Dentro de um quartel da Polícia Militar de São Paulo, em abril de 2023, um sargento com 17 anos de carreira foi morto a tiros por colegas durante uma discussão sobre escala de trabalho — um conflito banal que revelou tensões profundas dentro da própria instituição encarregada de proteger. Nesta terça-feira, a Justiça Militar julga o capitão e o cabo acusados do crime, enquanto imagens gravadas por uma câmera de farda desafiam a narrativa de legítima defesa e colocam em xeque a versão oficial. O caso interroga não apenas a culpa individual, mas a cultura de autoridade e silêncio que pode prospe
Justiça Militar julga capitão e cabo acusados de matar sargento em quartel de SP
A legítima defesa não encontra força em nada que foi feito na investigação
Por que um caso de morte dentro de um quartel é julgado pela Justiça Militar e não pela Justiça comum?
Porque os acusados são policiais militares em serviço. A Justiça Militar tem jurisdição sobre crimes cometidos por militares no exercício de suas funções.
Mas isso não cria um problema de conflito de interesse? O conselho é formado por um tenente e três majores — todos da Polícia Militar.
É uma questão legítima. A defesa pode argumentar que há viés, mas formalmente a Justiça Militar é o foro competente.
E quanto às imagens da câmera de farda — elas são decisivas?
Elas mostram Laroca se justificando e Rullian já baleado. Isso contradiz a narrativa de que Rullian sacou uma arma primeiro.
Mas a câmera não registrou o momento exato do disparo, certo? Ela chegou depois que o policial atendeu à ocorrência.
Correto. Então a sequência dos eventos ainda depende de testemunhas e perícia. A câmera documenta o que veio depois.
A família sempre contestou a versão de legítima defesa. Que tipo de prova eles têm?
Além das imagens, há o depoimento da advogada de que a investigação em três anos não encontrou evidências que sustentem a defesa.
Isso é uma afirmação da acusação, não uma prova. Precisamos ver o que o julgamento efetivamente produz em termos de evidência.
Der Puls
- Um sargento da PM foi baleado no pescoço e no tórax dentro do alojamento do quartel, morto por colegas durante uma discussão sobre mudança de escala no feriado de Páscoa de 2023.
- A versão oficial de legítima defesa sempre foi contestada pela família, que nunca acreditou que Rullian tivesse sacado a arma primeiro.
- Uma câmera acoplada à farda de um policial registrou o capitão Laroca se justificando logo após os disparos, aparentemente sem abalo emocional, e mostrou o corpo de Rullian coberto por uma manta em um beliche.
- O capitão Francisco Laroca e o cabo Fabiano Rizzo respondem por homicídio qualificado, fraude processual e abuso de autoridade — crimes que carregam as qualificadoras de surpresa e de uso da condição militar.
- A advogada da família é categórica: em três anos de investigação, nenhuma evidência sustenta a tese de legítima defesa, e as imagens da câmera de farda podem ser decisivas para o veredito.
Dentro de um quartel da Polícia Militar de São Paulo, em abril de 2023, um sargento com 17 anos de carreira foi morto a tiros por colegas durante uma discussão sobre escala de trabalho — um conflito banal que revelou tensões profundas dentro da própria instituição encarregada de proteger. Nesta terça-feira, a Justiça Militar julga o capitão e o cabo acusados do crime, enquanto imagens gravadas por uma câmera de farda desafiam a narrativa de legítima defesa e colocam em xeque a versão oficial. O caso interroga não apenas a culpa individual, mas a cultura de autoridade e silêncio que pode prosperar quando a violência acontece entre os próprios guardiões da lei.
Na manhã de 6 de abril de 2023, feriado de Páscoa, o sargento Rullian Ricardo da Silva foi informado pelo capitão Francisco Laroca de que precisaria assumir o plantão do fim de semana — contrariando a folga que havia planejado para visitar a família em Franca. Rullian havia se mudado para São Paulo em busca de uma vida melhor, mas acumulava frustração com a desorganização das escalas, insatisfação que registrava em áudios enviados a amigos. A discussão sobre a mudança de escala escalou até o alojamento do quartel, onde terminou em tragédia: Rullian foi baleado no pescoço e no tórax e morreu no local. Tinha 40 anos e 17 de carreira.
