Desembargador Roberto Nussinkks Mac Cracken restabeleceu indisponibilidade de quotas e imóveis da LP Administradora enquanto STJ analisa recurso especial. Disputa envolve segunda geração (Nasser e Jamel Fares) contra terceira geração (filhos e sobrinhos) sobre transferência de participações societárias.
Justiça bloqueia bens da família Fares em disputa pelo controle da Marabraz
Centenas de imóveis permanecem congelados enquanto a empresa afunda
Por que uma disputa familiar sobre quotas de uma empresa imobiliária importa tanto que chega aos jornais?
Porque não é apenas sobre quotas. É sobre uma família que construiu um império no varejo — a Marabraz — e agora está se despedaçando enquanto a empresa enfrenta uma crise real de R$ 140 milhões em dívidas.
Mas a LP Administradora é separada da Marabraz, certo? Por que os credores da loja se importam com imóveis de uma outra empresa?
Teoricamente são separadas, mas na prática o patrimônio é tudo da mesma família. Se você consegue blindar centenas de imóveis contra credores através de uma transferência questionável, você está protegendo a riqueza enquanto a empresa que gera essa riqueza afunda.
Então Nasser e Jamel estão tentando evitar que seus filhos façam exatamente o que eles fizeram — proteger bens?
Mais ou menos. Eles dizem que a transferência foi legítima, que a empresa está se recuperando, que não há risco. Mas o tribunal acreditou que havia risco o suficiente para congelar tudo enquanto o caso é julgado.
E se o STJ decidir que a transferência foi realmente fraude?
Então os bens voltam para a LP, e potencialmente para alcance dos credores da Marabraz. Mas se disser que foi legítima, a terceira geração fica com o controle de um patrimônio imenso.
Il Polso
- Desembargador Roberto Nussinkski Mac Cracken restabeleceu bloqueio de quotas e imóveis da LP Administradora
- Disputa opõe Nasser e Jamel Fares contra filhos e sobrinhos pelo controle de patrimônio familiar
- Marabraz entrou com recuperação judicial para renegociar R$ 140 milhões em dívidas
- Empresa reduziu endividamento em R$ 115 milhões em 2024, segundo auditoria
Desembargador Roberto Nussinkks Mac Cracken restabeleceu indisponibilidade de quotas e imóveis da LP Administradora enquanto STJ analisa recurso especial. Disputa envolve segunda geração (Nasser e Jamel Fares) contra terceira geração (filhos e sobrinhos) sobre transferência de participações societárias.
Tribunal de Justiça de São Paulo bloqueou provisoriamente quotas e imóveis da LP Administradora de Bens, empresa que reúne patrimônio da família Fares, dona da Marabraz, em disputa familiar sobre controle societário.
Um tribunal de São Paulo voltou a congelar os bens de uma das famílias mais ricas do varejo brasileiro, em meio a uma batalha que opõe pais contra filhos pelo controle de uma fortuna que inclui centenas de imóveis. A decisão, proferida na terça-feira pelo desembargador Roberto Nussinkski Mac Cracken, restabeleceu o bloqueio das quotas e propriedades da LP Administradora de Bens — a empresa que abriga parte do patrimônio dos Fares, donos da rede de lojas Marabraz.
No centro da disputa estão Nasser e Jamel Fares, filhos do fundador Abdul Hamid Fares e atuais controladores da varejista. Eles enfrentam uma ação movida por seus próprios filhos e sobrinhos — a terceira geração da família — que questionam uma transferência de quotas realizada anos atrás. Os filhos argumentam que a operação foi simulada, uma manobra para blindar o patrimônio contra credores da Marabraz. Os pais e tios contestam, afirmando que não há risco real de esvaziamento dos ativos e que a empresa, na verdade, reduziu seu endividamento em R$ 115 milhões em 2024, quitando mais de R$ 70 milhões em empréstimos bancários.
A história judicial é complexa. Em primeira instância, um juiz concordou com a tese dos filhos, considerando a transferência fraudulenta porque as quotas teriam mudado de mãos sem pagamento efetivo. Mas em setembro de 2025, o tribunal paulista reverteu essa decisão, entendendo que não havia provas suficientes de fraude. Agora, Nasser e Jamel recorreram ao Superior Tribunal de Justiça, pedindo não apenas o bloqueio dos bens enquanto o caso é julgado, mas também o afastamento dos primos Abdul e Nader da administração da empresa e a nomeação de um administrador judicial.
O desembargador Mac Cracken concedeu parte do que foi pedido. Restabeleceu a indisponibilidade das quotas e imóveis, mas rejeitou a intervenção judicial na administração da empresa. É uma vitória parcial para Nasser e Jamel, que conseguiram congelar o patrimônio, mas não conseguiram tirar os primos do comando operacional.
Tudo isso acontece enquanto a Marabraz enfrenta uma crise financeira severa. A varejista entrou com pedido de recuperação judicial neste mês para renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas. A empresa atribuiu suas dificuldades a juros elevados, endividamento crônico, redução do consumo e — de forma explícita — aos conflitos societários e familiares que prejudicaram seu acesso a crédito. A disputa interna, portanto, não é apenas uma questão privada de herança; ela tem impacto direto na saúde financeira de um negócio que emprega milhares de pessoas.
A batalha também revelou acusações sobre gastos pessoais milionários atribuídos à terceira geração. Um dos episódios mais comentados foi a compra de um anel avaliado em cerca de R$ 6 milhões, presenteado por Abdul Fares à sua noiva, a atriz Marina Ruy Barbosa. Essas acusações alimentam a narrativa de que o patrimônio familiar estava sendo esvaziado, justificando os pedidos de bloqueio.
Agora, centenas de imóveis da família Fares permanecem indisponíveis enquanto o Superior Tribunal de Justiça analisa o recurso especial. A decisão do desembargador mantém a pressão sobre ambos os lados enquanto a Marabraz tenta se recuperar de seus problemas financeiros. O que acontecer nos próximos meses no STJ pode determinar não apenas quem controla a fortuna familiar, mas também a viabilidade da recuperação judicial da varejista.
Citazioni salienti
A transferência de participação aos filhos foi uma tentativa frustrada de blindar o patrimônio familiar contra os credores da Marabraz— Argumento de Nasser e Jamel Fares no recurso ao STJ
O patrimônio da LP não pode ser tratado como se pertencesse à varejista e não há demonstração de risco concreto de esvaziamento dos ativos— Defesa de Abdul Fares