Jorginho Mello defende fim da reeleição enquanto tenta 2º mandato

Sem reeleição, cumpriria o mandato para deixar o legado
Jorginho Mello justifica sua posição contra reeleição, enquanto busca seu segundo mandato em 2026.
Mark

Por que um governador que quer se reeleger defenderia publicamente o fim da reeleição?

Mimi

Porque a posição serve a múltiplos propósitos. Mello pode parecer um estadista preocupado com renovação política enquanto protege sua própria candidatura — a PEC de Flávio mantém a reeleição para governadores.

Mark

Então é apenas oportunismo?

Mimi

Não é tão simples. Há uma corrente genuína na direita que vê a reeleição presidencial como problemática, especialmente depois de Bolsonaro. Mas sim, a forma como a proposta foi estruturada beneficia quem está no poder estadual.

Mark

A PEC tem chance real de passar?

Mimi

Tecnicamente, sim. Precisa de três quintos dos votos em dois turnos, o que é uma maioria qualificada alta. Mas uma tentativa similar em 2025 não saiu do papel. Tudo depende de como o Congresso se organiza depois das eleições de outubro.

Mark

E se passar, o que muda?

Mimi

Muda tudo para a próxima eleição presidencial. Quem vencer em 2026 não poderia concorrer novamente. Mas governadores como Mello continuariam podendo se reeleger indefinidamente.

Mark

Isso não parece contraditório?

Mimi

Completamente. Mas a política raramente é consistente. O que importa é que a regra se aplique ao cargo que você não ocupa.

  • Um governador defende publicamente o fim da reeleição ao mesmo tempo em que se lança como pré-candidato ao próprio segundo mandato, expondo uma contradição difícil de ignorar.
  • A PEC de Flávio Bolsonaro, assinada por 30 parlamentares de direita, mira exclusivamente a presidência — deixando intacta a reeleição para governadores e prefeitos, o que beneficia aliados como Mello.
  • A proposta enfrenta um caminho legislativo árduo: precisa de três quintos dos votos em dois turnos no Senado e na Câmara, e uma tentativa anterior em 2025 já naufragou sem avançar.
  • O debate reacende uma questão estrutural da democracia brasileira: quem define as regras do jogo e em que momento o faz raramente está isento de interesse próprio.

Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello declarou-se contrário à reeleição enquanto se prepara para disputar um segundo mandato em 2026 — uma contradição que ilumina uma tensão antiga na política: a distância entre o princípio que se prega e o caminho que se percorre. Sua posição se alinha à proposta do senador Flávio Bolsonaro, que protocolou uma PEC restringindo a reeleição presidencial, mas preservando a possibilidade para governadores e prefeitos. O episódio revela como reformas institucionais raramente são neutras — elas tendem a favorecer quem as propõe e a limitar quem se deseja conter.

Na manhã de 10 de março, em entrevista à rádio 89FM Joinville, o governador de Santa Catarina Jorginho Mello declarou ser contrário à reeleição para cargos do Executivo e do Legislativo. Defendeu mandatos únicos e maior renovação política. A declaração seria irretocável — não fosse pelo fato de que o próprio Mello é pré-candidato a um segundo mandato nas eleições de 2026.

O governador argumentou que, sem a possibilidade de reeleição, um gestor se dedicaria inteiramente a deixar um legado. A lógica, porém, não o impediu de buscar mais quatro anos no cargo. Seu histórico inclui apoio à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, campanha que terminou em derrota para Lula.

A posição de Mello ecoa uma movimentação mais ampla na direita brasileira. No início de março, o senador Flávio Bolsonaro — pré-candidato à presidência — protocolou uma PEC que proíbe a reeleição presidencial. O texto foi assinado por 30 parlamentares e conta com apoio de nomes como Sérgio Moro, Hamilton Mourão e Tereza Cristina. Um detalhe relevante: a proposta preserva a reeleição para governadores e prefeitos, o que beneficia diretamente figuras como Mello.

O caminho até a aprovação é longo. A PEC tramita no Senado, passa por comissões e exige três quintos dos votos em dois turnos em ambas as casas do Congresso — ao menos 49 senadores favoráveis. Em 2025, uma proposta mais abrangente, que eliminava a reeleição em todos os níveis do Executivo, não conseguiu avançar. A versão atual, mais restrita, pode ter maiores chances — mas o histórico recente recomenda cautela.

Jorginho Mello, governador de Santa Catarina e figura proeminente do bolsonarismo, declarou-se contrário à reeleição em entrevista à rádio 89FM Joinville na terça-feira, 10 de março. A posição é particularmente notável porque o próprio Mello é pré-candidato a um segundo mandato nas eleições deste ano. Em suas palavras, ele afirmou nunca ter concordado com a possibilidade de reeleição e defendeu mandatos únicos para cargos do Executivo e Legislativo, sugerindo que deputados deveriam ter um número limitado de mandatos para permitir renovação política.

A contradição entre sua posição teórica e sua candidatura prática não passou despercebida. Mello argumentou que, sem a possibilidade de reeleição, cumpriria seu mandato focado em deixar um legado. Essa mesma lógica, porém, não o impediu de buscar um segundo mandato em 2026. Seu histórico inclui apoio à tentativa de reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022, esforço que resultou em derrota nas urnas para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A defesa de Mello alinha-se com uma agenda mais ampla dentro da direita brasileira. O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, protocolou no início de março uma proposta de emenda à Constituição que proíbe a reeleição especificamente para o cargo de presidente. O documento foi assinado por 30 parlamentares de partidos de direita e mantém a possibilidade de reeleição para governadores e prefeitos — uma ressalva que beneficia figuras como o próprio Mello.

Segundo o texto da PEC, a emenda entraria em vigor na data de sua promulgação e se aplicaria ao presidente eleito em outubro de 2026. A proposta conta com apoio de nomes influentes como Magno Malta, Ciro Nogueira, Tereza Cristina, Sérgio Moro e Hamilton Mourão. O caminho legislativo é longo: o texto tramita no Senado, passa pela Comissão de Constituição e Justiça, depois por uma comissão especial, e finalmente vai ao plenário. Para aprovação, exige três quintos dos votos em dois turnos tanto na Câmara quanto no Senado — o que significa pelo menos 49 votos de senadores.

Esta não é a primeira tentativa de reformar as regras de reeleição no Brasil. Em maio de 2025, uma proposta mais abrangente tramitou no Congresso, buscando eliminar a reeleição para presidente, governadores e prefeitos, mantendo a possibilidade para cargos legislativos e estabelecendo mandatos de cinco anos com eleição única. Aquele texto não avançou. A proposta atual de Flávio Bolsonaro é mais restrita, focando apenas na presidência, o que pode aumentar suas chances de aprovação — embora o histórico legislativo recente sugira cautela quanto a previsões.

Para mim não tinha que ter reeleição. Para o Executivo, eu nunca concordei.
— Jorginho Mello, em entrevista à rádio 89FM Joinville
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