Jetour justifica ausência inicial do 4x4 dizendo que clientes focam em estilo, mas traz versão com motor 1.5 turbo e três unidades elétricas. Bateria CATL de 43,2 kWh oferece 106 km de autonomia elétrica e autonomia combinada de até 1.300 km com tanque de 70 litros.
Jetour T2 4x4 chega com potência polêmica de 597 cv para rivalizar com GWM Tank 300
O carro acelera rápido, mas transmite sensação de ter bem menos potência
Por que a Jetour esperou apenas quatro meses para trazer o 4x4 se dizia que os clientes não queriam?
Porque a justificativa inicial era mais sobre proteger as vendas do 4x2 do que refletir a realidade do mercado. A versão 4x4 já estava nos planos desde o início.
Mas eles têm razão — só 10% dos donos usam tração integral em condições extremas.
Verdade. Mas isso não significa que as pessoas não queiram a opção. É como oferecer um carro com ar-condicionado — nem todos usam em dias quentes, mas ninguém quer comprar sem ter.
E aqueles 597 cavalos? Parecem inflados.
São. A Jetour simplesmente somou a potência de todos os motores. Não há regulamentação padrão, então cada fabricante faz o que quer. Mas dirigindo, você sente bem menos do que isso.
Então é enganação?
Não exatamente. O carro acelera de zero a 100 em 5,5 segundos, o que é rápido. Mas a sensação não acompanha os números. É como prometer um show de fogos e entregar uma vela acesa.
E a suspensão? Parece ser o ponto forte.
É o grande acerto. Em estrada lisa, flana como um tapete. Em terra, absorve impactos sem reverberações. É onde o projeto brilha de verdade.
Vai canibalizar as vendas do 4x2?
Provavelmente. A diferença de preço é apenas R$ 40 mil, e o 4x4 vem bem equipado. Muitos que iam comprar o Premium 4x2 vão preferir gastar um pouco mais e ter tração integral.
O Pulso
- Jetour T2 4x4 com 597 cv combinados (motor 1.5 turbo + três unidades elétricas)
- Bateria CATL de 43,2 kWh oferece 106 km de autonomia elétrica e 1.300 km combinada
- Preço a partir de R$ 339.900 para versão XWD 4x4, apenas R$ 40 mil acima do Premium 4x2
- Aceleração de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos apesar de 2.362 quilos
- Oito modos de condução incluindo Crawl Mode e modo X com gerenciamento automático
Jetour justifica ausência inicial do 4x4 dizendo que clientes focam em estilo, mas traz versão com motor 1.5 turbo e três unidades elétricas. Bateria CATL de 43,2 kWh oferece 106 km de autonomia elétrica e autonomia combinada de até 1.300 km com tanque de 70 litros.
Jetour lança versão 4x4 do T2 híbrido plug-in com 597 cv combinados, gerando controvérsia sobre metodologia de cálculo de potência. O SUV compete com GWM Tank 300 a partir de R$ 339.900.
Quatro meses. Foi tudo o que levou para a Jetour mudar de rumo. Em março, quando apresentou o T2 4x2 no Brasil, a marca chinesa do Grupo Chery tinha uma resposta pronta para quem perguntava pela versão com tração integral: os clientes desse segmento queriam estilo, não aventura de verdade. Gastar mais em uma tecnologia que raramente seria usada não fazia sentido. A explicação era conveniente — protegia as vendas do novo SUV híbrido plug-in — mas a variante 4x4 já estava nos planos. Agora chegou, e com ela veio uma controvérsia que não sai dos bastidores da indústria automotiva.
O T2 4x4 traz um motor 1.5 turbo a gasolina com injeção direta de 135 cavalos, logo se tornará flex, mais três unidades elétricas: duas na dianteira com 102 e 122 cavalos, e uma na traseira com 238. A Jetour simplesmente somou tudo e anunciou 597 cavalos e 91,7 quilos-força de torque. A marca justifica que não existe regulamentação padrão para esses números combinados, então cada fabricante divulga o que lhe convém. É verdade que o T2 4x2, com o mesmo motor a combustão e dois motores elétricos, entrega apenas 320 cavalos e 62,2 quilos-força. Mas mesmo com 2.362 quilos, o 4x4 acelera de zero a 100 quilômetros por hora em 5,5 segundos — uma marca respeitável que, curiosamente, não transmite a sensação de ter seiscentos cavalos de potência.
