JPMorgan rebaixa Banco do Brasil e eleva Bradesco após rali de risco

O mercado estava reprecificando os bancos de forma diferenciada
Enquanto o Banco do Brasil ficou para trás no rali, o JPMorgan elevou recomendações para Bradesco e Itaú.
Mark

Por que o JPMorgan rebaixou o Banco do Brasil justamente depois de um dia em que as ações subiram tanto?

Mimi

Porque o rali revelou algo que o banco já suspeitava: o mercado estava precificando os bancos de forma muito otimista. Quando você vê ações subindo 15% a 30% em um dia, é hora de revisar se aquela avaliação faz sentido. No caso do BB, não faz.

Luke

Mas espera — o BB subiu 20% em dólar desde a sexta-feira. Se o rali foi tão forte, por que o JPMorgan acha que o papel vai cair 12%? Isso não é contraditório?

Mimi

Não, porque o BB ficou atrás de outras ações. Enquanto empresas de mercado de capitais dispararam, o BB subiu menos. Isso sugere que o mercado já estava diferenciando entre os bancos.

Mark

E qual é o principal problema do Banco do Brasil segundo o JPMorgan?

Mimi

A inadimplência no agronegócio. A partir de julho e agosto, começou a piorar mais do que o esperado. Para um banco com forte exposição ao crédito rural, isso é um problema sério.

Luke

Mas isso é uma projeção do JPMorgan ou dados concretos? Porque se for só uma estimativa, a margem de erro pode ser grande.

Mimi

É uma leitura mais difícil que o JPMorgan incluiu no seu modelo. Não é um dado fechado, é uma revisão de expectativa.

Mark

E quanto aos outros bancos? Por que o Itaú saiu melhor dessa?

Mimi

O JPMorgan vê o Itaú como uma franquia de alta qualidade, com capital amplo e retorno sobre o patrimônio líquido superior. Em um cenário de incerteza, é o banco mais bem posicionado para crescer.

Luke

A avaliação do Itaú a 10 vezes o preço sobre o lucro de 2027 não é cara? O próprio JPMorgan admite que parece exigente.

Mimi

Admite, mas aponta que o papel já foi negociado perto de 11 a 12 vezes esse múltiplo. E a 2,6 vezes o preço sobre o valor patrimonial, seria um desconto de 30% a 35% em relação ao BTG.

Mark

Então o JPMorgan está dizendo que o Itaú é caro, mas ainda assim recomenda compra?

Mimi

Exatamente. Porque a qualidade da franquia justifica um prêmio de avaliação. É um trade-off entre preço e segurança.

Luke

E a XP? Subiu 78% desde agosto e o JPMorgan ainda acha que vale a pena?

Mimi

Sim, porque o múltiplo de 11 vezes os lucros de 2027 ainda é atrativo para um banco de investimento em um ambiente favorável. Mas é claramente uma aposta mais agressiva do que o Itaú.

  • O JPMorgan rebaixou o Banco do Brasil para venda com alvo de R$ 23, sinalizando queda potencial de mais de 12% — e as ações responderam caindo 5% no mesmo dia.
  • A inadimplência no agronegócio, que se agravou a partir de julho e agosto, tornou-se o principal ponto de pressão sobre a tese de investimento no BB.
  • Um real mais forte e o risco persistente do El Niño ampliam a vulnerabilidade do banco, que tem forte exposição ao crédito rural e uma franquia de depósitos menos favorecida em cenário de juros cadentes.
  • Em contraste, Bradesco foi elevado para compra, Itaú teve seu alvo elevado para R$ 60 e XP recebeu alvo de US$ 38 — sinalizando uma reprecificação seletiva e diferenciada do setor.
  • O JPMorgan também reduziu sua estimativa de custo de capital próprio em cerca de 150 pontos-base para o setor, acompanhando o movimento da curva de juros de 10 anos no Brasil.

Em um dia marcado por um rali expressivo na bolsa brasileira, o JPMorgan reorganizou suas apostas no setor financeiro nacional, rebaixando o Banco do Brasil à condição de venda e elevando o Bradesco à de compra. A decisão reflete uma leitura mais sombria sobre a exposição do BB ao crédito rural — onde a inadimplência começa a se deteriorar — e sobre os efeitos de um real mais forte sobre a rentabilidade. O movimento lembra que nem todo avanço de mercado distribui seus benefícios de forma igualitária: enquanto alguns papéis são reprecificados para cima, outros carregam riscos que o entusiasmo coletivo pode temporariamente obscurecer.

Na terça-feira, após um rali intenso que empurrou diversas ações financeiras entre 15% e 30% em poucas horas, o JPMorgan revisou suas recomendações para o setor bancário brasileiro. A decisão mais impactante foi o rebaixamento do Banco do Brasil de compra para venda, com preço-alvo de R$ 23 — sugerindo queda de 12,64% em relação ao fechamento anterior. As ações do BB recuaram 5,01% logo após o anúncio.

O banco americano apontou a deterioração da inadimplência no agronegócio — mais acentuada do que o esperado a partir de julho e agosto — como o principal fator de risco. A isso se somam um real mais forte, que pressiona a rentabilidade, e a persistência do El Niño, que ameaça a produção agrícola e a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito rural. O JPMorgan avaliou que a recuperação real do BB pode levar anos, e que seu múltiplo atual, entre 0,7 e 0,8 vezes o valor patrimonial, não oferece margem de segurança suficiente.

