Quarenta mil pessoas foram embora do Acre. Isso nunca tinha acontecido.
Em um Acre marcado pelo êxodo silencioso de quarenta mil pessoas, Jorge Viana — ex-senador, ex-prefeito e atual presidente da ApexBrasil — anunciou sua pré-candidatura ao Senado pelo PT, interpretando a visita do presidente nacional do partido como sinal de renovação política. Há na sua fala a convicção de quem acredita que o momento histórico e o alinhamento com o governo federal podem transformar um Estado em crise profunda. Entre a retórica da renovação e a dureza dos números, o que está em jogo é a capacidade de a política institucional responder a uma crise que já fez escolhas por muita gente.
- Quarenta mil pessoas deixaram o Acre — um êxodo sem precedentes que expõe a falência das condições mínimas de vida e trabalho no Estado.
- A visita do presidente nacional do PT, Edinho Silva, acende a disputa interna pelo controle da narrativa partidária e sinaliza uma tentativa de reorganização após anos de desgaste.
- Viana aposta na reeleição de Lula para garantir cinco anos de acesso direto ao governo federal, transformando a candidatura ao Senado em peça estratégica de um projeto maior.
- O ex-senador promete percorrer o Acre para montar chapas proporcionais, buscando reunir candidatos que, em suas palavras, 'não enganem a população' — uma admissão velada das feridas deixadas pelo passado do partido.
- A candidatura se apresenta como resposta à crise estrutural, mas a distância entre o ânimo político e a realidade de quem já partiu permanece como o maior desafio não respondido.
Na sexta-feira, durante uma coletiva no Sebrae, Jorge Viana anunciou com confiança seus planos para o Acre. Presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado pelo PT, ele descreveu a visita do presidente nacional do partido, Edinho Silva, como um "momento histórico" — não uma simples passagem de campanha, mas o início de uma nova fase para o PT no Estado, após anos de desgaste interno.
Viana acredita que o cenário nacional aponta para a reeleição de Lula e que, confirmado esse caminho, o Acre teria cinco anos para trabalhar em sintonia com o governo federal. Para ele, o timing é certo e as peças estão se encaixando. Diz sentir-se renovado para enfrentar novamente a disputa pelo Senado — cargo que já ocupou — e promete percorrer o Estado para estruturar chapas de deputados federais e estaduais com "pessoas boas, respeitosas, que não enganem a população".
Mas por trás da retórica há uma realidade que ele próprio não ignora: quarenta mil pessoas deixaram o Acre. Um êxodo sem precedentes na história recente do Estado, que revela uma crise estrutural profunda — de emprego, de perspectiva, de futuro. Viana reconhece a gravidade e é justamente nela que ancora sua justificativa: no Senado, o Acre tem o mesmo peso que São Paulo, e bons senadores podem fazer diferença real.
Ele admite que o PT foi "satanizado" e recebeu críticas duras, mas insiste que o partido tem trabalho feito enquanto seus adversários não colocaram nada no lugar. Partido, argumenta, é apenas um veículo — o que importa é a qualidade das pessoas e a capacidade de resolver problemas sem paliativos. O desafio, porém, é imenso: quarenta mil partidas não se revertem com ânimo político. E a distância entre quem ficou e quem foi embora é a medida mais honesta do que ainda está por fazer.
Jorge Viana estava em uma coletiva de imprensa no Sebrae na sexta-feira quando anunciou seus planos para o Acre. O presidente da ApexBrasil e pré-candidato ao Senado pelo PT falava com a confiança de quem já ocupou cadeiras importantes — senador, prefeito, gestor de agência federal. Mas desta vez, ele dizia, sentia-se diferente. Renovado.
A visita do presidente nacional do PT, Edinho Silva, ao Estado tinha significado especial para Viana. Não era apenas uma passagem de campanha. Era, em suas palavras, um "momento histórico" — o sinal de que o partido estava entrando em uma nova fase no Acre, deixando para trás anos de desgaste e reorganizando suas forças internas. Viana acreditava que o cenário nacional apontava para a reeleição do presidente Lula, e se isso se confirmasse, o Acre teria cinco anos pela frente para trabalhar em sintonia com o governo federal, com acesso direto aos centros de decisão.
