Desde que os primeiros cartógrafos traçaram linhas sobre o desconhecido, mapas nunca foram apenas descrições neutras do mundo — são também afirmações de poder. Ao apresentar um novo mapa-múndi que corrige as distorções seculares da projeção de Mercator, a ONU reacendeu uma tensão antiga: a de que toda representação geográfica oficial é, ao mesmo tempo, um ato político. O Japão, ao contestar a forma como as ilhas disputadas com a Rússia aparecem no documento, lembra ao mundo que a geometria do planeta e a geometria da soberania raramente coincidem sem atrito.