Israel divulga investigação alegando que 170 mortos em Gaza eram combatentes disfarçados de jornalistas

Mais de 74 mil pessoas morreram na guerra em Gaza segundo o Ministério da Saúde local, sem distinção entre civis e combatentes.
A linha entre jornalista e combatente é turva em Gaza
A dificuldade de verificar identidades e funções dos mortos reflete a confusão sobre quem era quem durante a guerra.
Mark

Como Israel chegou a esses 170 nomes? Qual é a base da investigação?

Mimi

Eles publicaram fotos, postagens em redes sociais, documentos encontrados em Gaza. Alguns casos têm inteligência por trás, que eles dizem não poder divulgar. Mas a verdade é que as evidências variam muito em solidez.

Luke

E quanto aos 78 nomes que aparecem nas duas listas? Se ambos os lados concordam que essas pessoas existem, por que discordam sobre o que elas eram?

Mimi

Porque a linha entre jornalista e combatente é turva em Gaza. Alguns trabalhavam para mídia ligada a grupos armados. Outros podem ter tido dupla função. Não há clareza.

Mark

O Comitê para Proteção de Jornalistas vai aceitar essas evidências?

Mimi

Jodie Ginsberg disse que vão examinar detalhadamente, como fazem com qualquer fonte. Mas ela também reconheceu que é difícil verificar coisa alguma em Gaza agora — as pessoas foram deslocadas, a comunicação é instável.

Luke

Então ninguém realmente sabe. Israel diz uma coisa, o comitê diz outra, e não há forma independente de confirmar.

Mimi

Exatamente. E isso é o problema real. Não é sobre quem está certo ou errado — é que a guerra tornou impossível verificar os fatos.

Mark

Qual é o risco se essas acusações de Israel forem verdadeiras?

Mimi

Muda a narrativa sobre se Israel atacou deliberadamente jornalistas. Mas também levanta a questão: se 170 pessoas foram mal classificadas, quantas outras informações sobre a guerra foram distorcidas?

Luke

Mas isso é especulação. O que sabemos é que 74 mil pessoas morreram, e ninguém sabe quantas eram civis e quantas eram combatentes.

  • Israel divulgou nomes e rostos de 170 pessoas que classifica como combatentes disfarçados de jornalistas, numa tentativa de reverter a narrativa internacional sobre ataques à imprensa.
  • As duas listas — a israelense e a do CPJ — coincidem em apenas 78 nomes, expondo uma contradição que nenhum dos lados consegue resolver sozinho.
  • O CPJ, que já removeu 27 pessoas de sua lista após concluir que eram combatentes, promete avaliar as evidências israelenses com seus métodos independentes, sem aceitar ou rejeitar o relatório de antemão.
  • A verificação é obstaculizada por Gaza fechada ao mundo exterior, comunicação instável, deslocamento em massa e a complexidade de transliterar nomes árabes com precisão.
  • Porta-vozes israelenses sugerem que os achados devem lançar dúvida sobre outras acusações feitas ao longo da guerra, ampliando o alcance político da disputa para além das mortes de jornalistas.

Em meio a uma guerra que já ceifou mais de 74 mil vidas, Israel apresentou uma investigação afirmando que 170 pessoas mortas em Gaza e identificadas como jornalistas eram, na verdade, combatentes disfarçados — uma contestação que colide frontalmente com os registros do Comitê para a Proteção dos Jornalistas. O embate entre as duas listas revela não apenas divergências factuais profundas, mas a dificuldade estrutural de estabelecer verdades em um território fechado ao escrutínio externo. A questão de quem conta os mortos — e com que legitimidade — torna-se, ela própria, um campo de batalha.

As Forças Armadas israelenses divulgaram uma investigação listando 170 pessoas mortas em Gaza que, segundo o governo, se apresentavam como jornalistas mas eram combatentes de grupos armados palestinos. O general Effie Defrin apresentou a lista na quinta-feira como resposta às acusações internacionais de que Israel teria atacado deliberadamente profissionais de imprensa. O relatório inclui mais de cem membros identificados do Hamas e dezenas da Jihad Islâmica, com fotos, postagens em redes sociais e documentos como evidências — além de informações de inteligência que as autoridades dizem não poder tornar públicas.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas mantém sua própria lista: 190 jornalistas e profissionais palestinos mortos, com a vasta maioria dos assassinatos atribuída a Israel. As duas listas, porém, divergem de forma expressiva — apenas cerca de 78 nomes aparecem em ambas. Mais da metade das pessoas que Israel classifica como combatentes disfarçados sequer consta do registro do comitê, e mais da metade dos jornalistas documentados pelo CPJ não teve sua condição contestada por Israel.

