Justiça acusa venezuelano baleado pelo ICE de agredir agente federal no Texas

Wilber Rafael Garces Perez foi baleado e sofreu fratura na clavícula, permanecendo com projétil no corpo e sob custódia do ICE.
Câmera que ninguém viu ainda sustenta acusação federal
A denúncia contra Garces Perez se baseia em vídeo de câmera corporal que permanece não divulgado publicamente.
Mark

Por que esse caso específico importa? Parece ser um entre centenas de acusações similares.

Mimi

Porque temos duas narrativas completamente diferentes sobre o que aconteceu — a câmera de um agente contra a palavra de um homem que continua com uma bala no corpo. E a acusação depende dessa câmera que ninguém viu ainda.

Luke

Exatamente. A denúncia cita "imagens de câmera" mas o vídeo não foi divulgado. Então estamos avaliando acusações federais com base em evidência que o público não pode examinar.

Mark

E quanto à versão dele, de que foi baleado após o policial bater nele?

Mimi

Ele contou isso a um investigador do DHS. Mas não sabemos se há câmera que corrobore ou contradiga essa versão. Os vídeos públicos não mostram o tiroteio.

Luke

Isso é importante: os vídeos públicos não mostram o tiroteio. Então não podemos verificar independentemente qual versão é correta. Estamos confiando na câmera do agente ou na palavra de Perez.

Mark

E ele está sob custódia do ICE enquanto isso tudo acontece?

Mimi

Sim. E com uma bala ainda dentro dele. Sua advogada diz que ele corre risco de sepse se não for operado.

Luke

O DHS diz que ele está recebendo atendimento médico adequado. Mas "adequado" é vago. Ninguém confirmou se ele foi oferecido cirurgia ou se recusou, ou qual é o plano médico real.

Mark

Então o padrão que você mencionou — 31% de arquivamento — isso significa que a maioria desses casos não prospera?

Mimi

Significa que quase um terço dos casos concluídos são arquivados. Mas não sabemos por quê. Falta de evidência? Problemas processuais? Defesa bem-sucedida?

Luke

E não sabemos quantos casos ainda estão pendentes. Esses 851 — quantos foram concluídos? Quantos estão em tribunal agora? A análise da Reuters olhou para julho, mas estamos em setembro.

  • Garces Perez enfrenta acusações federais graves — agredir, resistir e interferir com agente do ICE — que podem resultar em condenação e deportação.
  • As versões são irreconciliáveis: o governo diz que ele acelerou e atingiu um agente com o espelho do carro; ele diz que foi baleado depois que um policial colidiu com seu veículo.
  • O vídeo da câmera corporal que poderia esclarecer o incidente permanece fora do alcance público, alimentando a disputa narrativa.
  • Sua advogada alerta que a bala ainda alojada em seu corpo e a fratura na clavícula colocam Garces Perez em risco de sepse e danos permanentes enquanto ele permanece sob custódia do ICE.
  • Uma análise da Reuters revela que 31% dos casos similares são arquivados — quatro vezes a taxa geral federal —, sugerindo que a acusação pode enfrentar obstáculos significativos.

Um jovem venezuelano de 28 anos compareceu a um tribunal federal no Texas acusado de agredir um agente do ICE durante uma abordagem de trânsito em Austin — mas as versões sobre o que aconteceu naquele 20 de setembro divergem profundamente. Enquanto o governo descreve um homem que usou o próprio carro como arma, Garces Perez afirma ter sido baleado após uma colisão provocada pela própria polícia. O caso, que o deixou com uma bala no corpo e uma clavícula fraturada, ecoa uma tensão mais ampla entre o poder do Estado e a vulnerabilidade daqueles que chegam às suas fronteiras.

Wilber Rafael Garces Perez, 28 anos, venezuelano, entrou em um tribunal federal do Texas nesta terça-feira acusado de agredir, resistir e interferir com agentes do ICE durante uma abordagem de trânsito ocorrida em 20 de setembro em Austin. A denúncia, apresentada pelo Departamento de Justiça sob a administração Trump, afirma que ele acelerou o veículo e atingiu um agente no torso com o espelho lateral ao ser solicitado a sair do carro.

