No Irã de junho de 2026, a arte encontrou o peso da lei quando a cantora Parastoo Ahmadi, 29 anos, teve confirmada em segunda instância uma condenação a 74 chibatadas por ter cantado sem hijab num concerto em Qom — um gesto que, para ela, era expressão artística, e para o Estado, uma transgressão moral e religiosa. A sentença, que também proíbe a artista de trabalhar e de deixar o país por dois anos, ecoa além das fronteiras iranianas: organizações internacionais consideram o açoite uma forma de tortura, colocando em questão os compromissos do Irã perante o direito internacional. Neste episódi
Justiça iraniana confirma condenação de cantora a 74 chibatadas por cantar sem hijab
A sentença é definitiva e de cumprimento obrigatório
Por que essa condenação específica importa agora, em 2026? Não é apenas mais um caso de repressão no Irã?
Porque a confirmação em segunda instância torna a sentença definitiva e executável. Não há mais recursos. E porque envolve nove pessoas — não é um caso isolado, é um padrão de punição coordenada contra artistas.
Mas precisamos ser claros: sabemos que o tribunal confirmou a sentença em junho de 2026. Sabemos que Ahmadi publicou no Instagram. O que não sabemos é se a sentença já foi executada, ou se está sendo adiada, ou qual é a situação atual dela.
E quanto aos outros oito músicos? Eles têm nomes?
A fonte não os nomeia individualmente. Sabemos que receberam as mesmas punições, mas não temos identidades específicas.
Exatamente. A história foca em Ahmadi porque ela é a figura pública, a compositora conhecida desde 2022. Os outros oito são mencionados como grupo, sem individualização.
Qual é o risco real para ela agora?
Dois anos sem poder trabalhar em nada audiovisual — sem cantar, sem filmar, sem produzir. E não pode sair do país. Se a sentença for executada, ela enfrenta 74 chibatadas, o que é castigo corporal.
E aqui está o ponto que a história levanta mas não resolve: organizações de direitos humanos chamam isso de tortura. Mas o Irã não reconhece essa classificação. Então há um conflito entre o que o direito internacional diz e o que o Irã faz — e não há mecanismo claro de enforcement.
Ahmadi sabia que isso poderia acontecer quando publicou o vídeo?
Ela estava participando de um ato de desobediência civil. Mulheres iranianas vinham aparecendo sem hijab desde 2022 como protesto. Mas a diferença é que ela publicou, criou um registro permanente, e envolveu outros artistas.
E aqui temos que notar: a defesa dela argumentou que era artístico, sem intenção criminosa. O tribunal discordou. Mas a questão de intenção não é resolvida na sentença — apenas rejeitada.
The Pulse
- Em dezembro de 2024, Parastoo Ahmadi cantou sem véu num concerto transmitido ao vivo em Qom — e em menos de 24 horas as autoridades já haviam aberto processo contra ela e os oito músicos que a acompanhavam.
- Em junho de 2026, o Tribunal de Recurso da Província de Qom rejeitou todas as objeções da defesa e manteve a condenação intacta: 74 chibatadas, dois anos sem atividades audiovisuais e dois anos sem poder sair do Irã para cada um dos condenados.
- A defesa argumentou que a apresentação tinha caráter artístico e ausência de intenção criminosa, mas o tribunal classificou o concerto como obsceno e contrário às normas morais e religiosas do país.
- Ahmadi anunciou a sentença definitiva no Instagram, tornando pública uma decisão que advogados de direitos humanos já denunciam como tortura sob o direito internacional.
- O caso reacende o debate iniciado com os protestos de 2022 após a morte de Mahsa Amini, quando mulheres iranianas passaram a retirar o véu em público como ato de desobediência civil — e o Estado respondeu com fiscalização e punições crescentes.
No Irã de junho de 2026, a arte encontrou o peso da lei quando a cantora Parastoo Ahmadi, 29 anos, teve confirmada em segunda instância uma condenação a 74 chibatadas por ter cantado sem hijab num concerto em Qom — um gesto que, para ela, era expressão artística, e para o Estado, uma transgressão moral e religiosa. A sentença, que também proíbe a artista de trabalhar e de deixar o país por dois anos, ecoa além das fronteiras iranianas: organizações internacionais consideram o açoite uma forma de tortura, colocando em questão os compromissos do Irã perante o direito internacional. Neste episódio, o corpo de uma mulher volta a ser o campo de disputa entre a liberdade de expressão e o controle do Estado.
Em junho de 2026, a Justiça iraniana confirmou em segunda instância a condenação da cantora Parastoo Ahmadi a 74 chibatadas, dois anos de proibição para exercer atividades audiovisuais e dois anos sem permissão para deixar o Irã. O motivo: ter cantado sem hijab num concerto transmitido ao vivo em dezembro de 2024 na Província de Qom.
