Uma ferida que não cicatriza merece avaliação médica imediata
A cada julho, o Brasil é convidado a olhar com atenção para um grupo de doenças que, em silêncio, transforma dezenas de milhares de vidas por ano. O câncer de cabeça e pescoço — com seus 40 mil novos casos anuais — é prevenível, tratável quando descoberto cedo, e profundamente humano em suas consequências. A campanha Julho Verde existe para lembrar que sinais como feridas persistentes na boca ou rouquidão prolongada não devem ser ignorados, pois o tempo entre o sintoma e o diagnóstico pode ser a diferença entre cura e perda.
- Com 40 mil novos casos por ano no Brasil, o câncer de cabeça e pescoço avança em silêncio — frequentemente ignorado até estágios avançados.
- Tabagismo, álcool e HPV seguem como os principais responsáveis, mas muitos pacientes só descobrem a doença quando ela já comprometeu fala, deglutição ou respiração.
- Feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente e caroços no pescoço são alertas que exigem avaliação médica imediata — não amanhã.
- Dentistas e fonoaudiólogos estão na linha de frente: consultas periódicas podem detectar lesões precoces, e a reabilitação fonoaudiológica é essencial para restaurar autonomia após o tratamento.
- O Hospital Santa Rita reúne especialistas este mês em simpósio para discutir novas condutas, enquanto a campanha reforça que prevenir e diagnosticar cedo ainda é a estratégia mais poderosa.
Julho Verde é o mês em que o Brasil volta sua atenção para o câncer de cabeça e pescoço — um grupo de doenças que registra cerca de 40 mil novos casos por ano no país, afetando boca, laringe, faringe, tireoide e glândulas salivares. No Espírito Santo, as projeções para 2026 incluem mais de 700 casos apenas entre cavidade oral e laringe. Cada número representa uma pessoa e uma família.
Os principais fatores de risco são conhecidos: tabagismo, consumo excessivo de álcool e infecção pelo HPV. O cirurgião Jeferson Lenzi, do Hospital Santa Rita, aponta os sinais que não devem ser ignorados — feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, caroços no pescoço e mudanças na voz. Quando identificada precocemente, a doença oferece chances significativamente maiores de cura com tratamentos menos invasivos.
O consultório do dentista pode ser o primeiro lugar onde tudo muda. O cirurgião-dentista Estevão Azevedo Melo, do Unesc em Colatina, destaca que consultas periódicas são oportunidades valiosas de vigilância, especialmente para fumantes, pessoas que bebem em excesso ou têm infecção por HPV. Alimentação saudável, exercício, higiene bucal e proteção solar nas regiões expostas completam o arsenal preventivo.
Mas o câncer de cabeça e pescoço não termina com o fim do tratamento. Muitos pacientes enfrentam alterações duradouras na fala, na deglutição e na respiração. A fonoaudióloga Emilia Mussi Montenegro, também do Unesc, descreve um acompanhamento que começa antes da cirurgia e se estende por toda a jornada terapêutica — restaurando funções, reduzindo complicações e devolvendo ao paciente a capacidade de comer, falar e interagir com dignidade. Julho Verde é, no fundo, um convite a não ignorar o próprio corpo.
Julho Verde é o mês em que o Brasil volta sua atenção para um grupo de doenças que afeta dezenas de milhares de pessoas a cada ano. A campanha nacional de conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço existe para fazer uma coisa simples mas urgente: alertar. Alertar sobre prevenção, sobre a importância de reconhecer os primeiros sinais, sobre a diferença que o diagnóstico precoce pode fazer na vida de alguém.
Os números são significativos. O Instituto Nacional de Câncer registra aproximadamente 40 mil novos casos anuais desses tumores no Brasil. Eles podem aparecer em muitos lugares — na boca, na laringe, na faringe, nas cavidades nasais, na tireoide, nas glândulas salivares. O tumor de laringe é um dos mais frequentes. No Espírito Santo especificamente, as projeções para 2026 apontam 510 casos de câncer de cavidade oral, 200 de laringe, 110 de tireoide e 6.740 de pele não melanoma. Esses não são números abstratos. Cada um representa uma pessoa, uma família, uma vida que muda.