A Polícia Militar sustentou que o sargento havia sacado uma arma durante o confronto, levando o capitão Laroca a disparar três vezes em legítima defesa, enquanto o cabo Fabiano Rizzo, motorista do capitão, atirou uma vez. As armas dos três foram apreendidas. A família de Rullian, porém, nunca aceitou essa versão.
O que pode mudar o rumo do julgamento é uma câmera acoplada à farda do policial que atendeu à ocorrência. As imagens mostram Laroca se justificando — dizendo que Rullian havia sido grosseiro com uma colega — sem demonstrar abalo aparente. Mostram também o corpo do sargento coberto por uma manta em um beliche, com um revólver calibre 32 encontrado embaixo da coberta. Laroca e Rizzo foram denunciados por homicídio qualificado, fraude processual e abuso de autoridade.
Nesta terça-feira, o julgamento ocorre na 4ª Auditoria Militar, diante de um conselho composto por um tenente e três majores da PM. A advogada da família, Pâmela Stradioti, resume o que está em jogo: três anos de investigação não produziram nenhuma evidência que sustente a legítima defesa. As imagens da câmera de farda, que capturam tanto a cena quanto as palavras do capitão nos momentos seguintes aos disparos, podem ser o elemento decisivo.
Nesta terça-feira, 15 de setembro, a Justiça Militar de São Paulo julgará um capitão e um cabo da Polícia Militar acusados de matar um colega sargento dentro de um quartel. O caso remonta a 6 de abril de 2023, quando Rullian Ricardo da Silva, um policial de 40 anos com 17 anos de carreira, foi baleado no pescoço e no tórax durante uma discussão sobre escala de trabalho no alojamento da corporação.
Rullian havia se mudado para São Paulo em busca de uma vida melhor, mas estava frustrado com a desorganização das escalas de plantão — uma insatisfação que compartilhava em áudios com amigos. No feriado de Páscoa daquele ano, ele deveria ter folga e planejava visitar a família em Franca. Porém, em cima da hora, o capitão Francisco Laroca o informou que precisaria assumir o plantão do fim de semana. A mudança gerou tensão. No dia 6 de abril, os dois discutiram no alojamento sobre essa alteração.
Segundo a versão inicial da Polícia Militar, Rullian teria sacado uma arma durante o confronto. O capitão Laroca, também armado, disparou três vezes em defesa própria. O cabo Fabiano Rizzo, motorista do capitão, atirou uma vez contra o sargento. Rullian foi atingido e morreu no local. As armas dos três policiais foram apreendidas.
Mas a família de Rullian sempre contestou essa narrativa. E agora há evidência visual que complica a defesa dos acusados. Uma câmera acoplada à farda do policial que atendeu à ocorrência após o crime registrou imagens cruciais: Laroca se justificando, dizendo que Rullian havia agido com grosseria ao contestar uma colega. As mesmas imagens mostram Rullian já baleado, deitado e coberto por uma manta em um beliche. O policial que atendeu encontrou uma arma — um revólver calibre 32 — embaixo da coberta, junto ao corpo. Nas imagens, o capitão Laroca não parecia abalado com o fato de ter disparado contra seu colega.
O capitão Francisco Laroca e o cabo Fabiano Rizzo foram denunciados por homicídio qualificado, com as qualificadoras de surpresa e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de terem se valido da condição de militares em serviço para cometer o crime. Também foram acusados de fraude processual. As defesas dos dois policiais argumentam que agiram em legítima defesa.
O julgamento ocorrerá na 4ª Auditoria Militar, com início marcado para as 14h. O conselho especial de justiça é composto por um tenente e três majores da Polícia Militar. Pâmela Stradioti, advogada da família de Rullian que atua na acusação, é direta: "A defesa vai ter que provar que foi uma legítima defesa, mas essa legítima defesa não encontra força em nada que foi feito na investigação durante esses três anos". As imagens da câmera de farda, que documentam tanto a cena quanto as palavras do capitão logo após os disparos, podem ser determinantes para o resultado do julgamento.
Bemerkenswerte Zitate
A defesa vai ter que provar que foi uma legítima defesa, mas essa legítima defesa não encontra força em nada que foi feito na investigação durante esses três anos— Pâmela Stradioti, advogada da família de Rullian