aves estudadas pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia — o Caneludo do Catolé, a Carne Negra, o Peru Preto Caipira e o Pato Catolé — à condição de patrimônio genético, histórico e cultural do município, reconhecendo que a memória agrícola de um povo também vive no código de seus animais. O gesto legislativo transforma conhecimento acadêmico em política pública e lembra que preservar uma raça é, também, preservar uma forma de vida.
- Raças nativas adaptadas ao sistema caipira correm risco de desaparecer sem reconhecimento formal e apoio institucional — a lei surge como resposta urgente a essa fragilidade.
- A aprovação unânime pela Câmara e a sanção imediata pela Prefeitura revelam um raro consenso político em torno da valorização da pesquisa universitária e da agricultura familiar.
- Com o status de patrimônio municipal, as quatro raças ganham legitimidade para concorrer a editais estaduais de incentivo à produção de ovos, abrindo fontes concretas de financiamento.
- O projeto Guardiões das Aves já distribui material genético e capacita criadores em todo o país — as aves da Uesb estão presentes em 22 estados brasileiros, sinalizando alcance nacional.
- O reconhecimento aponta para um horizonte mais amplo: o laboratório agora busca resgatar a raça bovina Junqueira, desaparecida da região, cujo material genético pode ainda ser recuperado.
No campus de Itapetinga, o professor Ronaldo Vasconcelos e sua equipe dedicam mais de vinte anos à preservação de aves adaptadas às condições locais. Em junho de 2026, esse trabalho silencioso ganhou força de lei: a Lei Municipal nº 1.736, sancionada em 12 de junho, reconheceu o Caneludo do Catolé, a Carne Negra, o Peru Preto Caipira e o Pato Catolé como patrimônio genético, histórico, cultural e agropecuário de Itapetinga.
A iniciativa partiu do vereador Jean Doriel, que enxergou na legislação mais do que simbolismo. Para ele, a lei valida a tradição avícola do município e o trabalho da universidade no melhoramento genético dessas raças. O projeto foi aprovado por unanimidade e sancionado sem ressalvas — um sinal de que valorizar esse legado é também garantir que a história local continue sendo escrita com respeito aos produtores.
O que torna essas aves especialmente relevantes é sua adaptação ao sistema caipira, que exige menor investimento em insumos e representa alternativa viável para pequenos criadores. Elas funcionam como elo entre o conhecimento acadêmico e a realidade econômica local, fortalecendo a agricultura familiar de forma economicamente inteligente e socialmente justa.
Para Ronaldo Vasconcelos, o reconhecimento abre portas concretas: com o status de patrimônio municipal, as raças ganham legitimidade para participar de editais estaduais voltados à produção de ovos, ampliando sua inserção em políticas públicas. O Labeave já é o maior centro de conservação de raças nativas de galinhas do Norte e Nordeste, com aves presentes em 22 estados brasileiros.
Além da preservação, o laboratório conduz o projeto Guardiões das Aves, que capacita criadores e distribui material genético desenvolvido pela universidade. E o horizonte se alarga: Ronaldo aponta para o potencial de caprinos, ovinos e equinos da região — e, sobretudo, para o resgate da raça bovina Junqueira, desaparecida localmente, mas cujo valor genético ainda pode ser recuperado. A lei de Itapetinga não encerra uma história; abre caminho para que outras sejam preservadas.
No campus de Itapetinga, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia mantém há mais de vinte anos um trabalho silencioso de preservação. No Laboratório Experimental de Avicultura, o professor Ronaldo Vasconcelos e sua equipe estudam e conservam raças de aves adaptadas às condições locais — galinhas, perus e patos que carregam em seu material genético a história agrícola da região. Em junho de 2026, esse trabalho recebeu um reconhecimento oficial que transcende o âmbito acadêmico. A Lei Municipal nº 1.736, sancionada em 12 de junho, passou a reconhecer como patrimônio genético, histórico, cultural e agropecuário de Itapetinga quatro raças específicas: o Caneludo do Catolé, a Carne Negra, o Peru Preto Caipira e o Pato Catolé.
A iniciativa partiu do vereador Jean Doriel, que enxergou na legislação mais do que um gesto simbólico. Para ele, a lei representa o reconhecimento da tradição avícola do município e valida o trabalho da universidade na preservação e no melhoramento genético dessas aves. A Câmara Municipal aprovou o projeto por unanimidade, e a Prefeitura o sancionou sem ressalvas. Doriel destacou que valorizar esse trabalho é garantir que a história local continue sendo escrita com qualidade, tecnologia e respeito aos produtores que dependem dessas criações.
