Dezesseis anos após publicar uma entrevista exclusiva de primeira página com a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani — condenada à morte por apedrejamento —, o jornalista Saeed Kamali Dehghan admitiu publicamente que a conversa jamais aconteceu e que inventou o artigo inteiro. A confissão, feita nas redes sociais em 2026, revela não apenas uma fraude jornalística de grande repercussão, mas também o peso do silêncio: segundo a ativista Mina Ahadi, Dehghan já havia confessado a fabricação em 2010, suplicando que ela não o denunciasse por temer deportação e morte. O Guardian, que deu destaque ao ca
Jornalista do Guardian confessa ter inventado entrevista com iraniana condenada à morte
Inventei o artigo inteiro. Era uma história completamente falsa.
Por que Dehghan esperou dezesseis anos para confessar isso?
Ele não diz explicitamente. Mas Ahadi sugere que ele tinha medo real — medo de perder o emprego, de ser deportado, de ser executado pelo regime iraniano. Talvez tenha levado todo esse tempo para que o peso da mentira se tornasse insuportável.
Espera. Ahadi diz que Dehghan confessou para ela em 2010, logo depois que a história saiu. Então ele não guardou silêncio por dezesseis anos — ele guardou silêncio publicamente, enquanto pelo menos uma pessoa sabia. A pergunta real é: por que Ahadi não denunciou isso ao Guardian na época?
E quanto à Sakineh? Ela sabia que a entrevista era falsa?
A fonte não diz. Sabemos que ela foi libertada em dezembro de 2010, alguns meses depois que a entrevista saiu. É possível que a cobertura do Guardian — mesmo que fabricada — tenha ajudado a pressionar o regime a soltá-la. Ou talvez não tenha tido nada a ver com isso.
Exatamente. Não sabemos se a entrevista falsa ajudou ou prejudicou Sakineh. Não sabemos se ela foi consultada, se acreditou que havia falado com Dehghan, nada. A história da Sakineh fica incompleta aqui.
O Guardian ainda tem a entrevista no ar?
Sim. Confessada como fraude, e ainda lá.
Isso é o mais perturbador. Não é apenas que uma mentira foi publicada. É que a mentira permanece como verdade no registro público, dezesseis anos depois, mesmo depois que o autor admitiu tê-la inventado. Ninguém corrigiu nada.
Le Pouls
- Uma confissão pública de fabricação jornalística emerge dezesseis anos depois, abalando a credibilidade de um dos jornais mais respeitados do mundo.
- A ativista Mina Ahadi revela que sabia da fraude desde 2010, mas foi silenciada pelo medo do próprio jornalista de ser deportado e executado pelo regime iraniano.
- A entrevista inventada foi publicada no auge da campanha global para salvar Sakineh Mohammadi Ashtiani da morte por apedrejamento, potencialmente distorcendo a narrativa de um caso com consequências reais para uma vida humana.
- Apesar da admissão explícita de Dehghan de que 'inventou o artigo inteiro', o Guardian não removeu nem sinalizou o conteúdo fraudulento em seu site.
- A revelação abre uma ferida ética dupla: a do jornalista que fabricou e a da instituição que, ciente ou não, ainda hospeda a mentira.
Dezesseis anos após publicar uma entrevista exclusiva de primeira página com a iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani — condenada à morte por apedrejamento —, o jornalista Saeed Kamali Dehghan admitiu publicamente que a conversa jamais aconteceu e que inventou o artigo inteiro. A confissão, feita nas redes sociais em 2026, revela não apenas uma fraude jornalística de grande repercussão, mas também o peso do silêncio: segundo a ativista Mina Ahadi, Dehghan já havia confessado a fabricação em 2010, suplicando que ela não o denunciasse por temer deportação e morte. O Guardian, que deu destaque ao caso de Sakineh em plena campanha internacional por sua vida, mantém a entrevista falsa em seu arquivo sem qualquer retratação.
Em 2026, Saeed Kamali Dehghan, ex-repórter do Guardian, publicou nas redes sociais uma confissão que sacudiu o jornalismo britânico: a entrevista exclusiva com Sakineh Mohammadi Ashtiani, estampada na primeira página do jornal em agosto de 2010, nunca aconteceu. Dehghan admitiu ter "inventado o artigo inteiro", pediu desculpas aos leitores e disse buscar o perdão de Deus. Afirmou também que não conseguia mais se calar diante do que via como histórias enganosas sobre o Irã.
