Itaú entrega ROE de 24,3% e mantém qualidade de ativos; mercado ignora revisão de guidance

Um banco em forma, com números sólidos no crédito e nos lucros
O Itaú mantém inadimplência estável e lucro crescente apesar da revisão de receitas de serviços.
Mark

Por que o mercado não reagiu mal à revisão de guidance se o banco está reduzindo as projeções de receita?

Mimi

Porque já sabia que vinha. O Itaú tinha conversado com analistas nas semanas anteriores, então a notícia ruim já estava precificada. O que importava era se o lucro e a inadimplência iam desabar – e não desabaram.

Mark

Então o mercado estava mais preocupado com uma crise de crédito do que com receitas menores?

Mimi

Exatamente. Num momento em que o ciclo de crédito está piorando, um banco que mantém inadimplência estável e lucro crescente é praticamente um alívio. A redução nas receitas de serviços é um problema de curto prazo; uma crise de crédito seria estrutural.

Mark

O mercado de capitais caiu por causa do Oriente Médio e dos problemas de crédito no Brasil. Isso é temporário ou estrutural?

Mimi

Parece temporário. Conflitos geopolíticos passam, e os problemas de crédito no Brasil também tendem a se normalizar. Mas enquanto isso, o banco está reduzindo tarifas que considera insustentáveis, o que sugere que está fazendo escolhas estratégicas, não apenas reagindo a crises.

Mark

Como é que a TJLP elevada ajuda o lucro líquido se as receitas estão caindo?

Mimi

Porque permite que o banco deduza mais juros sobre capital próprio do imposto de renda. Se o Itaú aumentar o pagamento de JCP, a alíquota de imposto cai, e isso compensa a queda nas receitas de serviços. É um ganho fiscal que mascara um pouco o problema operacional.

Mark

Então o lucro líquido pode não cair tanto quanto o lucro operacional?

Mimi

Pode não cair nada. O efeito fiscal pode ser suficiente para neutralizar completamente a pressão nas receitas. É por isso que alguns analistas não estão tão preocupados com a revisão de guidance.

Mark

A carteira de crédito cresceu 9,6% anualmente. Isso é bom ou é sinal de que o banco está tomando mais risco?

Mimi

É bom, especialmente porque a inadimplência não subiu. O banco está crescendo sem deteriorar a qualidade dos ativos, o que é exatamente o que você quer ver em um ciclo de crédito em piora.

  • A revisão do guidance de receitas de serviços — de 5-9% para apenas 2-5% — acendeu alertas sobre a capacidade do banco de sustentar crescimento em linhas além do crédito tradicional.
  • O mercado de capitais, antes motor do segmento de serviços, perdeu força em abril e maio pressionado por conflitos geopolíticos e restrições de liquidez nos fundos brasileiros.
  • Analistas estimam que a queda nas receitas de serviços pode corroer cerca de 3% do lucro operacional projetado para o ano — impacto real, mas não catastrófico.
  • Um amortecedor fiscal emerge como contrapeso: a Selic elevada mantém a TJLP alta, ampliando o espaço para dedução de JCP e potencialmente neutralizando a perda de receita.
  • A inadimplência consolidada permanece estável em 1,9% pelo sexto trimestre seguido, sinalizando que a qualidade da carteira de crédito de R$ 1,5 trilhão ainda resiste ao ciclo adverso.

Em um trimestre marcado por turbulências nos mercados de capitais e pressões sobre tarifas, o Itaú demonstrou a resiliência que define instituições financeiras maduras: lucro de R$ 12,4 bilhões, inadimplência contida e retorno sobre patrimônio de 24,3%. A revisão das projeções de receitas de serviços, embora tecnicamente negativa, chegou ao mercado já digerida — sinal de que a transparência, quando praticada com antecedência, transforma surpresas em meras confirmações. O banco segue como referência de equilíbrio em um sistema financeiro que ainda navega ciclos de crédito incertos.

O Itaú encerrou o segundo trimestre com lucro de R$ 12,4 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio ficou em 24,3% — abaixo dos 24,8% do trimestre anterior, mas acima dos 23,3% registrados um ano atrás. Os números vieram em linha com o consenso dos analistas, sem desvios expressivos em nenhuma direção.

O ponto de maior atenção foi a revisão do guidance para receitas de prestação de serviços e seguros. O banco controlado pelas famílias Setubal, Villela e Moreira Salles passou a projetar crescimento de 2% a 5% para o ano, recuando da faixa anterior de 5% a 9%. A mudança, porém, havia sido antecipada em conversas com analistas nas semanas anteriores, o que esvaziou o potencial de surpresa negativa. O principal responsável pela queda foi o mercado de capitais: as operações de dívida encolheram em abril e maio diante de tensões geopolíticas e da retração das captações dos fundos. Soma-se a isso a decisão do banco de reduzir tarifas consideradas insustentáveis em contas de clientes com maior relacionamento.