O que torna essas raças particularmente relevantes é sua adaptação ao sistema de criação caipira — um modelo que demanda menor investimento em insumos e representa uma alternativa viável para pequenos criadores. Nesse contexto, as aves estudadas pela Uesb funcionam como um elo entre o conhecimento acadêmico e a realidade econômica do município. Elas fortalecem a agricultura familiar e a economia local, oferecendo aos produtores uma opção que é simultaneamente economicamente inteligente e socialmente justa, conforme ressaltou o vereador.
Para Ronaldo Vasconcelos, o reconhecimento abre portas concretas. O Estado da Bahia lançou diversos editais voltados a pequenos produtores de ovos, e a Bahia busca maior independência nesse setor. Com o status de patrimônio genético municipal, as raças estudadas pela Uesb ganham legitimidade para participar regularmente desses programas de incentivo. O professor acredita que isso pode ampliar significativamente as possibilidades de inserção dessas aves em políticas públicas, fortalecendo tanto a produção quanto a geração de renda nas propriedades familiares.
O laboratório já demonstra a relevância de seu trabalho através dos números. As aves criadas e preservadas no campus de Itapetinga já conquistaram o reconhecimento de criadores em diversas regiões do país e estão presentes em 22 estados brasileiros. Ronaldo destaca que o Labeave abriga o maior centro de conservação de raças nativas de galinhas do Norte e Nordeste — uma distinção que reflete duas décadas de pesquisa sistemática. Parte do material genético foi obtida em propriedades rurais da microrregião de Itapetinga, o que torna a região uma referência importante para a conservação dessas linhagens.
Além da preservação, o laboratório executa o projeto Guardiões das Aves, uma iniciativa que busca fortalecer a criação de galinhas nativas e ampliar a distribuição do material genético desenvolvido pela universidade. O projeto oferece capacitação para criadores, com orientações práticas sobre manejo dos plantéis e comercialização da produção — transformando conhecimento acadêmico em ferramentas úteis para quem trabalha na terra.
Ronaldo também aponta para um horizonte mais amplo. Ele ressalta o potencial genético de outros animais da região, como caprinos, ovinos e equinos. Mas há uma lacuna que o preocupa: registros históricos indicam a existência de uma raça bovina conhecida como Junqueira, que desapareceu da região mas possui relevante valor genético. Atualmente, o laboratório busca levantar informações históricas que possam contribuir para o resgate e a preservação desse material genético perdido. A lei de Itapetinga, portanto, não encerra uma história — abre caminho para que outras histórias genéticas da região possam ser recuperadas e preservadas.
Notable Quotes
Valorizar esse trabalho da Uesb é garantir que a nossa história continue sendo escrita com qualidade, tecnologia e respeito aos produtores— Vereador Jean Doriel
A Bahia tem urgência em alcançar maior independência no setor de ovos. Como temos raças nativas aqui, elas também podem fazer parte desse processo de forma regular— Professor Ronaldo Vasconcelos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que uma lei municipal sobre raças de aves importa tanto para uma universidade?
Porque transforma pesquisa acadêmica em política pública. Quando a cidade reconhece essas raças como patrimônio, abre portas para editais estaduais, para financiamento, para legitimidade institucional. Sem isso, é só um laboratório preservando aves.
E para os pequenos criadores? O que muda na vida deles?
Muda tudo. Essas raças precisam de menos insumo, menos investimento inicial. Um pequeno produtor pode criar galinhas Caneludo do Catolé com recursos que não teria para criar aves industrializadas. A lei diz: isso é patrimônio nosso, isso merece apoio.
Vinte anos é muito tempo para manter um laboratório funcionando. O que mantém isso vivo?
Convicção. O professor Ronaldo acredita que essas aves carregam história genética local. Elas não são abstratas — vieram de propriedades rurais da região, adaptadas ao clima, ao solo, à forma como as pessoas aqui sempre criaram.
Mas por que a raça Junqueira desapareceu? Isso não é preocupante?
Muito. É por isso que o laboratório agora busca registros históricos para tentar resgatá-la. A lei de Itapetinga é um sinal de que a região quer parar de perder seu patrimônio genético. É um reconhecimento tardio, mas ainda há tempo.
Essas aves estão em 22 estados. Isso significa que o trabalho da Uesb já se expandiu muito?
Significa que criadores em todo o país reconhecem o valor do que foi preservado aqui. Mas agora, com a lei, há uma chance de sistematizar isso, de oferecer capacitação, de conectar pesquisa com produção real.