"Para mim, a vinda do presidente Edinho é um sinal de que estamos iniciando uma nova fase na vida do Partido dos Trabalhadores no Acre e na nossa luta política", disse. Ele falava como alguém convencido de que o timing era certo, de que as peças estavam se encaixando. O partido o havia convidado para disputar novamente uma vaga no Senado, e ele aceitava o desafio com disposição que dizia não sentir o peso dos anos.
Mas por trás da retórica política havia uma realidade que Viana não podia ignorar. Quarenta mil pessoas haviam deixado o Acre. Esse número — nunca antes visto na história recente do Estado — revelava uma crise que ia além das campanhas e das coligações. Era êxodo. Era gente indo embora porque não encontrava futuro ali. Viana reconhecia a gravidade. E era justamente por isso que ele se via como necessário. No Senado, dizia, o Acre tinha o mesmo peso que São Paulo. Um bom senador — ou bons senadores — poderia fazer diferença real.
Viana prometeu percorrer o Estado para estruturar as chapas proporcionais de deputados federais e estaduais. Não era apenas sobre ganhar eleições. Era sobre reunir "pessoas boas, respeitosas, que não enganem a população". Ele reconhecia que o PT havia sido satanizado, que havia levado críticas duras. Mas insistia que o partido tinha trabalho feito, enquanto seus críticos não haviam colocado nada no lugar. Não se tratava de guerra partidária, argumentava. Partido era um veículo. O que importava era a qualidade das pessoas e a capacidade de resolver problemas.
O desafio era imenso. O Acre enfrentava uma crise estrutural que não seria resolvida com promessas de campanha. Quarenta mil pessoas não saem de um Estado por acaso. Saem porque emprego não há, porque perspectiva não há, porque a vida ficou insustentável. Viana dizia ter ânimo para ajudar o Acre a recuperar protagonismo no Brasil, a resolver problemas "sem paliativos". Mas a distância entre o ânimo e a realidade era tão grande quanto a que separava quem ficava de quem partia.
Citações Notáveis
A vinda do presidente Edinho é um sinal de que estamos iniciando uma nova fase na vida do Partido dos Trabalhadores no Acre— Jorge Viana
Tenho ânimo para ajudar o Acre a voltar a ter protagonismo no Brasil, a resolver nossos problemas sem paliativos— Jorge Viana
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Viana insiste que essa visita de Edinho Silva é um "momento histórico"? Não é apenas um político visitando outro Estado?
Porque para o PT no Acre, essa visita representa reconhecimento. Significa que a liderança nacional está olhando para o Estado, que há um projeto sendo retomado. Depois de anos de isolamento, é um sinal de que o partido está se reorganizando.
Ele fala muito em "renovação" pessoal. Aos quantos anos está Viana?
Ele não especifica a idade, mas deixa claro que sente-se com a mesma disposição de 15 anos atrás. É uma forma de dizer que não é um político desgastado, que tem energia para o trabalho à frente.
O número quarenta mil pessoas é realmente tão extraordinário assim?
Sim. Viana mesmo diz que "nunca tinha acontecido". É um êxodo que revela uma crise profunda — não é flutuação normal de população, é gente deixando o Estado porque não vê futuro.
Quando ele fala em "organizar chapas", o que exatamente ele está prometendo fazer?
Ele vai percorrer o Acre para estruturar as candidaturas de deputados federais e estaduais. É trabalho de base, de articulação política — reunir candidatos, alinhar nomes, construir coligações que façam sentido.
Há uma contradição entre o otimismo dele e a crise que descreve?
Há tensão, sim. Ele é otimista sobre o que pode fazer no Senado, mas reconhece que o Estado está em situação gravíssima. É como se dissesse: "Sim, estamos em crise, mas eu tenho as ferramentas para ajudar."