Após 36 anos de carreira na magistratura, o juiz Milton Lívio Lemos Salles viu-se no centro de uma crise institucional quando foi flagrado bebendo vinho diretamente da garrafa, fumando e vestindo bermuda durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O episódio, que levou à suspensão imediata da sessão, revelou não apenas uma questão de decoro, mas também a forma como um magistrado escolhe responder quando sua conduta é publicamente questionada. Em vez de reconhecer o ocorrido, Salles gravou um vídeo acusando colegas de difamação e dirigindo ofensas sem provas a instituiçõe
Juiz que bebeu vinho em sessão do TJMG acusa colegas de difamação
Difamação que estão fazendo contra mim, diz juiz flagrado bebendo vinho
Por que um juiz com 36 anos de carreira faria algo assim durante uma sessão pública?
Não sabemos. O que sabemos é que ele estava lá, bebendo vinho de uma garrafa, e que a sessão foi suspensa quando isso foi notado. O resto é interpretação.
E por que ele gravou aquele vídeo no dia seguinte?
Aparentemente para negar que estava sendo difamado. Mas em vez de simplesmente dizer "não foi assim", ele atacou o STF, o STJ, um ministro, e fez acusações de corrupção sem provas. Foi uma escolha que complicou as coisas para ele.
Ele estava tentando se defender?
Talvez. Ou talvez estivesse tentando mudar a narrativa. Mas quando você está sendo investigado por conduta inadequada e sua resposta é fazer acusações infundadas contra colegas e instituições, você não está se defendendo — está criando mais problemas.
O que a lei diz sobre isso?
A Lei Orgânica da Magistratura exige conduta irrepreensível. O CNJ tem regras específicas para videoconferências: terno ou toga, nada de bermuda, nada de bebida. Ele violou tudo isso.
E agora?
Agora o Órgão Especial do TJMG vai julgar se houve falta funcional. A sessão estava marcada para 12 de agosto. Depois disso, há consequências possíveis — desde uma advertência até a perda do cargo.
Der Puls
- Um juiz com mais de três décadas de carreira apareceu em sessão virtual bebendo vinho da garrafa, fumando e de bermuda, forçando a suspensão imediata do julgamento.
- Em vez de reconhecer a conduta, Salles gravou um vídeo circulado nas redes sociais em que acusou colegas de difamação e atacou o STF, o STJ e o ministro Alexandre de Moraes sem apresentar qualquer prova.
- O magistrado ainda fez acusações de corrupção contra desembargadores mineiros e desafiou quem quisesse 'bater de frente' com ele, escalando o conflito institucional.
- O TJMG reagiu com rapidez, instaurando procedimento de apuração de falta funcional encaminhado ao Órgão Especial do Tribunal, com julgamento marcado para 12 de agosto.
- Salles recusou-se a falar com a imprensa, deixando o vídeo como sua única resposta pública — um silêncio que contrasta com a veemência das acusações que fez.
Após 36 anos de carreira na magistratura, o juiz Milton Lívio Lemos Salles viu-se no centro de uma crise institucional quando foi flagrado bebendo vinho diretamente da garrafa, fumando e vestindo bermuda durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O episódio, que levou à suspensão imediata da sessão, revelou não apenas uma questão de decoro, mas também a forma como um magistrado escolhe responder quando sua conduta é publicamente questionada. Em vez de reconhecer o ocorrido, Salles gravou um vídeo acusando colegas de difamação e dirigindo ofensas sem provas a instituições como o STF e o STJ — transformando um incidente de comportamento em um teste mais amplo sobre responsabilidade e integridade judicial.
Na manhã de 10 de agosto, durante uma sessão virtual do TJMG, os participantes perceberam algo incomum na tela do juiz Milton Lívio Lemos Salles: ele bebia vinho diretamente de uma garrafa, fumava e vestia bermuda. Assim que o consumo de álcool foi notado, a sessão foi suspensa imediatamente.
