Johnny Massaro guia plateia por viagem pelo coração em monólogo que estreia no Sesc

Finalmente consigo fazer o que eu quero
Massaro reflete sobre estar em um momento de sua carreira onde pode priorizar seus próprios projetos criativos.
Mark

Como um ator que está simultaneamente em séries de streaming, filmes e agora teatro consegue manter a coerência criativa em tantos projetos ao mesmo tempo?

Mimi

Acho que a diferença é que esses outros projetos são trabalhos—séries, filmes, coisas que ele foi contratado para fazer. O curta e a peça são dele. São as coisas que ele realmente quis fazer, então talvez exijam menos negociação interna.

Luke

Mas ele estava em um carro no Canadá quando deu essa entrevista. Quanto tempo ele realmente teve para ensaiar antes da estreia uma semana depois?

Mimi

A reportagem não diz. Ele pode ter ensaiado antes de viajar, ou pode ter continuado remotamente. Não sabemos.

Mark

E quanto ao livro da Ana Suy—ele é bem conhecido? A adaptação parte de algo com público já estabelecido?

Mimi

O livro foi publicado em 2022 pela Paidós, então tem alguns anos. Mas a reportagem não menciona se foi um bestseller ou se tem grande circulação. Massaro o descobriu pessoalmente, durante um conflito amoroso.

Luke

Exatamente. Ele leu porque estava passando por algo, não porque o livro fosse famoso. Então a peça não está se apoiando em uma base de fãs do livro—está criando sua própria audiência do zero.

Mark

E essa estrutura do guia turístico—quem pensou nisso primeiro?

Mimi

A reportagem credita a Júlia Portes, dramaturga, e Helena Varvaki, diretora. Mas não fica claro se foi uma ideia de um deles ou se surgiu de conversas entre os três.

Luke

E não sabemos se funcionou. A peça ainda não estreou quando essa entrevista foi feita. Estamos lendo sobre intenção, não sobre resultado.

Mark

Faz sentido. Então quando ele fala sobre vulnerabilidade e criar um espaço seguro para a plateia—isso é esperança ou é algo que ele já testou?

Mimi

Parece ser intenção. Ele está dizendo o que quer que aconteça, não o que já aconteceu.

  • Estreia em 24 de setembro no Sesc Pinheiros, São Paulo
  • Adaptação do livro de Ana Suy publicado em 2022 pela Paidós
  • Primeiro monólogo de Massaro, com duração de 60 minutos
  • Direção de Helena Varvaki, dramaturgia de Júlia Portes

Massaro transforma ensaio psicanalítico em espetáculo teatral com formato inovador: um guia turístico que conduz a plateia por uma jornada pelo coração humano. O ator buscou evitar palestra ou sessão de análise convencional, criando narrativa lúdica com cenário de um coração gigante que representa o destino da viagem emocional.

O ator Johnny Massaro estreia a peça "A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão" no Sesc Pinheiros, adaptando livro da psicanalista Ana Suy para os palcos como seu primeiro monólogo.

Johnny Massaro estava em um carro estacionado em Ontário, no Canadá, quando conversou com a reportagem uma semana antes de estrear seu primeiro monólogo. Ele havia acabado de participar do Festival de Cinema de Toronto com a equipe da série "Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente", lançada pela Netflix no final do ano anterior. Mesmo longe, o ator seguia trabalhando: um seriado chamado "Delegado" chegaria ao Globoplay no fim de outubro, ele participava das gravações de "Diário de um Mago", longa de Vicente Amorim prevista para o ano seguinte, e havia dirigido um curta-metragem intitulado "Consolo" que estrearia no Festival do Rio. Mas entre essas obrigações profissionais, encontrou tempo para levar adiante dois projetos que chamava de seus: o curta e a adaptação para os palcos do livro "A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão", da psicanalista Ana Suy.

"Estou em um momento em que eu finalmente consigo fazer o que eu quero", disse Massaro. O livro de Suy, publicado pela editora Paidós em 2022, é um ensaio sobre a relação entre amor e solidão sob perspectiva psicanalítica. O ator havia lido a obra durante um período turbulento em seu relacionamento e encontrou nela ideias que o ajudaram a navegar aquele conflito. Decidiu então transformá-la em seu primeiro monólogo, mas enfrentou um desafio imediato: o livro não era uma narrativa tradicional com começo, meio e fim. Como colocar reflexões psicanalíticas no palco sem que se tornasse uma palestra ou uma sessão de análise convencional?

A solução veio em colaboração com a dramaturga Júlia Portes e a diretora Helena Varvaki. Criaram a figura de um guia turístico que organiza um passeio pelo coração humano—uma paisagem que ele próprio não domina completamente. O público encontra esse guia à beira de um término amoroso. Uma cadeira vazia permanece reservada para o amado ausente; na falta dele, a plateia assume seu lugar na excursão. Um coração gigante, projetado pela cenógrafa Aurora dos Campos e pelo artista plástico Pablo Sanábio, representa o destino dessa jornada emocional.

Para Massaro, falar de amor e solidão é falar de vulnerabilidade. Ele queria que seu espetáculo fosse um espaço onde a plateia se sentisse confortável para se abrir e confrontar essas questões. "[O guia] faz esse passeio não só para desafiar a si mesmo, mas também para entregar algo para essa pessoa que não tá ali", explicou o ator. Ele concordava com a perspectiva de Ana Suy: embora nascêssemos e morrêssemos sozinhos, a vida entre esses dois pontos se dava em relação com várias pessoas. A solidão, para ele, era um órgão do corpo—necessária, mas não definitiva.

O espetáculo estreia no Sesc Pinheiros em 24 de setembro, com sessões de quinta a sábado às 20h30 até 31 de outubro. Tem duração de 60 minutos e classificação indicativa de 12 anos. Os ingressos custam R$ 50 e podem ser adquiridos pelo site da instituição ou nas bilheterias. Para Massaro, era mais um passo em um momento em que finalmente conseguia fazer o que desejava—e essa peça, de várias formas, era uma colheita do que havia querido criar.

Estou em um momento em que eu finalmente consigo fazer o que eu quero. O curta que eu dirigi pode ser ruim, pode ser bom, mas ali está tudo o que eu quis. E essa peça é, de várias formas, também uma colheita do que eu quis fazer.
— Johnny Massaro
A gente tinha muita preocupação de não ser uma palestra, que a Ana já faz bem. Nem deixar cair no lugar-comum de encenar uma sessão de análise.
— Johnny Massaro
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