Um analista estimou que o menor crescimento das receitas de serviços pode reduzir cerca de 3% do lucro operacional esperado para o ano. Mas há um contrapeso fiscal relevante: a Selic elevada mantém a TJLP em patamares altos, ampliando o limite de juros sobre capital próprio dedutíveis do imposto de renda. Se o Itaú intensificar o pagamento de JCP, a alíquota efetiva de imposto tende a cair, compensando parte da pressão sobre as receitas.

Os indicadores de crédito seguiram robustos. A inadimplência acima de 90 dias consolidada permaneceu em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo. No Brasil, a taxa subiu modestamente de 2% para 2,1% em doze meses. A carteira de crédito chegou a R$ 1,5 trilhão, com expansão de 9,6% na comparação anual. Na Bolsa, as ações acumulam alta de 23% nos últimos doze meses — desempenho inferior ao Ibovespa, mas superior ao Nubank e ao Bradesco no mesmo período. O resultado reafirmou o Itaú como uma instituição capaz de preservar a qualidade de seus ativos mesmo sob pressão de receitas.

O Itaú apresentou um resultado que confirmou o que o mercado já esperava: um banco em forma, com números sólidos no crédito e nos lucros, mas com uma revisão de expectativas que não surpreendeu quem acompanhava a instituição de perto.

No segundo trimestre, o banco lucrou R$ 12,4 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior e 1% na comparação sequencial. O retorno sobre o patrimônio chegou a 24,3%, ligeiramente abaixo dos 24,8% do primeiro trimestre, mas acima dos 23,3% de um ano atrás. Os números alinharam-se ao consenso dos analistas, sem sobressaltos para cima ou para baixo.

O movimento mais relevante foi a redução do guidance para receitas de prestação de serviços e seguros. O banco, controlado pelas famílias Setubal, Villela e Moreira Salles, passou a projetar crescimento entre 2% e 5% para este ano, recuando da previsão anterior de 5% a 9%. A mudança, porém, já havia sido sinalizada em conversas privadas com analistas nas semanas anteriores, o que evitou surpresas negativas. Alguns temiam que a revisão pudesse contaminar todo o balanço, mas isso não ocorreu. Como observou um analista do lado comprador do mercado, o resultado manteve a marca do Itaú: equilibrado, sem crises no resultado final nem deterioração da inadimplência.

O principal culpado pela redução nas receitas de serviços foi o mercado de capitais. As operações de dívida, que vinham sustentando esse segmento, encolheram em abril e maio devido aos conflitos no Oriente Médio e aos problemas de crédito no Brasil, que reduziram as captações dos fundos. Além disso, o banco vem reduzindo tarifas que considera insustentáveis, como as cobradas de clientes com maior relacionamento na conta corrente, gerando pressões no curto prazo. Um analista estimou que o menor crescimento das receitas de serviços pode reduzir cerca de 3% do lucro operacional esperado para o ano.

Mas há um amortecedor fiscal que pode neutralizar esse impacto. A Selic elevada mantém a TJLP em patamares altos, o que aumenta o limite de juros sobre capital próprio que os bancos podem deduzir do imposto de renda. Se o Itaú aumentar o pagamento de JCP, a alíquota de imposto deve diminuir, beneficiando o lucro líquido e compensando a queda nas receitas de serviços.

Os indicadores de crédito permaneceram robustos. A inadimplência acima de 90 dias consolidada, que inclui as operações do banco em toda a América Latina, manteve-se estável em 1,9% pelo sexto trimestre consecutivo. No Brasil especificamente, a taxa subiu de 2% um ano atrás para 2,1% em junho, um movimento modesto em um cenário de ciclo de crédito em deterioração. A carteira de crédito expandiu 2,7% no consolidado e 2,6% no Brasil durante o trimestre, chegando a R$ 1,5 trilhão. Na comparação anual, o crescimento foi de 9,6% em ambos os casos. A margem com clientes cresceu 3,3% no trimestre e 5,1% em relação ao mesmo período de 2025.

Na Bolsa, a ação do Itaú subiu 23% nos últimos 12 meses, desempenho inferior ao do índice Bovespa, que avançou 34%, mas superior ao do Nubank, com 19%, e do Bradesco, com 16%. O banco tem valor de mercado de R$ 478 bilhões. O resultado, em suma, reafirmou a posição do Itaú como uma instituição capaz de manter a qualidade de seus ativos mesmo em tempos difíceis, ainda que com receitas sob pressão.

O balanço veio bem a cara do Itaú, especialmente porque se viesse ruim no resultado final e na inadimplência, o estresse seria generalizado.
— Analista do buyside
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