Lamacchia foi declarado vencedor na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, com sua empresa Almirante Participações adquirindo 90% da SAF vascaína. Operação de R$ 3 bilhões inclui investimentos no futebol, infraestrutura, pagamento de dívidas e funcionamento do clube em recuperação judicial.
Lamacchia assume Vasco com R$ 3 bi: compare com aportes de outras SAFs
Lamacchia entra sabendo que herda um problema, não um ativo
Por que esse número de R$ 3 bilhões é tão diferente dos outros? O Atlético-MG custou menos de um bilhão.
Porque o Vasco carrega uma dívida muito maior. Não é só o investimento no futebol — é também a assunção de dívidas, infraestrutura, capital de giro. O número reúne tudo junto.
Mas aí fica difícil comparar. A gente não sabe exatamente quanto é novo dinheiro entrando e quanto é só assumir passivo. O texto avisa isso no final.
Então Lamacchia está comprando um problema, não um ativo?
Está comprando a chance de transformar um problema. O Vasco estava em recuperação judicial. Ninguém mais queria — a 777 Partners saiu correndo. Lamacchia entrou sabendo disso.
E a 777 Partners? Como saiu do jeito que saiu?
Gestão temerária, segundo a Justiça. Não pagou as dívidas que prometeu, não investiu no futebol. O clube conseguiu uma liminar e afastou eles em maio de 2024.
Mas por que a 777 aceitou sair? Não era contrato?
O texto diz que em setembro encerraram o litígio e a 777 declarou que não era contrária à venda. Não explica se houve acordo financeiro, se perderam na Justiça, nada disso.
O importante é que saíram. E agora Lamacchia entra com essa responsabilidade toda.
Ele consegue fazer diferente da 777?
Teoricamente sim. Mas olha o histórico: Textor no Botafogo também falhou. Ronaldo no Cruzeiro vendeu a participação em dois anos. Essas SAFs têm um padrão de dificuldade.
Verdade. E o Vasco tem uma dívida ainda maior que a do Botafogo. Não é garantia nenhuma.
El Pulso
- Marcos Lamacchia venceu leilão na 4ª Vara Empresarial do Rio em 25 de setembro de 2026
- Operação de R$ 3 bilhões inclui investimentos, infraestrutura, dívidas e funcionamento
- Almirante Participações adquire 90% da SAF do Vasco
- 777 Partners havia saído em setembro de 2024 após liminar judicial
- Aprovação depende de Conselho Deliberativo e Assembleia Geral Extraordinária até fim de outubro
Lamacchia foi declarado vencedor na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, com sua empresa Almirante Participações adquirindo 90% da SAF vascaína. Operação de R$ 3 bilhões inclui investimentos no futebol, infraestrutura, pagamento de dívidas e funcionamento do clube em recuperação judicial.
Empresário Marcos Lamacchia venceu leilão pela SAF do Vasco com proposta de R$ 3 bilhões, incluindo investimentos no futebol e assunção de dívidas. Operação segue padrão de grandes negócios envolvendo sociedades anônimas do futebol brasileiro.
Na tarde de sexta-feira, 25 de setembro, em uma sala da 4ª Vara Empresarial no centro do Rio de Janeiro, o empresário Marcos Lamacchia foi declarado vencedor do leilão pela Sociedade Anônima do Futebol do Vasco da Gama. Sua empresa, a Almirante Participações, representada pelo sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica, apresentou a proposta que superou os demais interessados na disputa pelos 90% das ações do clube. O negócio, considerando todas as obrigações contratuais, movimenta aproximadamente R$ 3 bilhões.
Esse montante não é um simples aporte inicial. Ele reúne investimentos destinados ao futebol, melhorias na infraestrutura do clube, assunção de dívidas herdadas do período em que o Vasco operava como associação e custos operacionais gerais. Como o Cruz-Maltino está em recuperação judicial, foi obrigado a abrir o processo de venda em leilão público. A Almirante Participações havia sido designada como "stalking horse bidder" — a primeira a apresentar uma proposta vinculante — o que lhe conferiu o direito de fazer a primeira oferta e de igualar qualquer lance concorrente.