Sakineh era, à época, o centro de uma campanha internacional. Condenada em 2006 a 99 chibatadas por relacionamento ilícito, ela recebeu posteriormente uma sentença de morte por apedrejamento por acusação de adultério. O caso mobilizou governos e organizações de direitos humanos. O então presidente Lula chegou a oferecer refúgio ao Brasil, descrevendo o apedrejamento como bárbaro. Sakineh foi libertada em dezembro de 2010.
O que a confissão de Dehghan também revelou foi uma camada de silêncio anterior. A ativista iraniana Mina Ahadi afirmou que o jornalista já havia lhe confessado a fraude em 2010, implorando que ela não o denunciasse. Segundo Ahadi, Dehghan temia ser demitido, deportado e executado pelo regime iraniano. "Você estava aterrorizado com a possibilidade de ser deportado e de o regime dos executores matá-lo", escreveu ela publicamente.
A revelação deixa perguntas sem resposta: por quanto tempo pessoas próximas ao jornalista souberam da fabricação? E por que o Guardian, mesmo após a confissão pública, mantém a entrevista em seu arquivo sem qualquer aviso ou retratação editorial?
Saeed Kamali Dehghan, que trabalhou como repórter para o jornal britânico The Guardian, publicou uma confissão nas redes sociais em 2026 admitindo que havia fabricado uma entrevista que saiu na primeira página do jornal em 7 de agosto de 2010. A conversa, apresentada como exclusiva com Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mulher iraniana condenada à morte, nunca ocorreu. Dehghan escreveu que havia "inventado o artigo inteiro" e que a história era "completamente falsa", assumindo total responsabilidade pela fraude.
A confissão chegou dezesseis anos depois da publicação original. Nela, Dehghan pediu desculpas aos leitores e disse que buscava o perdão de Deus. Afirmou também que não conseguia mais permanecer em silêncio diante da publicação de histórias que considerava enganosas e falsas sobre o Irã. Apesar de sua admissão pública de fraude, a entrevista fabricada permanecia disponível no site do Guardian.
Sakineh Mohammadi Ashtiani havia sido condenada em 2006 a 99 chibatadas por uma acusação de relacionamento ilícito fora do casamento. Um tribunal em Tabriz reabrira o processo posteriormente, e ela recebeu uma sentença de morte por apedrejamento relacionada à acusação de adultério. Em julho de 2010, as autoridades iranianas anunciaram que ela não seria apedrejada naquele momento, embora houvesse incerteza sobre a manutenção da pena de morte por outro método. O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na época que não considerava nenhum dos dois tipos de morte "humanamente aceitável", descrevendo o apedrejamento como bárbaro e oferecendo que o Brasil a receberia "de braços abertos". Sakineh foi libertada em dezembro de 2010.
Mina Ahadi, uma exilada iraniana comunista que integra o comitê da Aliança Ateísta Internacional, publicou uma crítica a Dehghan nas redes sociais. Ela afirmou que o jornalista havia lhe confessado a fraude em 2010 e implorado que não o denunciasse. Segundo Ahadi, Dehghan temia ser demitido e enviado de volta ao Irã. "Você implorou e suplicou desesperadamente para que eu não contasse aos seus superiores no Guardian que a entrevista com Sakineh Mohammadi Ashtiani havia sido fabricada e era uma mentira", escreveu Ahadi. "Você estava aterrorizado com a possibilidade de ser deportado e de o regime dos executores matá-lo."
Ahadi continuou sua crítica, afirmando que Dehghan havia dito que, se ela contasse a verdade ao Guardian, ele poderia ser demitido, deportado e executado. A revelação levanta questões sobre quanto tempo a fraude permaneceu conhecida por pessoas próximas ao jornalista antes de sua confissão pública, e por que a entrevista continua acessível no arquivo do Guardian sem qualquer aviso ou retratação editorial.
Citations marquantes
Essa entrevista nunca aconteceu. Eu fabriquei o texto inteiro. Era uma história falsa, completamente falsa, e assumo total responsabilidade.— Saeed Kamali Dehghan, em confissão nas redes sociais
Você estava aterrorizado com a possibilidade de ser deportado e de o regime dos executores matá-lo.— Mina Ahadi, sobre as razões que Dehghan teria dado para manter a fraude em segredo