Jornalista do Guardian confessa ter inventado entrevista com iraniana condenada à morte

Sakineh Mohammadi Ashtiani foi condenada à morte por apedrejamento por acusação de adultério, posteriormente libertada em dezembro de 2010.
Inventei o artigo inteiro. Era uma história completamente falsa.
Dehghan confessou nas redes sociais ter fabricado a entrevista de primeira página publicada pelo Guardian em 2010.
Mark

Por que Dehghan esperou dezesseis anos para confessar isso?

Mimi

Ele não diz explicitamente. Mas Ahadi sugere que ele tinha medo real — medo de perder o emprego, de ser deportado, de ser executado pelo regime iraniano. Talvez tenha levado todo esse tempo para que o peso da mentira se tornasse insuportável.

Luke

Espera. Ahadi diz que Dehghan confessou para ela em 2010, logo depois que a história saiu. Então ele não guardou silêncio por dezesseis anos — ele guardou silêncio publicamente, enquanto pelo menos uma pessoa sabia. A pergunta real é: por que Ahadi não denunciou isso ao Guardian na época?

Mark

E quanto à Sakineh? Ela sabia que a entrevista era falsa?

Mimi

A fonte não diz. Sabemos que ela foi libertada em dezembro de 2010, alguns meses depois que a entrevista saiu. É possível que a cobertura do Guardian — mesmo que fabricada — tenha ajudado a pressionar o regime a soltá-la. Ou talvez não tenha tido nada a ver com isso.

Luke

Exatamente. Não sabemos se a entrevista falsa ajudou ou prejudicou Sakineh. Não sabemos se ela foi consultada, se acreditou que havia falado com Dehghan, nada. A história da Sakineh fica incompleta aqui.

Mark

O Guardian ainda tem a entrevista no ar?

Mimi

Sim. Confessada como fraude, e ainda lá.

Luke

Isso é o mais perturbador. Não é apenas que uma mentira foi publicada. É que a mentira permanece como verdade no registro público, dezesseis anos depois, mesmo depois que o autor admitiu tê-la inventado. Ninguém corrigiu nada.

  • Uma confissão pública de fabricação jornalística emerge dezesseis anos depois, abalando a credibilidade de um dos jornais mais respeitados do mundo.
  • A ativista Mina Ahadi revela que sabia da fraude desde 2010, mas foi silenciada pelo medo do próprio jornalista de ser deportado e executado pelo regime iraniano.
  • A entrevista inventada foi publicada no auge da campanha global para salvar Sakineh Mohammadi Ashtiani da morte por apedrejamento, potencialmente distorcendo a narrativa de um caso com consequências reais para uma vida humana.
  • Apesar da admissão explícita de Dehghan de que 'inventou o artigo inteiro', o Guardian não removeu nem sinalizou o conteúdo fraudulento em seu site.
  • A revelação abre uma ferida ética dupla: a do jornalista que fabricou e a da instituição que, ciente ou não, ainda hospeda a mentira.

Dezesseis anos após publicar uma entrevista exclusiva de primeira página com a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani — condenada à morte por apedrejamento —, o jornalista Saeed Kamali Dehghan admitiu publicamente que a conversa jamais aconteceu e que inventou o artigo inteiro. A confissão, feita nas redes sociais em 2026, revela não apenas uma fraude jornalística de grande repercussão, mas também o peso do silêncio: segundo a ativista Mina Ahadi, Dehghan já havia confessado a fabricação em 2010, suplicando que ela não o denunciasse por temer deportação e morte. O Guardian, que deu destaque ao caso de Sakineh em plena campanha internacional por sua vida, mantém a entrevista falsa em seu arquivo sem qualquer retratação.

Em 2026, Saeed Kamali Dehghan, ex-repórter do Guardian, publicou nas redes sociais uma confissão que sacudiu o jornalismo britânico: a entrevista exclusiva com Sakineh Mohammadi Ashtiani, estampada na primeira página do jornal em agosto de 2010, nunca aconteceu. Dehghan admitiu ter "inventado o artigo inteiro", pediu desculpas aos leitores e disse buscar o perdão de Deus. Afirmou também que não conseguia mais se calar diante do que via como histórias enganosas sobre o Irã.

