Jardim vê empate como positivo e justifica ausências de Pedro e Paquetá

Ninguém pode dizer não ao Flamengo
Jardim explica sua volta ao Brasil após dizer que não retornaria, citando a magnitude do clube.
Mark

Por que deixar Pedro e Paquetá no banco em um jogo tão importante?

Mimi

Não é sobre qualidade. São titulares, mas a Libertadores exige uma coisa e o campeonato exige outra. Temos 15, 16 jogadores que podem começar. Paquetá vinha de muita inatividade, precisava de frescor. E funcionou — ele fez o gol.

Mark

Você fala em rotação, mas não parece que está deixando jogadores importantes descansarem. Parece mais tática.

Mimi

É tática, sim. Mas tática é também conhecer o momento de cada jogador. Arrasca e BH estavam desgastados. Não é descanso, é inteligência. Você quer que eu coloque um jogador cansado em um jogo da Libertadores?

Mark

E quanto à recepção da torcida do Cruzeiro? Pareceu hostil.

Mimi

Há pessoas que criaram ódio. Mas prefiro falar dos torcedores que apoiaram o Flamengo. Eles fizeram o papel deles. No Maracanã, espero ter todo mundo junto.

Mark

Você voltou atrás na palavra quando disse que não voltaria ao Brasil. Como explica isso?

Mimi

Pedi desculpas por isso. Mas ninguém diz não ao Flamengo. É o maior clube da América do Sul. Minha intenção era ficar no Oriente Médio, mas não havia espaço. Quando o Flamengo apareceu, a decisão foi inevitável.

Mark

O Cruzeiro de agora é diferente do que você conhece?

Mimi

Muito. Joga num modelo de marcação homem a homem, está mais organizado, mais confiante. Mas os jogadores continuam os mesmos — Gerson, Matheus, Kaio. Continuam sendo as mais-valias. Dois estilos diferentes, mas sempre competitivos.

Mark

Qual é a prioridade agora?

Mimi

Mirassol. Em três dias. Diminuímos a distância para o Palmeiras e não podemos encarar aquele jogo de forma leviana. Primeiro o Mirassol, depois o Cruzeiro. Essa é a ordem.

  • O empate sem vitória em Belo Horizonte cria pressão sobre o Flamengo, que agora precisa vencer em casa para avançar na Libertadores.
  • A ausência de Pedro e Paquetá na escalação inicial gerou questionamentos, mas Jardim reafirmou que a rotação é estratégia, não fraqueza — e o gol de Paquetá validou a aposta.
  • A marcação homem a homem do Cruzeiro sufocou a posse de bola do Flamengo, mas trocas de posição abriram espaços e permitiram ao time buscar o empate.
  • Com Luiz Araújo ainda fora de condição e o Mirassol chegando em três dias, Jardim precisa administrar um elenco exigido em duas frentes simultaneamente.
  • O técnico pediu apoio unificado da torcida no Maracanã e sinalizou que o jogo decisivo contra o Cruzeiro exigirá um ambiente diferente do que encontrou em Minas.

Num jogo onde todos os confrontos da rodada terminaram empatados, Leonardo Jardim saiu de Belo Horizonte com um ponto e uma convicção: o Flamengo não perdeu, apenas adiou a decisão para o Maracanã. O técnico português, que um dia disse que não voltaria ao Brasil e acabou cedendo ao maior clube da América do Sul, defendeu suas escolhas táticas com a serenidade de quem enxerga o jogo além do placar — e lembrou que, antes de pensar no Cruzeiro, há um Mirassol no caminho.

Leonardo Jardim deixou a coletiva após o empate com o Cruzeiro pela Libertadores com uma mensagem objetiva: um ponto fora de casa, entre duas equipes de qualidade, não é fracasso — é uma oportunidade preservada para o Maracanã. Numa rodada em que todos os confrontos terminaram iguais, o resultado tinha contexto e lógica.

As perguntas mais difíceis não foram sobre o placar, mas sobre as escolhas. Jardim explicou que Pedro e Paquetá ficaram fora da escalação inicial por rotação planejada para a Libertadores, não por dúvida sobre sua qualidade. O Flamengo tem 15 ou 16 jogadores capazes de começar, e o técnico adapta as peças ao adversário e ao momento. Paquetá entrou, marcou o gol do empate e validou a decisão. Na lateral direita, Varela serve para jogos de posse; Royal, para duelos mais físicos da competição continental. Ambos satisfazem o treinador.

A marcação homem a homem do Cruzeiro dificultou a construção, mas o Flamengo encontrou mobilidade e trocas de posição para criar espaços. O gol de Arroyo foi reconhecido por Jardim como um golaço — sem desculpas. Sobre a recepção da torcida adversária, o técnico preferiu destacar quem apoiou o Flamengo e pediu que no Rio todos empurrassem juntos.

Mas a cabeça de Jardim já estava no Mirassol, jogo marcado para três dias depois. O Flamengo havia encostado no Palmeiras no campeonato e não podia desperdiçar o momento. Luiz Araújo ainda não estava pronto; Wallace ficou fora por opção tática. A ordem era clara: primeiro o Mirassol, depois o Cruzeiro.

