Na segunda-feira, o Japão lança ao cosmos uma sonda que carrega uma pergunta antiga: de onde vieram as luas de Marte? A missão MMX, fruto de uma aliança entre a Jaxa e parceiros da Europa e dos Estados Unidos, partirá rumo a Phobos com a ambição de trazer à Terra, pela primeira vez, fragmentos desse pequeno mundo. Em cinco anos de viagem, coleta e retorno, a humanidade poderá encontrar não apenas a origem das luas marcianas, mas talvez ecos do próprio Marte.
Missão japonesa lança sonda para coletar amostras de Phobos
Um salto de 1,5 quilômetro sem grande esforço
Por que Phobos e não Marte diretamente? Parece uma escolha estranha.
Porque ninguém conseguiu trazer amostras de Marte ainda. A Rússia falhou em 2011, e o programa americano-europeu foi cancelado por falta de orçamento. Phobos é mais acessível tecnicamente, e há uma chance real de que contenha material marciano.
Mas é uma chance, não uma certeza. O texto diz que Phobos "acredita-se que esteja constantemente recolhendo" solo marciano. Isso é uma hipótese, não um fato confirmado.
Então a Jaxa já fez isso antes com asteroides?
Exatamente. Hayabusa em 2003-2010 e Hayabusa 2 em 2018-2020. Ambas trouxeram amostras de asteroides com sucesso. É por isso que a agência está bem posicionada para isso.
Embora nenhuma dessas missões tenha enfrentado a gravidade extremamente baixa de Phobos. É um ambiente completamente diferente. O texto menciona que a Rússia falhou em 2011, mas não explica exatamente por quê — apenas que não conseguiu acionar os motores. Não sabemos se foi um problema de engenharia ou de comunicação.
E quanto ao rover Idefix? Ele vai fazer o trabalho sozinho?
Não, ele é um reconhecedor. Vai passar cem dias na superfície testando diferentes locais, usando sensores para decidir onde o módulo de exploração deve pousar e coletar as amostras reais.
Cem dias é uma estimativa. Não há garantia de que o rover durará esse tempo inteiro em um ambiente que nunca foi explorado dessa forma.
Quando as amostras chegam à Terra?
2031, se tudo correr conforme planejado. Pousarão na Austrália com paraquedas.
Isso é um cronograma muito apertado — quase cinco anos de viagem, mais dois anos de operações em Phobos. Qualquer atraso em qualquer fase compromete todo o calendário.
The Pulse
- A missão MMX representa a tentativa mais ousada já feita para alcançar Phobos — uma lua tão pequena e de gravidade tão ínfima que um salto humano ali percorreria 1,5 quilômetro.
- A Rússia já tentou e falhou em 2011, quando a sonda Phobos Grunt ficou presa na órbita terrestre sem conseguir partir — o peso do fracasso alheio paira sobre cada etapa do projeto japonês.
- A Jaxa aposta em sua experiência comprovada com as missões Hayabusa para superar os desafios técnicos de pousar, coletar e retornar amostras em condições extremas de microgravidade.
- Um rover do tamanho de um micro-ondas, o Idefix, será lançado da sonda para explorar a superfície e identificar o melhor ponto de coleta antes do pouso principal.
- Se tudo correr conforme o planejado, amostras chegarão à Austrália em 2031 — e podem conter, como bônus inesperado, partículas do próprio solo marciano arrastadas pela gravidade de Phobos.
Na segunda-feira, o Japão lança ao cosmos uma sonda que carrega uma pergunta antiga: de onde vieram as luas de Marte? A missão MMX, fruto de uma aliança entre a Jaxa e parceiros da Europa e dos Estados Unidos, partirá rumo a Phobos com a ambição de trazer à Terra, pela primeira vez, fragmentos desse pequeno mundo. Em cinco anos de viagem, coleta e retorno, a humanidade poderá encontrar não apenas a origem das luas marcianas, mas talvez ecos do próprio Marte.
Nesta segunda-feira, um foguete H3 decola de Tanegashima carregando a sonda MMX — Exploração das Luas de Marte — em direção a Phobos, a maior das duas pequenas luas do planeta vermelho. Liderada pela Jaxa em parceria com Estados Unidos, França, Alemanha e a Agência Espacial Europeia, a missão durará cinco anos e tentará, pela primeira vez na história, trazer amostras de Phobos à Terra.
O mistério que a MMX quer resolver é antigo: como Marte adquiriu suas luas? Podem ser asteroides capturados pela gravidade marciana, ou fragmentos formados após a colisão de um asteroide com o planeta. A composição química do solo de Phobos, que os laboratórios terrestres analisarão, deverá indicar qual hipótese é mais plausível.
O desafio técnico é enorme. A gravidade de Phobos equivale a apenas 0,1% da terrestre, exigindo instrumentos especialmente projetados para coletar material sem que ele simplesmente flutue. A sonda carrega 13 instrumentos científicos, câmeras de alta resolução, um altímetro a laser e espectrógrafos. Em 2029, o rover Idefix — do tamanho de um micro-ondas, desenvolvido com França e Alemanha — será lançado para mapear a superfície e escolher o melhor ponto de pouso.
Em 2030, o módulo de exploração pousará em Phobos por pouco mais de duas horas, coletando ao menos dez gramas de material com perfuradores ou jatos de gás nitrogênio. Depois, retornará à Terra: a cápsula de amostras chegará à Austrália em 2031 e seguirá ao Japão para análise.