A diretora-executiva do CPJ, Jodie Ginsberg, afirmou que a organização analisará o relatório israelense como qualquer outra fonte, avaliando a credibilidade das evidências de forma independente. Ela reconheceu que o deslocamento em massa e a instabilidade de comunicação em Gaza dificultam a localização de testemunhas confiáveis. O comitê já havia removido 27 pessoas de sua lista desde o início do conflito — 19 delas no mês passado, nomes que agora integram a lista israelense de 170.

A verificação das identidades é complicada por variações de grafia, transliteração de nomes árabes e o uso de nomes comuns. Com Gaza amplamente fechada a repórteres e observadores externos, o que ocorre ali permanece opaco para o mundo. Mais de 74 mil pessoas morreram na guerra segundo o Ministério da Saúde local, sem distinção entre civis e combatentes — um número que, por si só, ilustra a escala do que ainda está por ser compreendido.

As Forças Armadas israelenses apresentaram nesta semana uma investigação contendo os nomes de 170 pessoas mortas na Faixa de Gaza que, segundo o governo, se apresentavam publicamente como jornalistas mas eram na verdade combatentes de grupos armados palestinos. O general de brigada Effie Defrin, porta-voz militar, divulgou a lista na quinta-feira como resposta às acusações internacionais de que Israel teria atacado deliberadamente profissionais de imprensa em violação ao direito internacional. "Os soldados foram criticados antes que os fatos fossem verificados", afirmou Defrin.

O relatório israelense inclui mais de cem membros identificados do Hamas e dezenas de integrantes da Jihad Islâmica Palestina, além de outros grupos. As Forças Armadas publicaram rostos dos indivíduos e criaram um site com informações sobre as pessoas que teriam sido "desmascaradas". Algumas evidências consistem em fotos, postagens em redes sociais ou documentos encontrados em Gaza que supostamente comprovam vínculos com organizações armadas; outras se baseiam em inteligência que as autoridades militares dizem não poder divulgar publicamente.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas, organização internacional que documenta mortes de profissionais de imprensa, lista 190 jornalistas e profissionais palestinos mortos durante a guerra. O comitê atribui apenas uma dessas mortes a um grupo palestino, responsabilizando Israel pela "vasta maioria dos assassinatos de jornalistas e profissionais da imprensa em todo o mundo desde 2023". Porém, as duas listas divergem significativamente: apenas cerca de 78 nomes aparecem em ambas. Mais da metade das pessoas que Israel afirma terem usado o jornalismo como fachada não constam da lista do comitê como profissionais mortos, e inversamente, mais da metade dos jornalistas documentados pelo comitê não teve essa condição contestada por Israel.

Jodie Ginsberg, diretora-executiva do Comitê para a Proteção dos Jornalistas, afirmou na sexta-feira que a organização analisará o relatório israelense como qualquer outra fonte, avaliando independentemente a credibilidade das evidências conforme seus métodos estabelecidos. Ela reconheceu que o deslocamento em massa de pessoas durante a guerra e o elevado número de mortos dificultam a localização de testemunhas confiáveis em Gaza, onde a comunicação permanece instável. O comitê já havia removido 27 pessoas de sua lista desde o início do conflito após concluir que eram combatentes, incluindo 19 homens retirados no mês passado que agora constam da lista de 170 divulgada por Israel.

As autoridades militares israelenses argumentam que todas as 170 pessoas citadas eram membros ativos de alas militares no momento de suas mortes e que grande parte das evidências estava disponível publicamente mas foi ignorada. Ben Cohen, porta-voz internacional adjunto que trabalhou na investigação, sugeriu que os achados deveriam levantar dúvidas sobre outras acusações contra Israel durante a guerra. "Isso torna necessária uma reflexão sobre que outras informações falsas foram divulgadas ao longo da guerra", disse ele.

A verificação das identidades e funções dos mortos é complicada por variações de grafia, transliteração de nomes árabes, uso de nomes comuns e outros fatores. Grupos de defesa de jornalistas, as Nações Unidas e organizações de notícias acusam Israel de atacar deliberadamente profissionais de imprensa em Gaza. Israel impediu amplamente a entrada de repórteres e observadores externos na região, tornando obscuro para o mundo exterior o que ocorre ali. Mais de 74 mil pessoas morreram na guerra segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que não faz distinção entre civis e combatentes. O The New York Times não verificou independentemente nenhuma das duas listas.

Os soldados foram criticados antes que os fatos fossem verificados
— General de brigada Effie Defrin, porta-voz das Forças Armadas israelenses
Precisaremos examinar detalhadamente as evidências que eles apresentaram
— Jodie Ginsberg, diretora-executiva do Comitê para a Proteção dos Jornalistas
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