Jovem sobrevive 5 dias perdido no Pico Paraná após ser deixado para trás

Jovem sobreviveu 5 dias perdido em mata densa com desidratação e escoriações, enfrentando momentos de desespero e alucinações antes de ser resgatado.
Eu pensei que era o fim, mas Deus estava comigo
Roberto refletiu sobre os momentos de desespero durante cinco dias perdido na mata da Serra do Mar.

No último dia de 2025, um jovem de 19 anos entrou na Serra do Mar para escalar o ponto mais alto do Sul do Brasil e não voltou com o grupo. Durante cinco dias, Roberto Farias Tomaz caminhou sozinho pela mata densa, sustentado pela fé e pela vontade de chegar em casa — até encontrar uma fazenda, um celular emprestado e o caminho de volta. A história dele é um lembrete de que a natureza não negocia, mas que o instinto humano de sobrevivência, quando alimentado por amor e propósito, pode ser mais forte do que o desespero.

  • Roberto se separou do grupo durante a descida do Pico Paraná e desapareceu em meio à mata densa no primeiro dia de 2026, sem equipamento suficiente para sobreviver sozinho.
  • Mais de 100 bombeiros e 300 voluntários mobilizaram drones, câmeras térmicas e rapel em uma das áreas de mais difícil acesso do Paraná, sem encontrá-lo por cinco dias.
  • Sozinho, desorientado e com alucinações, Roberto enfrentou o medo de ter sido esquecido — mas continuou caminhando, guiado pela fé e pela memória da família.
  • Após percorrer cerca de 20 quilômetros pela floresta, chegou a uma fazenda em Cacatu, pediu um celular emprestado e ligou para a irmã: estava vivo.
  • Resgatado pelo Corpo de Bombeiros e internado em Antonina com desidratação e escoriações, Roberto foi encontrado lúcido — e o caso reacende o debate sobre segurança em trilhas de alta exigência.

Roberto Farias Tomaz tinha 19 anos quando começou a trilha do Pico Paraná na manhã de 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga. Durante a subida, passou mal. Depois de descansar no cume, a descida começou cedo — e em algum ponto do caminho, Roberto ficou para trás. Quando outro grupo passou pelo mesmo trecho minutos depois, ele já não estava mais lá.

O que se seguiu foram cinco dias dentro da floresta. Roberto caminhou sozinho cerca de 20 quilômetros pela mata densa da Serra do Mar até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina. Pediu um celular emprestado e ligou para a irmã. O Corpo de Bombeiros o levou ao hospital, onde os médicos o encontraram consciente, mas com escoriações e sinais claros de desidratação.

Do leito do hospital, Roberto descreveu momentos em que acreditou estar morrendo. Disse que alucionou. Disse que pediu forças para Deus e para a mãe, que pensou em toda a família. No primeiro dia, ouviu um helicóptero e soube que as buscas haviam começado. No terceiro, sem novos sinais, veio o medo de ter sido esquecido. Mesmo assim, continuou caminhando.

A operação de resgate mobilizou mais de 100 bombeiros e cerca de 300 voluntários, com uso de drones, câmeras térmicas e técnicas de rapel em área de difícil acesso. Foi Fabio Sieg Martins, analista jurídico que cruzou com o grupo durante a descida, quem acionou os bombeiros ao perceber que Roberto havia desaparecido — passando coordenadas e referências assim que encontrou sinal de celular.

Roberto foi encontrado na segunda-feira, 5 de janeiro, e segue internado em recuperação. O Pico Paraná, conhecido por trilhas longas e trechos técnicos, tem histórico recorrente de resgates. O caso reforça a importância de protocolos de segurança em expedições — e deixa, acima de tudo, a imagem de um jovem que escolheu continuar caminhando quando tudo indicava que devia parar.

Roberto Farias Tomaz tinha 19 anos quando entrou na mata da Serra do Mar no último dia de 2026 e não saiu dela por cinco dias. Ele havia começado a trilha do Pico Paraná — o ponto mais alto da Região Sul do Brasil — acompanhado de uma amiga na manhã de 31 de dezembro. Durante a subida, passou mal. Depois de descansar e encontrar outros grupos no cume, a descida começou por volta das 6h30 do dia seguinte. Em algum ponto antes do acampamento base, Roberto se separou do grupo. Ficou para trás. Quando outro grupo desceu pelo mesmo trecho minutos depois, não o encontrou.

