Justiça anula posse de Jorge Viana na Apex-Brasil por falta de fluência em inglês

Alterou as regras para legalizar sua nomeação, mas a Justiça anulou tudo
Jorge Viana tentou contornar a exigência de fluência em inglês mudando o regramento interno da Apex-Brasil.
Mark

Por que exatamente a fluência em inglês é tão importante para um cargo assim? Parece um detalhe técnico.

Mimi

Não é bem um detalhe. A Apex-Brasil trabalha com exportações e negociações internacionais. Se o presidente não fala inglês, fica difícil liderar nesse contexto.

Luke

Mas a pergunta real é: por que Viana foi nomeado sem atender esse requisito? Lula sabia disso?

Mimi

Aparentemente sim. E Viana tentou resolver mudando as regras internas da agência. Conseguiu em março.

Mark

Então ele tentou contornar a exigência?

Mimi

Exatamente. Alterou o regramento para remover a fluência como requisito. Mas a Justiça anulou tudo.

Luke

Quem moveu a ação? Isso é importante.

Mimi

Flávio Bolsonaro, senador pelo PL. Então tem uma dimensão política clara aqui.

Mark

E agora? Viana pode apresentar um vídeo falando inglês e resolver?

Mimi

Teoricamente sim. A juíza deu prazo para ele apresentar diploma ou vídeo. Mas a AGU vai recorrer.

Luke

Então ainda não está fechado. E não sabemos se Viana realmente fala inglês ou não.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que ele não tinha o diploma quando foi nomeado.

Mark

Isso já aconteceu antes?

Mimi

Sim. No governo Bolsonaro, um presidente da Apex também não tinha fluência. Saiu uma semana depois.

  • A juíza federal Diana Wanderlei anulou a posse de Jorge Viana na presidência da Apex-Brasil, citando o descumprimento do requisito de fluência em inglês — língua considerada essencial para quem lidera uma agência de exportações no cenário global.
  • Três meses após sua nomeação por Lula, Viana tentou apagar o próprio obstáculo alterando o regramento interno da instituição para remover a exigência do idioma, manobra que a Justiça recusou reconhecer.
  • O precedente é incômodo: durante o governo Bolsonaro, outro presidente da Apex-Brasil renunciou após uma semana por não falar inglês — o mesmo problema ressurge agora com sinal político invertido.
  • A juíza concedeu prazo para que Viana apresente diploma de proficiência ou vídeo demonstrando fluência, enquanto a AGU já sinalizou que recorrerá da decisão, mantendo o cargo em disputa judicial.

Em democracias maduras, a competência técnica e os requisitos formais dos cargos públicos funcionam como guardiões silenciosos do interesse coletivo. No Brasil, a Justiça Federal anulou a posse de Jorge Viana à frente da Apex-Brasil — agência de promoção de exportações — por ausência de fluência em inglês, exigência considerada indissociável de uma função voltada ao comércio internacional. A decisão, provocada por ação do senador Flávio Bolsonaro, levanta uma questão perene: onde termina a indicação política e começa a responsabilidade institucional?

A Justiça Federal anulou a posse de Jorge Viana como presidente da Apex-Brasil. A decisão foi proferida pela juíza substituta Diana Wanderlei, da 5ª Seção Judiciária do Distrito Federal, com base em um requisito que Viana não cumpre: fluência em inglês — exigência considerada fundamental para quem dirige uma agência dedicada à promoção de exportações no âmbito das relações internacionais.

Viana, ex-governador do Acre e ex-senador, havia sido nomeado pelo presidente Lula em janeiro. Três meses depois, conseguiu alterar o regramento interno da Apex-Brasil para suprimir a exigência do idioma — uma tentativa de legalizar sua permanência no cargo que a Justiça não aceitou. A ação que derrubou a nomeação foi movida pelo senador Flávio Bolsonaro.

Na sentença, a magistrada foi direta: os cargos de presidência e diretoria da agência não têm natureza política, o que torna indispensável a adoção de critérios técnicos e objetivos. Ela concedeu prazo para que Viana apresente diploma de proficiência em inglês ou um vídeo demonstrando fluência no idioma.

O episódio evoca um precedente constrangedor: no governo Bolsonaro, Alecxandro Pinho Carreiro assumiu a mesma presidência sem dominar o inglês e se demitiu uma semana depois. A história se repete agora com outro nome e outro governo, revelando uma tensão institucional que transcende partidos. A AGU anunciou que recorrerá da decisão, e o desfecho dependerá da resposta de Viana ao prazo fixado pela juíza.

A Justiça Federal anulou, na segunda-feira, a posse de Jorge Viana como presidente da Apex-Brasil. A decisão partiu da juíza substituta Diana Wanderlei, da 5ª Seção Judiciária do Distrito Federal, e se baseou em um requisito que Viana não atende: fluência em inglês.

Viana, ex-governador do Acre e ex-senador, foi nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 3 de janeiro. Três meses depois, em 22 de março, ele conseguiu alterar o regramento interno da Apex-Brasil — a agência responsável por políticas de promoção de exportações — para remover a exigência de fluência no idioma. A manobra buscava, na prática, legalizar sua permanência no cargo. Não funcionou.

A ação judicial que derrubou a nomeação foi movida pelo senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro. Na sentença, a juíza Diana Wanderlei foi clara sobre o peso da língua inglesa para o cargo. Ela deu um prazo para que Viana apresentasse um diploma de proficiência em inglês ou, alternativamente, um vídeo em que demonstrasse falar o idioma com fluência.

Em sua fundamentação, a magistrada argumentou que a Apex-Brasil existe para executar políticas de promoção de exportações no contexto das relações internacionais. "Torna-se de fundamental importância para a estrutura executiva o conhecimento da língua mater dos negócios empresariais internacionais", escreveu na decisão. Ela também ressaltou que os cargos de presidência e diretoria da agência não são de natureza política, o que reforça a necessidade de critérios técnicos e objetivos.

A situação não é inédita. Durante o governo Bolsonaro, Alecxandro Pinho Carreiro enfrentou constrangimento semelhante ao assumir a mesma presidência sem ser proficiente em inglês. Ele se demitiu uma semana depois de tomar posse. O paralelo ressurge agora com Viana, sugerindo que a questão da fluência no idioma permanece como um ponto de tensão institucional na Apex-Brasil.

A Advocacia Geral da União já anunciou que recorrerá da decisão. O próximo passo dependerá de como Viana responder ao prazo estabelecido pela juíza — se apresentará a documentação de proficiência ou se buscará outras vias legais para manter o cargo.

Torna-se de fundamental importância para a estrutura executiva o conhecimento da língua mater dos negócios empresariais internacionais
— Juíza Diana Wanderlei
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