No dia seguinte, Salles gravou um vídeo que rapidamente circulou entre colegas nas redes sociais. Nele, o magistrado — com 36 anos de carreira — afirmava ser vítima de difamação. Mas o vídeo foi além da negação: Salles atacou o Supremo Tribunal Federal, o Superior Tribunal de Justiça e o ministro Alexandre de Moraes, fez acusações de corrupção contra desembargadores mineiros sem apresentar qualquer prova e encerrou desafiando quem quisesse confrontá-lo. Quando procurado pela TV Globo, optou pelo silêncio.
A conduta de Salles contrariou normas claras da magistratura. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional exige comportamento irrepreensível na vida pública e particular, e a Resolução 465/2022 do CNJ determina vestimenta adequada — terno ou toga — em videoconferências judiciais. O TJMG respondeu com rapidez, solicitando apuração imediata e rigorosa. A Corregedoria-Geral abriu o procedimento e o encaminhou ao Órgão Especial do Tribunal, com julgamento marcado para 12 de agosto.
O que começou como uma questão de decoro transformou-se em algo mais revelador: não apenas o que um magistrado fez durante uma sessão, mas o que escolheu fazer depois — e o que essa escolha diz sobre sua relação com a responsabilidade institucional.
Milton Lívio Lemos Salles tem 36 anos de carreira como magistrado. Na segunda-feira, 10 de agosto, durante uma sessão virtual do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, ele apareceu na tela bebendo vinho diretamente de uma garrafa, fumando e usando bermuda. Quando os participantes perceberam o consumo de álcool, a sessão foi suspensa imediatamente.
No dia seguinte, terça-feira 11 de agosto, Salles gravou um vídeo que começou a circular entre seus colegas nas redes sociais. Nele, o juiz afirmava estar sendo vítima de difamação. "Meu nome é Milton Lívio Lemos Salles, tenho 36 anos de magistratura, e quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim", disse na gravação. Mas o vídeo não se limitava a negar o ocorrido. Salles também dirigiu ofensas ao Supremo Tribunal Federal, ao Superior Tribunal de Justiça e ao ministro Alexandre de Moraes. Fez ainda acusações de corrupção contra desembargadores mineiros, sem apresentar qualquer prova para sustentá-las. Antes de encerrar, desafiou quem quisesse "bater de frente" com ele.
Quando procurado pela TV Globo para comentar o caso, Salles recusou-se a falar. Sua posição oficial passou a ser o silêncio.
Salles trabalha como juiz de direito auxiliar em uma unidade da segunda instância do TJMG especializada em direito de família. Sua conduta durante a sessão virtual violou normas que regem o comportamento de magistrados. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional, em seu artigo 35, inciso VIII, exige que juízes mantenham "conduta irrepreensível na vida pública e particular". O Conselho Nacional de Justiça também estabelece regras para audiências remotas por meio da Resolução 465/2022, determinando que magistrados usem vestimenta adequada, como terno ou toga, em videoconferências realizadas no exercício da magistratura.
O TJMG respondeu rapidamente. Assim que tomou conhecimento do caso, o tribunal solicitou uma apuração "imediata e rigorosa" mediante a instauração de procedimento para eventual constatação de falta funcional. A Corregedoria-Geral de Justiça do TJMG abriu o procedimento e o encaminhou para apreciação do Órgão Especial do Tribunal, que é o órgão competente para decidir sobre o tema. O julgamento estava marcado para 12 de agosto.
O caso expõe uma tensão entre a conduta observada e a resposta do magistrado. As imagens da sessão são claras e foram vistas por múltiplos participantes. A reação de Salles — não reconhecer o ocorrido, mas sim acusar colegas de difamação enquanto faz acusações infundadas contra instituições e pessoas — adicionou uma camada de complexidade ao episódio. O que começou como uma questão de decoro judicial tornou-se também uma questão sobre como um magistrado responde quando sua conduta é questionada.
Bemerkenswerte Zitate
Tenho 36 anos de magistratura, e quero deixar um depoimento sobre essa difamação que estão fazendo contra mim— Milton Lívio Lemos Salles, em vídeo gravado após a sessão