O agente atingido — que não portava câmera corporal — perseguiu Garces Perez em seu próprio veículo. Segundo a acusação, houve uma segunda tentativa de atropelamento, momento em que o agente efetuou os disparos. A versão de Garces Perez é outra: ele afirma que foi baleado após um policial colidir com seu carro, fazendo-o girar. Vídeos públicos registram o momento posterior ao tiroteio, mas não o tiroteio em si.

As consequências físicas permanecem graves. Sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, informou que ele continua com a bala alojada no corpo e com fratura na clavícula, correndo risco de sepse caso não seja operado em breve. O Departamento de Segurança Interna afirma que ele está recebendo atendimento adequado.

O caso se insere em um padrão mais amplo: o governo Trump acusou ao menos 851 pessoas por crimes semelhantes contra agentes federais. No entanto, uma análise da Reuters publicada em julho mostrou que 31% desses processos foram arquivados — taxa quatro vezes superior à média federal —, levantando dúvidas sobre a solidez de muitas dessas denúncias.

Wilber Rafael Garces Perez, um homem de 28 anos vindo da Venezuela, entrou em um tribunal federal do Texas nesta terça-feira enfrentando acusações de ter agredido, resistido e interferido com um agente federal. O Departamento de Justiça, sob a administração Trump, apresentou a denúncia contra ele após um incidente ocorrido em 20 de setembro em Austin, quando agentes do Serviço de Imigração e Alfândega o abordaram durante uma parada de trânsito.

Segundo a acusação, quando os agentes pediram que Garces Perez saísse do veículo, ele acelerou o carro e atingiu um dos agentes no torso com o espelho lateral do automóvel. A denúncia se baseia em imagens capturadas pela câmera corporal de um dos agentes presentes naquele dia — vídeo que permanece não divulgado ao público. O agente que foi atingido, que não portava câmera corporal, perseguiu Garces Perez em seu próprio carro, alcançando-o em seguida. Nesse ponto, de acordo com a acusação, Garces Perez teria tentado atropelar o agente, que então disparou contra ele.

A versão dos fatos apresentada por Garces Perez difere significativamente. Quando interrogado por um investigador do Departamento de Segurança Interna, ele afirmou que foi baleado depois que um policial bateu com seu SUV no seu carro, fazendo-o girar. Vídeos públicos do incidente não mostram o tiroteio em si, mas capturam Garces Perez ferido dentro do veículo após os disparos.

O impacto físico do incidente permanece visível. Kate Lincoln-Goldfinch, advogada de Garces Perez, informou em postagem no Instagram no domingo que seu cliente continua com a bala alojada em seu corpo e sofre de uma fratura na clavícula. Ela expressou preocupação de que sem cirurgia em breve, ele corre risco de desenvolver sepse e sofrer danos permanentes. O Departamento de Segurança Interna respondeu às críticas afirmando que Garces Perez está recebendo atendimento médico adequado. A advogada não respondeu imediatamente a pedidos de comentário adicionais.

O caso de Garces Perez faz parte de um padrão mais amplo. O governo Trump apresentou acusações criminais contra pelo menos 851 pessoas por agredirem ou impedirem agentes federais. Contudo, uma análise da Reuters sobre registros de tribunais federais realizada em julho revelou que 31% dos casos concluídos nessa categoria terminaram em arquivamento — uma taxa significativamente superior aos 8% de arquivamento observados em todos os processos criminais federais. Essa disparidade sugere que muitas das acusações enfrentam obstáculos substanciais para prosperar em tribunal, ainda que o governo continue apresentando denúncias com regularidade.

Seu cliente continua com a bala no corpo e uma fratura na clavícula, e seus apoiadores estão preocupados com a possibilidade de ele sofrer sepse e danos permanentes se não for operado em breve.
— Kate Lincoln-Goldfinch, advogada de Garces Perez, em postagem no Instagram
Contáctanos FAQ