Leapmotor B10 híbrido 'às avessas' chega por R$ 179.990 com até 900 km de autonomia

Motor a gasolina que não move as rodas, apenas gera energia
O B10 REEV inverte a lógica tradicional dos híbridos, com tração sempre elétrica.
Mark

Como funciona exatamente esse sistema REEV? Parece estranho ter um motor a gasolina que não move as rodas.

Mimi

É justamente o inverso do que a maioria das pessoas conhece. O motor a gasolina é só um gerador. Ele produz eletricidade que carrega a bateria, e a bateria alimenta o motor elétrico que realmente move o carro. Você sempre está dirigindo um carro elétrico.

Luke

Mas qual é a vantagem real disso comparado a um híbrido convencional? Por que não deixar o motor a gasolina ajudar diretamente na tração?

Mimi

A eficiência. Um motor a gasolina é mais eficiente quando funciona em uma rotação constante, gerando energia, do que quando está variando para acelerar e desacelerar. E o motor elétrico oferece torque instantâneo, o que melhora a dirigibilidade.

Mark

E quanto à autonomia de 900 quilômetros? Isso é com tanque cheio e bateria carregada?

Mimi

Sim, é o cenário ideal. Com tanque cheio e bateria totalmente carregada via tomada, você consegue rodar até 900 quilômetros. Mas se você só usar a bateria, sem o motor a gasolina, são 68 quilômetros.

Luke

Espera, 68 quilômetros? Isso é bem pouco. Qual é o ponto de ter uma bateria de 18,8 kWh se você só consegue rodar 68 quilômetros em modo elétrico?

Mimi

A bateria é pequena mesmo. O sistema foi pensado para você usar o motor a gasolina como gerador a maior parte do tempo. Os 68 quilômetros são para situações urbanas curtas, tipo ir para o trabalho e voltar.

Mark

E quanto ao preço? R$ 179.990 é competitivo?

Mimi

É um preço agressivo. Mas o C10 híbrido, que é maior e mais caro, vendeu apenas 3.620 unidades contra 45.096 do BYD Song. Então o preço sozinho não garante sucesso.

Luke

Exatamente. A Leapmotor está enfrentando rivais chinesas muito mais estabelecidas no Brasil. O BYD Song vendeu mais de 12 vezes o volume do C10. Isso não é um problema de preço ou tecnologia — é um problema de marca e confiança.

Mark

Então o B10 REEV tem chances reais de mudar esse cenário?

Mimi

Tem potencial. A autonomia de 900 quilômetros é um argumento forte. Mas vai depender de como a marca consegue se posicionar e ganhar confiança dos consumidores brasileiros.

  • Preço de R$ 179.990 para o B10 REEV
  • Autonomia de até 900 km com tanque cheio e bateria carregada
  • Motor 1.5 aspirado gera eletricidade para bateria de 18,8 kWh
  • BYD Song vendeu 45.096 unidades contra 3.620 do Leapmotor C10 nos primeiros nove meses de 2026

Motor 1.5 aspirado gera eletricidade para bateria de 18,8 kWh, enquanto tração é sempre elétrica com 218 cv no eixo traseiro. B10 REEV oferece até 68 km em modo 100% elétrico e carregamento rápido em 18 minutos, com tecnologias como abertura por cartão NFC e condução semiautônoma nível 2.

Leapmotor apresenta versão híbrida do B10 com sistema REEV, onde motor a gasolina funciona apenas como gerador elétrico. Modelo promete até 900 km de autonomia e busca competir com BYD e GWM no mercado brasileiro.

A Leapmotor trouxe ao mercado brasileiro uma abordagem inusitada para o carro híbrido. O B10 REEV, lançado por R$ 179.990, inverte a lógica tradicional: em vez de um motor a gasolina que impulsiona as rodas com ajuda elétrica, aqui é o motor de combustão que trabalha exclusivamente como gerador de energia, alimentando a bateria que move o carro. A tração é sempre elétrica. A sigla REEV significa veículo elétrico de autonomia estendida, e esse mesmo sistema já equipa o C10 híbrido da marca, irmão mais velho do B10 que circula pelas ruas brasileiras desde novembro de 2025.