Sobre sua volta ao Brasil — depois de ter dito publicamente que não retornaria —, Jardim pediu desculpas pela contradição e foi direto: ninguém diz não ao Flamengo. O clube é o maior da América do Sul, e quando a oportunidade chegou, a decisão foi inevitável. O Cruzeiro, disse, continuaria no seu coração. Mas as coisas tomaram outro rumo, e ele preferia ser o prejudicado a prejudicar quem lhe era especial.

Leonardo Jardim saiu da coletiva de imprensa após o empate do Flamengo com o Cruzeiro pela Libertadores com uma mensagem clara: o resultado não era ruim, mas tudo dependeria do que acontecesse no Rio de Janeiro. O técnico português viu um jogo equilibrado entre duas equipes de qualidade, onde todos os confrontos da rodada terminaram empatados. Não era, portanto, um fracasso — era um ponto conquistado longe de casa, com a chance de reverter a situação no Maracanã.

Mas a coletiva não foi apenas sobre o resultado. Jardim precisou explicar suas escolhas, especialmente a ausência de Pedro e Paquetá na escalação inicial. O técnico deixou claro que não se trata de falta de qualidade dos dois jogadores — ambos são titulares indiscutíveis — mas de uma estratégia de rotação pensada especificamente para a Libertadores. Muitos dos atletas que jogam na competição continental também atuam no campeonato brasileiro, e Jardim alterna peças conforme o adversário e o contexto. O importante, segundo ele, é ter soluções. E o Flamengo tem: são 15 ou 16 jogadores que podem começar, dependendo da análise do técnico sobre o que cada jogo exige.

Na lateral direita, Jardim defendeu suas duas opções — Varela e Royal — como escolhas estratégicas, não como falta de alternativas. Quando quer um jogo mais envolvente, com mais posse de bola, usa Varela. Nos duelos mais agressivos da Libertadores, Royal é a opção. Ambos o satisfazem plenamente. No ataque, a decisão de colocar Arrasca e BH no banco e dar espaço para outros nomes veio porque os dois estavam desgastados. Paquetá, ainda que não estivesse em seu melhor — vindo de muita inatividade — trouxe frescor. E foi dele o gol do empate, o que validou a escolha.

Jardim também abordou a recepção da torcida do Cruzeiro. Reconheceu que há pessoas que criaram ódio em relação a ele, mas preferiu destacar os torcedores que apoiaram o Flamengo durante o jogo. Pediu que no Maracanã houvesse apoio de todos. Sobre Johnny, o jovem lateral no banco, explicou que um jogo com aquela intensidade não era o momento certo para lançar um jogador em desenvolvimento — um erro poderia prejudicar sua carreira. Mas se houver necessidade, ele entrará.

A marcação homem a homem do Cruzeiro foi outro ponto de análise. Jardim reconheceu que essa estratégia dificulta a posse de bola, especialmente para seus jogadores mais técnicos. Mas houve mobilidade, trocas de posição que permitiram criar espaços. O Cruzeiro chegou ao gol com um golaço de Arroyo — e Jardim não hesitou em reconhecer a qualidade do lance. O Flamengo buscou a virada e conseguiu o empate. Ambas as equipes têm bom contra-ataque.

Mas a mente de Jardim já estava em outro lugar: no jogo contra o Mirassol, três dias depois. O Flamengo havia diminuído a distância para o Palmeiras no campeonato, e não podia encarar aquele confronto de forma leviana. Primeiro o Mirassol, depois o Cruzeiro. Essa era a ordem de prioridades. Luiz Araújo estava fora há semanas, começou a treinar há dois dias e ainda não estava pronto. Wallace ficou de fora por opção tática, já que com todos disponíveis era necessário deixar alguém no banco.

Jardim também respondeu sobre sua volta ao Brasil. Havia dito que não voltaria, e voltou atrás na palavra. Pediu desculpas por isso. Mas explicou: ninguém diz não ao Flamengo. O clube é o maior da América do Sul. Sua intenção era ficar no Oriente Médio, mas não houve espaço. Quando o Flamengo apareceu, a decisão foi inevitável. Sobre o Cruzeiro, continuava gostando do clube e levaria sempre no coração, mas as coisas aconteceram de forma diferente. Preferia ser prejudicado a prejudicar outras pessoas com quem tinha relação especial.

O Cruzeiro de agora é diferente do Cruzeiro de antes, quando Tite era técnico. Joga num modelo mais de marcação homem a homem, está mais confiante, mais organizado. Mas os jogadores continuam os mesmos — Gerson, Matheus, Kaio, Fabrício — e continuam sendo as mais-valias da equipe. Dois estilos diferentes, mas sempre competitivos. A posse de bola, para Jardim, é importante na construção, mas não é tudo. O Flamengo tem mais posse hoje porque os adversários baixam mais as linhas. Quando chegou ao Cruzeiro, era diferente: os adversários não respeitavam o clube e vinham para cima. Havia espaço nas costas, e aproveitava. Agora procura profundidade, vê os pontas buscando, mas também há jogadores que conseguem manter a posse. São estilos adaptados à situação de cada momento.

Foi um jogo equilibrado, pelo que vimos dos números, entre duas boas equipes. O resultado foi positivo, mas vamos ver no segundo jogo.
— Leonardo Jardim
Temos 15 ou 16 jogadores que são titulares. Depois, isso vai depender do momento, da escolha, da análise que eu fizer do adversário.
— Leonardo Jardim
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