Kuat retorna ao mercado com campanha focada em culturas regionais após 10 anos

Descentralizar a comunicação para trazer esses 'países' de cada um
Felipe Silva da agência Gana explica a estratégia de levar a narrativa da marca para fora do eixo Sul-Sudeste.
Mark

Por que uma marca esperaria dez anos inteiros para voltar a investir em comunicação? Isso não é arriscado?

Mimi

Provavelmente havia uma estratégia anterior que deixou de funcionar, ou a marca estava em posição confortável o suficiente para não precisar. Mas dez anos é muito tempo. O risco real era ficar invisível enquanto outras marcas ocupavam o espaço.

Mark

E por que começar justamente pelo Nordeste?

Mimi

Porque é onde a marca quer se reconectar primeiro. O Nordeste tem uma identidade cultural forte e consumidores que valorizam autenticidade. É mais fácil construir uma conversa genuína em um lugar onde as pessoas têm uma relação clara com suas próprias tradições.

Mark

A escolha de uma agência formada só por profissionais negros parece deliberada. Não é apenas marketing?

Mimi

Pode ser ambos. Mas há uma lógica real aí: se você quer falar sobre pluralidade cultural brasileira de forma honesta, quem melhor para contar essa história do que pessoas que vivem essas realidades? Não é só representação, é competência.

Mark

Os microinfluenciadores são mais baratos que celebridades, certo?

Mimi

Sim, mas não é só custo. Microinfluenciadores têm audiências pequenas mas muito mais engajadas e localizadas. Se você quer gerar conversas reais em comunidades específicas, eles são mais efetivos que um grande nome distante.

Mark

Essas embalagens criadas com consumidores locais — isso muda algo de verdade ou é apenas um gesto?

Mimi

Muda se as pessoas realmente participaram do processo e viram suas ideias refletidas no produto final. Se foi apenas consultivo, é um gesto. Se foi colaborativo de fato, muda a relação que o consumidor tem com a marca.

  • Depois de quase dez anos ausente da publicidade, Kuat reaparece com urgência simbólica: o mercado de comunicação brasileiro ainda concentra poder criativo no eixo Sul-Sudeste, e a marca escolhe romper esse padrão.
  • A tensão está na escala: mais de cem mil pontos de venda no Nordeste receberão novas embalagens ainda em junho, exigindo logística, alinhamento regional e uma narrativa que não soe artificial para quem vive aquelas realidades.
  • A aposta em microinfluenciadores em nove estados diferentes descentraliza a mensagem, mas também multiplica os riscos de inconsistência — a marca precisa gerar conversas autênticas sem perder coerência.
  • A escolha da agência Gana — cem por cento formada por profissionais negros — transforma a campanha em declaração: não basta representar visualmente as periferias, é preciso que elas tenham poder de decisão sobre a própria narrativa.
  • O movimento parece estar encontrando terreno: a estratégia prevê expansão nacional após o lançamento nordestino, sinalizando que a marca enxerga nessa pluralidade não apenas propósito, mas viabilidade comercial.

Após quase uma década de silêncio publicitário, o Guaraná Kuat retorna ao mercado não com uma campanha convencional, mas com um gesto de reconhecimento: o Brasil não é um só, e suas regiões merecem ser celebradas em suas próprias vozes. A marca, pertencente à Coca-Cola, inicia pelo Nordeste uma estratégia que coloca a diversidade cultural no centro da narrativa, confiando a criação a uma agência formada integralmente por profissionais negros e construindo embalagens em diálogo direto com consumidores locais. É um retorno que levanta perguntas mais amplas sobre quem conta as histórias das marcas — e para quem.

Depois de uma década longe da publicidade, o Guaraná Kuat volta ao mercado com uma aposta que vai além do relançamento de produto: celebrar os múltiplos Brasis que coexistem dentro do país. A estratégia começa pelo Nordeste, onde mais de cem mil pontos de venda passam a receber, ainda em junho, novas embalagens coloridas ilustradas pela artista Bel Andrade Lima — criadas em colaboração direta com consumidores da região, transformando o design em um diálogo real entre marca e público.