A bateria vem da CATL, gigante chinesa do setor. Em vez dos 26,7 quilowatts-hora e 75 quilômetros de autonomia do modelo anterior, o T2 4x4 recebe 43,2 quilowatts-hora, o suficiente para rodar 106 quilômetros sem queimar uma gota de gasolina. Para comparação, a bateria do BYD Dolphin Mini tem 38 quilowatts-hora. O SUV aceita recargas de até 6,6 quilowatts no modo lento, via corrente alternada, e 40 quilowatts no rápido, via corrente contínua. Com o tanque de 70 litros, a autonomia combinada chega a 1.300 quilômetros. Os preços começam em R$ 339.900 para a versão XWD 4x4, com uma edição especial Dark Knight por R$ 343.400. Acima dela, a Premium 4x2 custa R$ 299.900 — uma diferença de apenas R$ 40 mil que pode criar canibalismo dentro da linha.
Visualmente, o T2 mantém seu design robusto e geométrico: rodas pronunciadas, faróis angulares, barras de teto e estepe pendurado na traseira. A versão 4x4 ganha acabamentos em cinza nas rodas, rack de teto e para-choque dianteiro. O emblema XWD na tampa traseira identifica a tração integral, enquanto o logotipo i-DM, que indica eletrificação, agora é vermelho. Os pneus de uso misto não vêm de série — custam R$ 1.750 cada, ou R$ 7 mil o jogo completo. As rodas são de 20 polegadas. Para encarar o fora de estrada, a Jetour instalou proteções robustas: parede anticolisão da bateria, proteções frontal e inferior do conjunto de alta tensão, proteção do tanque de combustível, proteção traseira do chassi e uma viga transversal de aço que otimiza a rigidez torcional. As chapas de reforço têm espessuras específicas e revestimentos desenvolvidos para reduzir danos causados por pedras, galhos e desníveis.
Dentro, o minimalismo prevalece. Duas telas de 10,3 polegadas no painel de instrumentos digital, central multimídia de 15,6 polegadas, som Sony com 12 alto-falantes, carregador de indução para smartphones de 50 watts, bancos dianteiros com ajuste elétrico, ventilação e ar-condicionado de duas zonas. O teste de direção revelou algo interessante: apesar da aceleração impressionante, o T2 4x4 transmite a sensação de ter bem menos potência do que os números sugerem. Não é falta de força — os motores elétricos comandam grande parte das ações, permitindo ultrapassagens rápidas e retomadas vigorosas. Mas a impressão geral fica aquém daqueles seiscentos cavalos anunciados.
O grande acerto está na suspensão. Em rodovias bem lisas, como as do interior de São Paulo, o SUV flana como se estivesse em um tapete. A tração funciona praticamente como traseira nesse modo, melhorando ainda mais a impressão de direção sem patinar em arrancadas. O motorista não precisa fazer correções no volante e a viagem é tranquila, especialmente porque o sistema prioriza o modo elétrico e evita ao máximo acionar o motor a combustão, mesmo em velocidades altas. A direção, porém, poderia oferecer mais resposta — o ajuste leve demais às vezes faz perder sensibilidade sobre para onde as rodas estão indo.
Em estradas de terra batida, a absorção de impactos é impressionante, sem reverberações exageradas no volante ou nos bancos. Em trechos acidentados, a suspensão não dá pancadas secas e parece ter um curso infinito. O contraponto é que em uma condução mais esportiva, a carroceria tende a rolar em curvas fechadas. No teste de off-road pesado, o T2 4x4 mostrou suas credenciais: 20,5 centímetros de vão livre do solo, 28 graus de ângulo de ataque e 30 graus de ângulo de saída dificilmente fazem raspar em obstáculos. Quando mergulhou em uma piscina de lama improvisada, chegou a 40 centímetros de imersão sem problemas — o Jetour aguenta até 70 centímetros, com câmeras e sensores informando tudo em tempo real na tela multimídia. Na famosa caixa de ovos, repleta de altos e baixos alternados, o SUV demonstrou qualidade de projeto e torção do chassi.
O T2 4x4 oferece oito modos de condução: Eco, Normal, Sport, mais Neve, Lama, Areia e Pedra para o fora de estrada. O oitavo, chamado X, realiza gerenciamento inteligente e automático dos sistemas de acordo com as condições do terreno — o carro se adapta sozinho. Existe também o Modo Rastejamento, que controla automaticamente a velocidade em percursos de baixa aderência, gerenciando torque, frenagem e controle de descida. Câmeras por todos os lados facilitam manobras de estacionamento e descidas íngremes. O T2 4x4 será um rival direto para o GWM Tank 300, que faz sucesso no Brasil. A questão agora é se a controvérsia sobre aqueles 597 cavalos vai afetar as vendas — ou se o desempenho real, bem calibrado e versátil, vai falar mais alto que os números polêmicos.
Citações Notáveis
Não há uma regulamentação padrão sobre esses números combinados e cada fabricante divulga o que é melhor para si— Jetour
Apenas 10% dos compradores usam seus veículos com tração integral em condições extremas— Jetour