Colunistas da Folha como Juliano Spyer, Laura Machado, Marcelo Leite, Michael França e Vera Iaconelli estão entre os finalistas do prêmio. O Jabuti Acadêmico reconhece obras de áreas científicas, técnicas e profissionais, com apoio de instituições como ABC, Fapesp e SBPC.
Jabuti Acadêmico anuncia finalistas; colunistas da Folha entre concorrentes
Reconhece um tipo de escrita que não compete bem em prêmios gerais
Por que um prêmio específico para livros acadêmicos? Não bastam os prêmios literários tradicionais?
O Jabuti Acadêmico reconhece um tipo de escrita que não compete bem em prêmios gerais. Um livro sobre teoria dos números ou saúde do solo não busca bestseller; busca rigor, clareza, contribuição ao campo. Precisa de um espaço próprio.
Dois mil inscrições é muito ou pouco para uma categoria tão específica?
É bastante. Mostra que há produção robusta em português nessas áreas. Mas também significa que a seleção é severa. Muitos trabalhos sérios não chegam nem aos finalistas.
Qual é a vantagem de ter colunistas de jornal entre os finalistas?
Eles trazem uma coisa rara: conseguem falar de temas complexos para público amplo sem perder profundidade. Um colunista que escreve livro acadêmico está testando se consegue manter aquela clareza em formato mais longo.
E a transmissão pelo YouTube — muda algo?
Muda tudo. Antes, prêmios acadêmicos eram eventos fechados. Agora qualquer pessoa vê quem ganhou, lê sobre os finalistas, descobre livros que não conhecia. Democratiza o acesso.
Cinco mil reais é prêmio generoso para um livro acadêmico?
Não é muito em termos absolutos, mas o valor real está na visibilidade. Um prêmio desses abre portas: bibliotecas compram, universidades adotam, mídia repercute. O dinheiro é simbólico.
Qual categoria você acha mais competitiva?
Provavelmente economia e história. São campos com muita produção, muitos autores estabelecidos. Ganhar ali significa ter batido gente muito boa.
Il Polso
- 2.085 inscrições recebidas para a 3ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico
- Vencedores anunciados em 11 de agosto no Teatro Sérgio Cardoso, São Paulo
- Prêmio de R$ 5 mil e estatueta para cada vencedor
- Cinco colunistas da Folha entre finalistas: Spyer, Machado, Leite, França e Iaconelli
Colunistas da Folha como Juliano Spyer, Laura Machado, Marcelo Leite, Michael França e Vera Iaconelli estão entre os finalistas do prêmio. O Jabuti Acadêmico reconhece obras de áreas científicas, técnicas e profissionais, com apoio de instituições como ABC, Fapesp e SBPC.
A Câmara Brasileira do Livro anunciou os finalistas do 3º Prêmio Jabuti Acadêmico, com 2.085 inscrições. Vencedores serão conhecidos em 11 de agosto e receberão estatueta e R$ 5 mil.
A Câmara Brasileira do Livro anunciou nesta segunda-feira os finalistas da terceira edição do Prêmio Jabuti Acadêmico, encerrando uma rodada de seleção que recebeu mais de duas mil inscrições. Os vencedores serão revelados no dia 11 de agosto, em cerimônia no Teatro Sérgio Cardoso, no bairro da Bela Vista, centro de São Paulo, com transmissão ao vivo pelo canal da CBL no YouTube.
Entre os nomes que concorrem estão cinco colunistas da Folha de S.Paulo: Juliano Spyer, Laura Müller Machado, Marcelo Leite, Michael França e Vera Iaconelli. Cada um deles figura como finalista em sua respectiva categoria, refletindo a força da produção intelectual ligada ao jornal. O prêmio reconhece obras de caráter científico, técnico e profissional, campos que ganham cada vez mais espaço no mercado editorial brasileiro.
Os ganhadores receberão uma estatueta e cinco mil reais. As editoras das obras premiadas também serão contempladas com uma estatueta, incentivando o investimento das casas publicadoras em títulos de rigor acadêmico. A edição deste ano contou com o apoio da Academia Brasileira de Ciências, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, além de patrocínio do Mercado Livre e da Skeelo.
O Jabuti Acadêmico se organiza em dois eixos principais. O primeiro, Ciência e Cultura, agrupa categorias que vão desde administração pública e empresarial até artes, passando por astronomia, computação, alimentos, agronomia, biologia, religião, comunicação, direito, economia, educação, educação física, enfermagem, engenharias, filosofia, geografia, história, letras e matemática. O segundo eixo, Prêmios Especiais, reconhece trabalhos de divulgação científica, ilustração e infografia, além de traduções de obras relevantes.
A diversidade de categorias reflete a amplitude do conhecimento que o prêmio busca valorizar. Há espaço para livros sobre temas clássicos da academia, como física quântica e teoria dos números, mas também para obras que dialogam com questões contemporâneas: inteligência artificial, mudanças climáticas, saúde digital, segurança pública. Alguns títulos finalistas abordam temas sensíveis da história brasileira, como genocídio indígena e escravidão, enquanto outros exploram inovações tecnológicas e sustentabilidade ambiental.
Entre os finalistas em divulgação científica está Marcelo Leite com "A Ciência Encantada de Jurema", que trata da história de uma planta da Caatinga e suas conexões com resistência indígena e pesquisa psicodélica contemporânea. Vera Iaconelli aparece na categoria de psicologia e psicanálise com "Análise", publicado pela Zahar. Michael França e Laura Machado figuram juntos em economia, com "A Loteria do Nascimento", que examina desigualdade educacional. Juliano Spyer integra a categoria de ciências da religião e teologia com "Crentes: Pequeno Manual sobre um Grande Fenômeno".
A cerimônia de 11 de agosto marcará o encerramento de um processo que envolveu avaliação rigorosa de trabalhos que cobrem praticamente todas as áreas do conhecimento acadêmico e profissional. O prêmio funciona como termômetro do que está sendo produzido e publicado em português no campo da literatura científica, técnica e especializada, oferecendo visibilidade a autores e editoras que investem em qualidade intelectual.
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O Jabuti Acadêmico concentra-se em obras de áreas científicas, técnicas e profissionais— Câmara Brasileira do Livro