Há ainda um prêmio inesperado em jogo. Como Phobos orbita muito próximo a Marte, acredita-se que sua superfície acumule partículas de solo marciano ejetadas por impactos de asteroides. Com o cancelamento da missão MSR pelos EUA por pressões orçamentárias, as amostras da MMX podem oferecer à ciência um vislumbre indireto — e precioso — do próprio Marte.
Nesta segunda-feira, um foguete H3 decolará do Centro Espacial de Tanegashima, no sul do Japão, carregando uma sonda que não se dirigirá a Marte, mas a um de seus satélites. A missão Exploração das Luas de Marte, conhecida pela sigla MMX, representa uma tentativa sem precedentes de trazer material de Phobos, a maior das duas pequenas luas marcianas, de volta à Terra para análise em laboratório.
O projeto é liderado pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa) em parceria com Estados Unidos, França, Alemanha e a Agência Espacial Europeia. Sua duração será de cinco anos, durante os quais a espaçonave orbitará Phobos, lançará um módulo de pouso e coletará solo e pequenas pedras da superfície lunar. Nunca antes na história da exploração espacial amostras de Phobos foram trazidas à Terra.
O mistério que a MMX busca desvendar é fundamental para compreender a história de Marte. Os cientistas ainda não sabem com certeza como o planeta vermelho adquiriu suas duas pequenas luas. Uma hipótese sugere que Phobos e Deimos eram asteroides que passavam próximos a Marte e foram capturados por sua gravidade. Outra possibilidade é que tenham se formado quando um asteroide colidiu com Marte, lançando material rochoso para o espaço que gradualmente se aglutinou, criando os dois satélites. A composição química de Phobos, que a MMX fornecerá, ajudará a indicar qual dessas teorias é mais plausível.
O desafio técnico é considerável. A Rússia tentou coletar amostras de Phobos em 2011 com a missão Phobos Grunt, mas a sonda não conseguiu acionar seus motores para deixar a órbita terrestre. A Jaxa, porém, possui experiência comprovada. Entre 2003 e 2010, a agência executou a missão Hayabusa, e entre 2018 e 2020, a Hayabusa 2, ambas trazendo com sucesso amostras de asteroides à Terra. A MMX testará técnicas sofisticadas de coleta projetadas especificamente para as condições extremas de Phobos, onde a gravidade é apenas 0,1% da força gravitacional terrestre. Nessas condições, um ser humano poderia dar um salto de 1,5 quilômetro de distância horizontal sem grande esforço.
A espaçonave é composta de três módulos distintos: um de propulsão para colocar a MMX em órbita ao redor de Marte, um de exploração equipado com instrumentos de pouso e coleta, e um de retorno para entregar a amostra à Terra. Carrega 13 instrumentos científicos, incluindo câmeras de alta resolução chamadas Tengoo e Orochi que mapearão a superfície, um altímetro a laser (Lidar) que criará imagens dos contornos da lua, um espectrógrafo infravermelho (MIRS) para levantamento de minerais, e um detector de raios gama e nêutrons (Megane) para determinar a composição elementar. A MMX também coletará dados sobre Deimos, a lua menor de Marte.
O cronograma é ambicioso. Após o lançamento desta semana, a sonda levará quase um ano para alcançar Marte, com chegada prevista para agosto de 2027. Um mês depois, entrará em órbita de Phobos. No início de 2029, um pequeno rover chamado Idefix, desenvolvido pela Jaxa em colaboração com a agência espacial francesa Cnes e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), será lançado da espaçonave. O rover, do tamanho de um micro-ondas, descerá de uma altitude entre 40 e 100 metros, se endireitará e percorrerá a superfície durante aproximadamente cem dias, utilizando sensores para identificar o melhor local de pouso.
Em 2030, o módulo de exploração descerá e pousará em Phobos, permanecendo na superfície por pouco mais de duas horas. Poderá coletar amostras uma ou possivelmente duas vezes, pousando novamente em um local diferente para garantir compreensão adequada da composição da lua. Utilizará o C-sampler, que perfura um núcleo de amostra até dois centímetros abaixo da superfície, ou o P-sampler, que lança um jato de gás nitrogênio para remover solo e seixos. O C-sampler é preferível porque fornecerá material não alterado pela radiação solar, que causa mudanças químicas nas superfícies planetárias ao longo do tempo. Após coletar pelo menos dez gramas de material, o módulo deixará Phobos e viajará de volta à Terra, chegando em 2031. A câmara de amostragem será ejetada, atravessará a atmosfera terrestre com paraquedas e pousará na Austrália, de onde será transportada ao Japão.
Um benefício adicional potencial é que as amostras de Phobos podem incluir material de Marte. Como a lua orbita muito próxima ao planeta vermelho, acredita-se que esteja constantemente recolhendo solo marciano ejetado regularmente pela superfície do planeta em consequência de impactos de asteroides. Nesse sentido, a MMX poderia ser considerada uma versão simplificada da missão MSR, uma colaboração entre as agências espaciais dos EUA e da Europa que teria recuperado amostras de rochas da superfície marciana. Pressões orçamentárias, porém, levaram o Congresso dos EUA a cancelar o programa. Se os cientistas tiverem sorte com as amostras da MMX, receberão um prêmio de consolação significativo.
Notable Quotes
A composição química de Phobos ajudará a indicar qual hipótese sobre a origem das luas marcianas é mais forte— Objetivo científico da missão MMX