Para os jogadores jovens, o mais importante é jogar
Um ano após a aposentadoria, Toni Kroos oferece ao futebol brasileiro um olhar de fora — sereno e experiente. Em entrevista a Romário, o alemão reflete sobre o caminho dos jovens talentos, a distância entre o futebol sul-americano e o europeu, e o que pode transformar a Seleção numa força renovada. Suas palavras chegam não como julgamento, mas como espelho: o que um campeão enxerga quando olha para o Brasil.
- Endrick tem talento, mas sem minutos em campo o potencial se desperdiça — Kroos fala por experiência própria, lembrando o empréstimo que o transformou no Bayern.
- O Flamengo surpreendeu Kroos na final da Copa Intercontinental: o futebol brasileiro pode competir de igual para igual com os melhores da Europa.
- A goleada de 7 a 1 em 2014 ressurge na conversa, mas o que ficou marcado para Kroos não foi o placar — foi a dignidade com que o povo brasileiro enfrentou a derrota.
- Ancelotti no comando da Seleção acende esperança, mas Kroos é cauteloso: a Copa do Mundo será o verdadeiro teste, e Neymar só eleva o nível se chegar em plenas condições físicas.
Toni Kroos, aposentado há um ano após conquistar a Copa do Mundo com a Alemanha e três vezes a Liga dos Campeões pelo Real Madrid, sentou-se diante de Romário no programa De Cara com o Cara para falar sobre futebol brasileiro com a franqueza de quem viveu o jogo por dentro.
Sobre Endrick, o jovem atacante de 19 anos que divide espaço no Real Madrid sem jogar com regularidade, Kroos foi direto: o mais importante para qualquer jogador jovem é entrar em campo. Ele próprio passou por isso aos 18 anos no Bayern de Munique, sem espaço garantido, e decidiu se emprestar ao Bayer Leverkusen por um ano e meio. Voltou mais maduro, mais qualificado. A entrevista foi gravada antes de Endrick ser emprestado ao Lyon — exatamente o caminho que Kroos havia sugerido.
O alemão também assistiu à final da Copa Intercontinental entre Flamengo e PSG. Brincou com a demora nas cobranças de pênaltis, mas sua avaliação real foi positiva: o desempenho do Flamengo o surpreendeu. Para ele, os melhores times brasileiros podem competir bem com os europeus — e o PSG, vale lembrar, havia sido o melhor clube do continente na temporada anterior.
Quando Romário trouxe à tona o 7 a 1, Kroos não desviou. Disse que guarda boas lembranças de 2014 — não apenas pelo título, mas pelas semanas na Bahia, pelo contato com o povo brasileiro. O que o marcou foi a reação depois da derrota: positiva, digna, humana.
Sobre a Seleção atual, Kroos admitiu não acompanhar com frequência, mas sabe pelos próprios companheiros de Real Madrid — Militão, Vini Jr, Rodrygo — que os últimos dois anos foram difíceis. Com Ancelotti no comando, técnico que conhece bem, há esperança. Mas foi claro: a prova definitiva só virá na Copa. E Neymar, se chegar em plenas condições, pode mudar o patamar da equipe — o problema, por ora, são as lesões que o afastaram do ritmo.
Toni Kroos, aposentado há um ano após uma carreira que o consagrou como campeão mundial pela Alemanha em 2014 e tricampeão da Liga dos Campeões pelo Real Madrid, concedeu uma entrevista ao ex-jogador Romário no programa De Cara com o Cara, transmitido no YouTube. Na conversa, o alemão tocou em temas que vão desde a trajetória de jovens talentos brasileiros até as perspectivas da seleção nacional sob novo comando técnico.
Quando perguntado sobre Endrick, o atacante de 19 anos revelado pelo Palmeiras e atualmente no Real Madrid, Kroos foi direto: o jovem precisa jogar. A recomendação não era genérica. Kroos falou de sua própria experiência, quando aos 18 anos estava no Bayern de Munique mas não tinha espaço garantido. Decidiu se emprestar ao Bayer Leverkusen por um ano e meio, onde jogou regularmente, acumulou experiência e voltou à Baviera como outro jogador, mais maduro e qualificado. "Para os jogadores jovens, em geral, para todos, o mais importante é jogar", resumiu. A entrevista foi gravada antes de Endrick ser emprestado ao Lyon, da França, por seis meses — exatamente o tipo de solução que Kroos havia sugerido.