O coração mecânico do B10 REEV é um motor 1.5 aspirado que gera eletricidade para uma bateria de 18,8 kWh. O motor elétrico instalado no eixo traseiro entrega 218 cavalos de potência e 24,5 quilogramas-força de torque. Com tanque cheio e bateria completamente carregada via tomada, o carro promete rodar até 900 quilômetros. Em modo puramente elétrico, sem acionamento do motor a gasolina, a autonomia cai para 68 quilômetros. Os carregadores rápidos de 46 quilowatts levam 18 minutos para elevar a bateria de 30% para 80% da capacidade, enquanto a recarga lenta em tomada de 6,6 quilowatts exige três horas e meia.

O interior do B10 REEV traz acabamentos macios ao toque, uma central multimídia de 14,6 polegadas destacada do console, e um sistema de abertura das portas por cartão NFC — a mesma tecnologia dos pagamentos por aproximação. Sete airbags protegem os ocupantes. Uma câmera monitora o nível de atenção do motorista. O visual segue a tendência minimalista, com poucos botões físicos; nem mesmo os retrovisores laterais têm comandos convencionais. O carro oferece condução semiautônoma de nível 2, que mantém distância segura do veículo à frente e centraliza o carro na faixa. Um teto solar panorâmico e rodas de aro 18 polegadas completam o pacote.

Comparado ao B10 100% elétrico, as mudanças são sutis e concentram-se principalmente no interior. As lanternas traseiras agora se interligam de um lado ao outro. Os bancos dianteiros ganham ajustes elétricos mais completos e sistema de resfriamento. O porta-malas abre pela central multimídia. Os retrovisores rebatem eletricamente. Há apoio de braço no banco traseiro. A iluminação interna é personalizável. O som melhorou: 12 alto-falantes contra 6 do modelo elétrico.

O lançamento do B10 REEV ocorre em um momento em que a Leapmotor tenta ganhar espaço em um mercado dominado por rivais chinesas. Entre janeiro e agosto de 2026, os híbridos plug-in — aqueles com baterias maiores e recarga em eletropostos — responderam por 64% das vendas de veículos híbridos no Brasil, enquanto os híbridos convencionais ficaram com 37%. A estratégia da Leapmotor é clara: oferecer mais autonomia e flexibilidade a um preço competitivo.

Mas os números revelam um desafio real. Nos primeiros nove meses de 2026, o Leapmotor C10 híbrido vendeu apenas 3.620 unidades, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico. O BYD Song, seu rival direto em tamanho e faixa de preço, comercializou 45.096 unidades no mesmo período — mais de 12 vezes o volume do C10. O GWM Haval H6 ficou em segundo lugar com 32.248 unidades. Modelos como Omoda 5, Jaecoo 7 e BYD King também superaram o C10 em vendas. Até o Toyota Corolla Cross, um sedan compacto tradicional, vendeu mais: 10.596 unidades. O GWM Tank 300 ficou logo atrás do C10, com 3.471 unidades.

O B10 REEV chega, portanto, em um contexto em que a Leapmotor precisa não apenas oferecer tecnologia interessante, mas conquistar confiança e preferência entre consumidores brasileiros acostumados com marcas estabelecidas. A autonomia de até 900 quilômetros é um argumento forte para quem teme ficar sem bateria. O preço de R$ 179.990 posiciona o carro em uma faixa acessível. Mas converter essas vantagens em volume de vendas que acompanhe a concorrência chinesa permanece a verdadeira prova.

O B10 utiliza um motor 1.5 aspirado como gerador de eletricidade e tem bateria de 18,8 kWh. Com o tanque cheio e a bateria totalmente carregada, o B10 promete autonomia de até 900 km.
— Especificações técnicas do Leapmotor B10 REEV
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