Ahmadi, 29 anos, publicou um vídeo de cerca de 27 minutos do concerto no YouTube. Na apresentação, usava vestido longo preto com ombros descobertos e nenhum véu. O vídeo circulou amplamente nas redes sociais e, em menos de 24 horas, as autoridades abriram processo contra ela e os demais envolvidos. O tribunal classificou o concerto como obsceno e contrário às normas morais e religiosas do país.
A condenação atingiu também os oito músicos e integrantes da equipe presentes no concerto, todos punidos com as mesmas penas. A defesa alegou caráter artístico e ausência de intenção criminosa, mas o argumento foi rejeitado. Ahmadi anunciou a sentença definitiva pelo Instagram, informando que a Seção 16 do Tribunal de Recurso de Qom manteve a decisão da primeira instância sem qualquer alteração.
A artista ganhou visibilidade nacional durante os protestos de 2022, deflagrados após a morte de Mahsa Amini sob custódia da Polícia da Moral. Naquele período, lançou a música Do Sangue da Juventude da Pátria, que também atraiu a atenção das autoridades. Nascida em Nowshahr, no norte do país, ela é cantora, compositora e cineasta formada em direção de cinema pela Universidade Sooreh, em Teerã.
O advogado de direitos humanos Moein Khazaeli declarou ao The Guardian que a imposição de açoitamento a artistas e ativistas não é apenas uma questão de direito penal interno: organizações internacionais consideram o açoite tortura e tratamento desumano, colocando o Irã em conflito com seus compromissos no direito internacional.
Em junho de 2026, a Justiça iraniana confirmou em segunda instância uma condenação que havia sido proferida meses antes contra a cantora Parastoo Ahmadi: 74 chibatadas, dois anos de proibição para exercer qualquer atividade audiovisual, e dois anos sem permissão para deixar o país. O crime? Ter cantado em público sem hijab durante um concerto transmitido ao vivo em dezembro de 2024 na Província de Qom.
Ahmadi, que tem 29 anos, publicou um vídeo de aproximadamente 27 minutos do concerto no YouTube. Na apresentação, ela usava um vestido longo preto com os ombros descobertos e nenhum véu cobrindo sua cabeça. Estava acompanhada por quatro músicos homens. O vídeo circulou amplamente nas redes sociais, e em menos de 24 horas as autoridades judiciais abriram um processo contra ela e contra os demais envolvidos na apresentação. O tribunal classificou o concerto como obsceno e contrário às normas morais e religiosas do país.
A condenação não atingiu apenas Ahmadi. Oito outros músicos e integrantes da equipe que participaram do concerto receberam as mesmas punições: 74 chibatadas cada, dois anos de impedimento para atividades audiovisuais, e dois anos sem poder sair do Irã. Todos foram acusados de realizar a apresentação sem autorização e de desrespeitar normas legais e religiosas. A defesa argumentou que a apresentação tinha caráter artístico e não envolvia intenção criminosa, mas o tribunal não aceitou a argumentação.
Ahmadi anunciou a confirmação da sentença através de uma publicação no Instagram, informando que a Seção 16 do Tribunal de Recurso da Província de Qom havia rejeitado todas as objeções apresentadas pelos acusados e mantido a decisão da primeira instância sem qualquer alteração. Ela deixou claro que a sentença é definitiva e seu cumprimento é obrigatório.
A artista ganhou visibilidade nacional durante os protestos que explodiram no Irã em 2022, após a morte de Mahsa Amini, uma jovem detida pela Polícia da Moral por questões relacionadas ao uso do véu islâmico. Naquele período, Ahmadi lançou a música Do Sangue da Juventude da Pátria, que também atraiu a atenção das autoridades. Nascida em 1997 em Nowshahr, no norte do país, ela é cantora, compositora e cineasta, tendo se formado em direção de cinema pela Universidade Sooreh em Teerã.
Desde os protestos de 2022, mulheres iranianas começaram a aparecer em público sem cobrir a cabeça como forma de desobediência civil contra as regras de vestuário impostas pelo Estado. As autoridades continuaram aplicando as regulamentações sobre o hijab, embora a intensidade da fiscalização tenha variado ao longo do tempo.
Moein Khazaeli, advogado de direitos humanos do centro de aconselhamento jurídico Dadban, declarou ao jornal britânico The Guardian que a aplicação de castigos físicos contra artistas e ativistas levanta questões profundas sobre as obrigações internacionais dos países. Segundo ele, a imposição de uma sentença de açoitamento não é apenas uma questão de direito penal interno. Organizações internacionais de direitos humanos consideram o açoite uma forma de tortura e tratamento desumano, o que coloca o Irã em conflito com seus compromissos no direito internacional.
Notable Quotes
A imposição de uma sentença de açoitamento contra artistas, ativistas da sociedade civil ou outros cidadãos não é apenas uma questão de Direito penal interno— Moein Khazaeli, advogado de direitos humanos do centro Dadban