O ex-volante também comentou sobre o futebol brasileiro em geral. Assistiu à final da Copa Intercontinental entre Flamengo e PSG, encerrada com vitória parisiense nos pênaltis após empate sem gols. Brincou sobre a demora na cobrança dos pênaltis, mas depois revelou uma avaliação mais séria: o desempenho do time carioca o surpreendeu positivamente. "Acho que o futebol brasileiro, pelo menos os melhores times do Brasil, podem competir bem", disse. Reconheceu que o PSG havia sido o melhor time europeu na temporada anterior, embora estivesse com alguns jogadores importantes lesionados. A conclusão era clara: o futebol brasileiro não estava tão distante do europeu quanto se poderia imaginar.
Inevitavelmente, a conversa tocou em 2014. Romário pediu a Kroos para relembrar o dia em que a Alemanha goleou o Brasil por 7 a 1 em casa, durante a Copa do Mundo. Kroos respondeu que guardava apenas boas lembranças daquele ano. Não se referia apenas ao torneio e à conquista do título, mas às semanas que passou no Brasil, conhecendo as pessoas, hospedado na Bahia onde a delegação alemã se concentrou. Quando perguntado sobre a conexão com o povo baiano, respondeu com entusiasmo: "Muito, muito". O que o marcou não foi a reação imediata após a derrota, mas como os brasileiros se comportaram depois. "A reação das pessoas depois da partida foi muito positiva", elogiou, reconhecendo que aquele havia sido um dia difícil para o Brasil, mas admirando a forma como o país lidou com isso.
Sobre a seleção brasileira atual, Kroos admitiu não acompanhar regularmente os jogos ultimamente. Mas conversou com jogadores como Militão, Vini Jr e Rodrygo quando ainda estava em atividade, e soube que a equipe havia enfrentado muitos compromissos complicados nos últimos dois anos, nem sempre com resultados positivos. Agora, com Carlo Ancelotti no comando — técnico que Kroos conhece bem de sua passagem pelo Real Madrid — há esperança de melhora. "A prova depois vai ser a Copa", disse, deixando claro que qualquer avaliação definitiva só viria com o tempo. Kroos também tocou na questão de Neymar, reconhecendo que o craque do Santos poderia elevar o nível da seleção, mas ressalvou que o jogador precisa estar em plenas condições físicas, já que havia perdido ritmo nos últimos meses por causa de lesões sucessivas.
Notable Quotes
Para os jogadores jovens, em geral, para todos, o mais importante é jogar— Toni Kroos, sobre o desenvolvimento de Endrick
A reação das pessoas depois da partida foi muito positiva— Toni Kroos, sobre como o Brasil lidou com a derrota de 2014
The Hearth Conversation Another angle on the story
Você acha que Endrick estava em um clube errado, ou simplesmente chegou cedo demais?
Não é questão de estar errado. Real Madrid é sempre Real Madrid. Mas um jogador de 19 anos precisa de minutos, de confiança, de jogar partidas de verdade. Isso não é luxo, é necessidade.
E você mesmo fez isso — saiu do Bayern para jogar no Leverkusen.
Exatamente. Voltei outro jogador. Não era fuga, era desenvolvimento. Muita gente não entende a diferença.
Sobre o Brasil em 2014 — como você lida com aquele jogo agora, anos depois?
Honestamente? Tenho boas lembranças. Não é negação. Aquele dia foi difícil para o Brasil, todos sabem. Mas o que me impressionou foi como o povo reagiu depois. Não com raiva, com ressentimento. Com positividade.
Você passou tempo na Bahia durante a Copa. Isso mudou sua visão do Brasil?
Mudou, sim. Conhecer as pessoas, estar lá semanas inteiras, não é a mesma coisa que passar por um país como turista. A Bahia, o povo baiano — isso fica com você.
Agora Ancelotti está na seleção. Você acha que ele consegue fazer diferença?
Carlo é excelente. Mas a seleção brasileira teve dois anos complicados. Muitos jogos ruins. Ancelotti pode melhorar, claro, mas a verdade é que só a Copa vai dizer se funcionou.
E Neymar? Ele muda o jogo?
Pode mudar, mas precisa estar bem. Perdeu muito ritmo com as lesões. Um jogador como Neymar só funciona se estiver em plena forma.