Os culpados são conhecidos. Tabagismo, consumo excessivo de álcool e infecção pelo HPV aparecem repetidamente como os principais fatores de risco. Jeferson Lenzi, cirurgião e coordenador do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Santa Rita, é direto sobre o que procurar: feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão que persiste, dificuldade para engolir, caroços no pescoço, mudanças na voz. Esses sinais merecem avaliação médica. Não amanhã. Agora. Porque quando a doença é identificada cedo, as chances de cura aumentam significativamente e os tratamentos podem ser menos invasivos.
O consultório do dentista pode ser o primeiro lugar onde tudo muda. Mais do que limpar dentes, o cirurgião-dentista está treinado para ver o que não deveria estar ali — feridas que duram mais de duas semanas, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, nódulos, áreas endurecidas. Estevão Azevedo Melo, dentista e coordenador do curso de Odontologia do Unesc em Colatina, enfatiza que essas consultas periódicas são oportunidades valiosas, especialmente para fumantes, para quem bebe demais, para pessoas com infecção por HPV. É vigilância. É proteção.
A prevenção segue sendo a melhor defesa. Alimentação saudável, exercício regular, higiene bucal em dia, protetor solar nos lábios e nas orelhas e no nariz — regiões que o sol ataca constantemente. Evitar álcool. Parar de fumar. Lenzi é claro: eliminar o cigarro é uma das melhores formas de evitar a maioria dos cânceres de boca, faringe e laringe. O Hospital Santa Rita está organizando um simpósio este mês reunindo especialistas para discutir novos tratamentos e condutas.
Mas o câncer de cabeça e pescoço não termina quando o tratamento termina. Muitos pacientes enfrentam alterações na fala, na capacidade de engolir, na mastigação, na respiração. Sua autonomia fica comprometida. Sua comunicação muda. Sua qualidade de vida se transforma. É aqui que entra a fonoaudiologia. Emilia Mussi Montenegro, fonoaudióloga e coordenadora do curso de Fonoaudiologia do Unesc, descreve um trabalho que começa antes da cirurgia e continua durante e depois, seja qual for o tratamento — cirurgia, radioterapia, quimioterapia. Por meio de avaliações especializadas e terapias, é possível restaurar funções perdidas, reduzir riscos de complicações como pneumonia por aspiração, ajudar o paciente a comer com segurança novamente, a falar novamente, a viver novamente. Esse acompanhamento preserva autonomia, interação social, dignidade.
Julho Verde não é apenas sobre números e fatores de risco. É sobre reconhecer que essa doença é comum, que ela é prevenível, que é tratável quando descoberta cedo, e que mesmo depois do tratamento, há caminhos para recuperação e qualidade de vida. É sobre saber o que procurar. É sobre ir ao dentista. É sobre parar de fumar. É sobre não ignorar uma ferida que não cicatriza.
Notable Quotes
A identificação precoce aumenta significativamente as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais complexos— Jeferson Lenzi, cirurgião e coordenador do Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Santa Rita
O fonoaudiólogo desempenha um papel fundamental no acompanhamento do paciente, restaurando funções perdidas e preservando autonomia e qualidade de vida— Emilia Mussi Montenegro, fonoaudióloga e coordenadora do curso de Fonoaudiologia do Unesc
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o câncer de cabeça e pescoço é tão comum no Brasil?
Porque os fatores de risco são muito presentes na população — tabagismo, consumo de álcool, exposição solar sem proteção. Não é uma doença rara. É uma doença que poderia ser evitada em muitos casos.
E por que o dentista é tão importante nessa história?
Porque a maioria das pessoas vê o dentista regularmente. É um ponto de contato. Um dentista treinado consegue ver lesões suspeitas que o próprio paciente não vê. É diagnóstico precoce acontecendo no lugar mais comum possível.
Qual é o impacto real de um diagnóstico precoce?
Muda tudo. Aumenta significativamente as chances de cura. Permite tratamentos menos agressivos. A diferença entre descobrir cedo e descobrir tarde pode ser a diferença entre uma cirurgia pequena e uma que muda a vida da pessoa para sempre.
Mas mesmo depois de curado, o paciente enfrenta problemas?
Sim. Muitos pacientes ficam com dificuldades para falar, engolir, respirar normalmente. A qualidade de vida fica comprometida. Por isso o fonoaudiólogo é essencial — não é luxo, é reabilitação, é recuperação da autonomia.
Então a campanha Julho Verde está dizendo o quê, no fundo?
Que essa doença não é inevitável. Que há sinais que você pode aprender a reconhecer. Que uma consulta ao dentista pode salvar sua vida. Que parar de fumar importa. Que prevenção funciona.