No lado oposto, o mesmo rali que penalizou o BB abriu espaço para revisões positivas. O Bradesco foi elevado para compra, e o Itaú Unibanco manteve recomendação de compra com alvo elevado para R$ 60 — potencial de alta de 21,26%. O JPMorgan destacou o Itaú como uma franquia de alta qualidade para navegar incertezas de crédito, com capital robusto e retorno sobre patrimônio líquido superior ao dos concorrentes.

No segmento de mercado de capitais, BTG Pactual manteve recomendação de compra — ainda que com valuation crescente — e a XP recebeu alvo elevado para US$ 38, com potencial de alta de cerca de 35%, mesmo após subir 78% desde meados de agosto. O movimento do JPMorgan também incluiu uma redução de aproximadamente 150 pontos-base no custo de capital próprio estimado para o setor, acompanhando a curva de juros de 10 anos. O recado é claro: o apetite por risco reorganiza prioridades — mas não apaga as diferenças entre os que estão bem posicionados e os que carregam vulnerabilidades estruturais.

O JPMorgan mudou de lado nesta terça-feira. Depois de um dia de rali intenso na bolsa brasileira — aquele tipo de movimento que faz as ações subirem entre 15% e 30% em poucas horas — o banco americano revisou suas apostas no setor financeiro do país. A decisão mais drástica foi rebaixar o Banco do Brasil de compra para venda, com preço-alvo de R$ 23, sugerindo uma queda potencial de 12,64% em relação ao fechamento anterior. As ações do BB caíram 5,01% logo após o anúncio, fechando em torno de R$ 25,01.

O que levou o JPMorgan a essa mudança? O banco apontou pressões crescentes no agronegócio como o principal culpado. A partir de julho e agosto, a inadimplência no segmento começou a se deteriorar de forma mais acentuada do que o esperado — um problema sério para uma instituição que tem forte exposição ao crédito rural. Além disso, o JPMorgan incluiu em sua análise dois outros fatores de risco: um real mais forte, que tende a prejudicar a rentabilidade das operações, e a persistência do risco de El Niño, que pode impactar ainda mais a produção agrícola e, consequentemente, a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito.

O banco também observou que uma recuperação real do Banco do Brasil pode levar anos. Sua avaliação atual situa-se na faixa de 0,7 a 0,8 vezes o preço sobre o valor patrimonial — um múltiplo que o JPMorgan considera justo, mas sem margem de segurança. O relatório notou ainda que, embora o BB tenha subido cerca de 20% em dólar desde a sexta-feira anterior, ficou atrás de empresas mais ligadas ao mercado de capitais, sugerindo que o apetite dos investidores por esse tipo de ação permanece contido.

A franquia de depósitos do Banco do Brasil — historicamente uma de suas forças — também não deve se beneficiar tanto em um cenário de juros mais baixos. Com a taxa Selic em trajetória de redução, a margem de captação tende a diminuir, afetando a lucratividade. Tudo isso levou o JPMorgan a concluir que o risco supera a oportunidade no papel.

Mas nem tudo foi pessimismo. O JPMorgan elevou a recomendação para o Bradesco após o mesmo rali que puniu o Banco do Brasil — uma decisão que reflete como o mercado está reprecificando os bancos de forma diferenciada. O Itaú Unibanco manteve sua recomendação de compra, com o preço-alvo elevado para R$ 60, representando um potencial de alta de 21,26%. O banco americano destacou que o Itaú se posiciona como uma franquia de alta qualidade para atravessar incertezas de crédito, com capital amplo e retorno sobre o patrimônio líquido superior ao de seus concorrentes.

O JPMorgan reconheceu que a avaliação do Itaú a cerca de 10 vezes o preço sobre o lucro de 2027 parece exigente, mas lembrou que a ação já foi negociada perto de 11 a 12 vezes esse múltiplo no passado. Além disso, a 2,6 vezes o preço sobre o valor patrimonial de 2026, o Itaú representaria um desconto de 30% a 35% em relação ao BTG Pactual.

No segmento de mercado de capitais, o JPMorgan manteve o BTG Pactual com recomendação de compra, mas alertou que a ação está ficando mais cara. Mesmo assim, o banco vê o papel como atrativo por combinar retorno sobre o patrimônio líquido elevado com ganhos de participação de mercado em um setor que pode se beneficiar de um ambiente mais favorável para banco de investimento. A XP recebeu recomendação de compra com preço-alvo elevado para US$ 38, sugerindo um potencial de alta de 34,99%. Apesar de ter subido 31% em dólar desde a sexta-feira anterior e 78% desde meados de agosto, o JPMorgan ainda vê o múltiplo de cerca de 11 vezes os lucros de 2027 como atrativo.

O movimento reflete como um dia de apetite por risco pode reorganizar completamente as prioridades dos analistas. O JPMorgan também reduziu sua estimativa de custo de capital próprio em torno de 150 pontos-base para praticamente todos os ativos do setor, situando-o na faixa de 13% a 15%, em linha com o movimento da curva de juros de 10 anos no Brasil. Mas nem todos os bancos se beneficiam igualmente dessa mudança — e o Banco do Brasil, aparentemente, é o perdedor dessa rodada.

O Itaú se destaca como franquia de alta qualidade para atravessar incertezas de crédito
— JPMorgan
A avaliação a cerca de 10 vezes preço/lucro de 2027 parece mais exigente, mas o papel já foi negociado perto de 11 a 12 vezes esse múltiplo
— JPMorgan
Fale Conosco FAQ