Sakineh era, à época, o centro de uma campanha internacional. Condenada em 2006 a 99 chibatadas por relacionamento ilícito, ela recebeu posteriormente uma sentença de morte por apedrejamento por acusação de adultério. O caso mobilizou governos e organizações de direitos humanos. O então presidente Lula chegou a oferecer refúgio ao Brasil, descrevendo o apedrejamento como bárbaro. Sakineh foi libertada em dezembro de 2010.

O que a confissão de Dehghan também revelou foi uma camada de silêncio anterior. A ativista iraniana Mina Ahadi afirmou que o jornalista já havia lhe confessado a fraude em 2010, implorando que ela não o denunciasse. Segundo Ahadi, Dehghan temia ser demitido, deportado e executado pelo regime iraniano. "Você estava aterrorizado com a possibilidade de ser deportado e de o regime dos executores matá-lo", escreveu ela publicamente.

A revelação deixa perguntas sem resposta: por quanto tempo pessoas próximas ao jornalista souberam da fabricação? E por que o Guardian, mesmo após a confissão pública, mantém a entrevista em seu arquivo sem qualquer aviso ou retratação editorial?

Saeed Kamali Dehghan, que trabalhou como repórter para o jornal britânico The Guardian, publicou uma confissão nas redes sociais em 2026 admitindo que havia fabricado uma entrevista que saiu na primeira página do jornal em 7 de agosto de 2010. A conversa, apresentada como exclusiva com Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mulher iraniana condenada à morte, nunca ocorreu. Dehghan escreveu que havia "inventado o artigo inteiro" e que a história era "completamente falsa", assumindo total responsabilidade pela fraude.

A confissão chegou dezesseis anos depois da publicação original. Nela, Dehghan pediu desculpas aos leitores e disse que buscava o perdão de Deus. Afirmou também que não conseguia mais permanecer em silêncio diante da publicação de histórias que considerava enganosas e falsas sobre o Irã. Apesar de sua admissão pública de fraude, a entrevista fabricada permanecia disponível no site do Guardian.

Sakineh Mohammadi Ashtiani havia sido condenada em 2006 a 99 chibatadas por uma acusação de relacionamento ilícito fora do casamento. Um tribunal em Tabriz reabrira o processo posteriormente, e ela recebeu uma sentença de morte por apedrejamento relacionada à acusação de adultério. Em julho de 2010, as autoridades iranianas anunciaram que ela não seria apedrejada naquele momento, embora houvesse incerteza sobre a manutenção da pena de morte por outro método. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na época que não considerava nenhum dos dois tipos de morte "humanamente aceitável", descrevendo o apedrejamento como bárbaro e oferecendo que o Brasil a receberia "de braços abertos". Sakineh foi libertada em dezembro de 2010.

Mina Ahadi, uma exilada iraniana comunista que integra o comitê da Aliança Ateísta Internacional, publicou uma crítica a Dehghan nas redes sociais. Ela afirmou que o jornalista havia lhe confessado a fraude em 2010 e implorado que não o denunciasse. Segundo Ahadi, Dehghan temia ser demitido e enviado de volta ao Irã. "Você implorou e suplicou desesperadamente para que eu não contasse aos seus superiores no Guardian que a entrevista com Sakineh Mohammadi Ashtiani havia sido fabricada e era uma mentira", escreveu Ahadi. "Você estava aterrorizado com a possibilidade de ser deportado e de o regime dos executores matá-lo."

Ahadi continuou sua crítica, afirmando que Dehghan havia dito que, se ela contasse a verdade ao Guardian, ele poderia ser demitido, deportado e executado. A revelação levanta questões sobre quanto tempo a fraude permaneceu conhecida por pessoas próximas ao jornalista antes de sua confissão pública, e por que a entrevista continua acessível no arquivo do Guardian sem qualquer aviso ou retratação editorial.

Essa entrevista nunca aconteceu. Eu fabriquei o texto inteiro. Era uma história falsa, completamente falsa, e assumo total responsabilidade.
— Saeed Kamali Dehghan, em confissão nas redes sociais
Você estava aterrorizado com a possibilidade de ser deportado e de o regime dos executores matá-lo.
— Mina Ahadi, sobre as razões que Dehghan teria dado para manter a fraude em segredo
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