O que aconteceu nos dias seguintes viveu apenas dentro dele — na sua cabeça, no seu corpo, na sua fé. Roberto caminhou sozinho cerca de 20 quilômetros pela mata densa até chegar a uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, no litoral do Paraná. Quando chegou, pediu um celular emprestado e ligou para a irmã. Estava vivo. O Corpo de Bombeiros o levou ao hospital de Antonina, onde os médicos o encontraram lúcido e consciente, mas com escoriações, sinais claros de desidratação e o peso invisível de cinco dias sozinho na floresta.

Em entrevista concedida do leito do hospital, Roberto descreveu momentos em que acreditou estar morrendo. Disse que alucionou. Disse que pediu forças para Deus, para sua mãe, para toda a família. "Eu pensei que era o fim, que eu já tinha talvez morrido," relembrou. "Mas eu pedi forças para Deus. Pedi forças para minha mãe, pensei em toda a minha família. Eu falei: 'Pô, eu quero chegar em casa bem e saudável. Só peço por proteção para isso'." No primeiro dia perdido, ouviu o barulho de um helicóptero — sinal de que as buscas estavam em andamento. Mas com o passar do tempo, sem novos sons, veio o medo de ter sido esquecido. "No terceiro dia eu falei: 'Pô, eles podem ter cancelado as buscas, mas Deus está comigo e eu vou seguir esse destino aqui, esse caminho que ele me deu, caminho das pedras'." Continuou caminhando.

A operação para encontrá-lo mobilizou mais de 100 bombeiros e cerca de 300 voluntários. Usaram drones, câmeras térmicas, técnicas de rapel e varreduras terrestres em uma área de mata densa e de difícil acesso. O Pico Paraná é conhecido por trilhas longas, trechos técnicos, exposição ao sol, desníveis acentuados e um histórico recorrente de resgates — fatores que aparecem até em infográficos oficiais sobre o parque. Um dos bombeiros que atuou na operação destacou que a distância que Roberto percorreu sozinho até conseguir ajuda foi fundamental para o desfecho positivo.

Fabio Sieg Martins, analista jurídico que fazia parte de um dos grupos que cruzaram com Roberto e sua amiga durante a descida, foi quem acionou os bombeiros. Quando chegou ao acampamento A1, perguntou à amiga onde estava Roberto. Ela não sabia. Martins percebeu imediatamente que algo tinha dado errado — Roberto deve ter se desorientado lá em cima, pensou. Voltaram. No primeiro ponto onde conseguiram sinal de celular, ligou para o Corpo de Bombeiros e passou as coordenadas e referências que tinham. A máquina de resgate começou a se mover.

Roberto foi encontrado na segunda-feira, 5 de janeiro, após cinco dias. Os médicos o submeteram a exames e procedimentos de reidratação. Segue internado em recuperação. O que ele carrega agora — além das escoriações visíveis — é a memória de ter caminhado 20 quilômetros sozinho através de uma das trilhas mais exigentes do país, acreditando em alguns momentos que não chegaria vivo. E chegou.

Eu pensei que era o fim, que eu já tinha talvez morrido. Alucinei em um momento assim. Mas eu pedi forças para Deus. Pedi forças para minha mãe, pensei em toda a minha família.
— Roberto Farias Tomaz, em entrevista ao hospital
No terceiro dia eu falei: 'Pô, eles podem ter cancelado as buscas, mas Deus está comigo e eu vou seguir esse destino aqui, esse caminho que ele me deu, caminho das pedras'
— Roberto Farias Tomaz
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Como você explica que um jovem de 19 anos, sozinho na mata, conseguiu caminhar 20 quilômetros sem desistir?

Model

Acho que é uma mistura de desespero e fé. Ele disse que pediu forças para Deus, para a mãe. Não era lógica pura — era instinto de sobrevivência amarrado a algo que o mantinha em pé.

Inventor

Ele sabia para onde estava indo?

Model

Não. Ele estava perdido. Mas continuou caminhando. Em algum momento, deve ter entendido que ficar parado era morrer.

Inventor

E quando ouviu o helicóptero no primeiro dia?

Model

Isso o manteve esperançoso. Mas quando os dias passaram e o barulho não voltou, veio o medo de ter sido abandonado. É um tipo de solidão que poucos experimentam.

Inventor

Por que ele não desistiu no terceiro dia?

Model

Porque decidiu que Deus estava com ele. Não era resignação — era uma escolha ativa de continuar. Ele disse: "vou seguir esse destino que ele me deu".

Inventor

O que o torna diferente de outras pessoas que se perdem em trilhas?

Model

Talvez nada. Talvez ele tenha tido sorte. Talvez tenha tido fé. Talvez ambas as coisas. O que importa é que caminhou 20 quilômetros sozinho e chegou vivo.

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