Antes dessa transação com Lamacchia, o Vasco havia vendido 70% de sua SAF para a 777 Partners em 2022 por R$ 700 milhões, quando o clube ainda buscava retornar à primeira divisão. Aquele acordo previa que a empresa americana desembolsaria R$ 700 milhões pelas ações e assumiria uma dívida de cerca de R$ 1 bilhão. A parceria, porém, desmoronou. Em maio de 2024, o clube associativo, sob a presidência de Pedrinho, obteve uma liminar judicial que afastou a 777 Partners do comando. A Justiça acolheu denúncias de gestão temerária, problemas graves em negócios internacionais e descumprimento de obrigações contratuais, incluindo a falta de aportes no futebol e pagamento de dívidas. Em setembro deste ano, as partes encerraram o litígio, com a empresa americana declarando à Justiça que não se opunha à venda das ações para Lamacchia.
O valor de R$ 3 bilhões coloca a operação vascaína entre os maiores negócios envolvendo Sociedades Anônimas do Futebol no Brasil desde que a estrutura foi aprovada por lei em 9 de agosto de 2021. Atlético-MG, Bahia, Botafogo e Cruzeiro também fecharam acordos significativos com investidores nos últimos anos. O Atlético-MG foi adquirido pela Galo Holding em novembro de 2023, com 75% das ações estruturadas em R$ 913 milhões, dos quais R$ 500 milhões foram depositados inicialmente. O Bahia recebeu investimento do Grupo City em maio de 2023, que adquiriu 90% da SAF e se comprometeu a investir R$ 1 bilhão em 15 anos, com R$ 500 milhões destinados à compra de jogadores, R$ 300 milhões ao pagamento de dívidas e R$ 200 milhões à infraestrutura e outras despesas.
No Botafogo, John Textor adquiriu 90% da SAF no início de 2022 pela Eagle Football, com um acordo que previa R$ 400 milhões em investimentos além da dívida de R$ 1 bilhão do clube. O primeiro aporte foi de R$ 100 milhões, precedido por um empréstimo-ponte de R$ 50 milhões para garantir fluxo de caixa. A gestão de Textor, porém, entrou em colapso. Ele vendeu sua participação no Crystal Palace, viu o Lyon enfrentar crise financeira grave e o Botafogo, apesar de campeão da Libertadores em 2024, acumular novos débitos urgentes. Textor deixou o clube no primeiro semestre de 2026, e o associativo já encaminhou a venda das ações para a GDA Luma, do empresário mexicano Gabriel de Alba. No Cruzeiro, Ronaldo adquiriu 90% da SAF em abril de 2022 com um acordo de R$ 400 milhões em investimentos, sendo R$ 50 milhões depositados inicialmente e R$ 350 milhões previstos conforme as condições contratuais. Ronaldo vendeu sua participação majoritária em abril de 2024 para Pedro Lourenço, que comanda o clube desde então.
Os números desses negócios não são diretamente comparáveis. Em alguns casos, o valor divulgado refere-se ao investimento total previsto no contrato; em outros, há diferença entre o compromisso total e o dinheiro efetivamente colocado no início da operação. No caso do Vasco de Lamacchia, os R$ 3 bilhões também reúnem diferentes obrigações financeiras — não devem ser tratados como um aporte inicial único destinado exclusivamente ao futebol.
A aprovação da operação ainda depende de duas etapas. O Conselho Deliberativo do Vasco e a Assembleia Geral Extraordinária precisam ratificar o acordo. O clube projeta resolver todos os trâmites burocráticos e celebrar o novo contrato até o final de outubro. Até lá, Lamacchia permanece como o novo dono da SAF vascaína, com a responsabilidade de gerir um clube em recuperação judicial e a expectativa de transformar a estrutura que falhou sob o comando anterior.
Citas Notables
A Justiça acatou denúncia de gestão temerária, graves problemas em negócios no exterior e descumprimento de obrigações contratuais— Decisão judicial sobre 777 Partners