Pedro Abondanza, diretor de marketing da Coca-Cola, define o movimento como algo maior que uma campanha tradicional. A ideia não é levar mensagens prontas, mas gerar conversas sobre a pluralidade cultural brasileira, construídas a partir de microinfluenciadores com presença próxima e autêntica em comunidades locais de nove estados.

O trabalho criativo ficou com a agência Gana, recém-lançada e formada integralmente por profissionais negros. Felipe Silva, da agência, articula a visão central: descentralizar uma comunicação que historicamente emana do eixo Sul-Sudeste e trazer para o centro as vivências específicas de cada região. 'Esse primeiro movimento não é uma campanha sobre o Nordeste, mas uma exaltação sobre nove estados diferentes, cada um com seu gostinho e particularidade', explica.

O que torna esse retorno particularmente significativo é justamente a escolha de quem conta a história. Ao colocar uma agência de criatividade preta e periférica na liderança do processo, Kuat sinaliza que representação não é apenas visual — é também sobre quem detém o poder de decidir qual narrativa uma marca escolhe amplificar.

Depois de uma década inteira longe dos holofotes publicitários, o Guaraná Kuat está voltando ao mercado com uma aposta clara: celebrar o Brasil em suas múltiplas faces regionais. A marca, que pertence à Coca-Cola, acaba de lançar uma campanha que fala de "diferentes Brasis dentro do Brasil", com ênfase particular nos estados do Nordeste, onde a estratégia começa a ganhar forma agora.

O retorno não é apenas simbólico. Kuat investiu em novas embalagens, mais coloridas e ilustradas pela artista Bel Andrade Lima. O diferencial: essas latas foram criadas em colaboração direta com consumidores da região, transformando o design em um diálogo entre marca e público. Mais de cem mil pontos de venda no Nordeste começam a receber essas embalagens ainda este mês, com expansão para o resto do país nos próximos passos.

Pedro Abondanza, diretor de marketing da Coca-Cola, descreve o movimento como algo maior que uma campanha tradicional. "Esse ano iniciamos um novo capítulo da marca. Mais do que uma lógica de campanha, é um movimento, com grande estratégia de redes sociais. Mais do que levar mensagens, a ideia é gerar conversas sobre a pluralidade das culturas regionais", explica. A estratégia digital será construída em torno de microinfluenciadores, criando pontos de contato próximos e autênticos com comunidades locais.

O trabalho criativo ficou a cargo da agência Gana, uma casa recém-lançada no mercado com uma característica marcante: cem por cento de sua equipe é formada por profissionais negros. Felipe Silva, da agência, articula a visão por trás dessa escolha: descentralizar a comunicação que historicamente flui do eixo Sul-Sudeste, trazendo para o centro da narrativa as vivências e particularidades de cada região. "Precisávamos descentralizar a comunicação do eixo Sul-Sudeste do país, para realmente trazer esses 'países' de cada um. Teremos um contato muito próximo desses microinfluenciadores."

O manifesto da marca não se propõe a falar sobre o Nordeste de forma genérica ou exótica. Ao contrário, busca exaltar nove estados diferentes, cada um com suas próprias características e sabores. Silva reforça essa intenção: "A expectativa é construir uma marca com conexão com o nosso povo, com as vivências do Brasil. Esse primeiro movimento da marca não é uma campanha sobre o nordeste, mas uma exaltação sobre nove estados diferentes, cada um com seu gostinho e particularidade. Acreditamos nessa pluralidade de viver cada pedacinho desse país."

O que torna essa volta ao mercado particularmente significativa é a escolha de quem conta a história. Ao colocar uma agência formada integralmente por profissionais negros na liderança criativa, Kuat sinaliza uma aposta em "criatividade preta e periférica para o mercado de comunicação", nas palavras da Gana. Não é apenas uma questão de representação visual nas embalagens ou nas redes sociais, mas de quem tem poder de decisão sobre como a marca se comunica e qual narrativa ela escolhe amplificar.

Esse ano iniciamos um novo capítulo da marca. Mais do que uma lógica de campanha, é um movimento, com grande estratégia de redes sociais.
— Pedro Abondanza, diretor de marketing da Coca-Cola
A expectativa é construir uma marca com conexão com o nosso povo, com as vivências do Brasil.
— Felipe Silva, agência Gana
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